Ministro Juscelino Filho ( União Brasil) das Comunicações escondeu do TSE que era proprietário de 12 cavalos de raça Quarto de Milha avaliados em R$2,2 milhões . O mesmo ministro já foi acusado de usar dinheiro do Orçamento Secreto para asfaltar uma estrada que passa em sua fazenda. Só esse trecho de 19 km custou R$5 milhões. A irmã do deputado é prefeita da cidade( Vitorino Freire) . Além disso, ele usou um jatinho da FAB para ir a um leilão de cavalos em São Paulo, onde promoveu um dos seus animais, e ainda recebeu diárias do governo. É lamentável que o governo Lula tolere esse tipo de desrespeito à coisa pública em um ministro que parece manter o respeito ao dinheiro público no estábulo!
Como era inevitável o governo Lula começou a reonerar os combustíveis, que tiveram os impostos reduzidos por Bolsonaro. Para quem abastece – é tolice imaginar que só rico para na bomba- haverá um inevitável aumento de custos, com impacto no transporte público, nos fretes das mercadorias, nos usuários de motocicletas. A tendência natural é alguma pressão de aumento na inflação- o que nunca é saudável. Por outro lado, o aumento da arrecadação de R$28 bilhões parecerá justo se o governo tiver alguma preocupação fiscal, mas custará caro se for apenas uma forma de obter dinheiro para a farra da gastança.
A manutenção do subsídio herdada do governo anterior não se sustentava mais e nem parece socialmente justa, mas a grande dificuldade da política de combustíveis no país sempre foi encontrar o equilíbrio da margem de lucro que remunera acionistas e subsídio que barateia os custos da economia. Evidente que se o governo admite a inflação que a reoneração progressiva trará será preciso que haja controle em outras áreas para que a inflação não saia da meta prevista- uma tragédia coletiva. Na guerra entre a ala política que preferia manter tudo como está e o ministro da economia, Haddad, que defendia a reonenaração – a realidade- este venceu. O aumento no etanol menor do que o da gasolina- mais poluente- tem uma lógica de proteção ambiental e parece correto. A oposição, por sua vez, irá explorar o assunto cobrando o governo pelo sacrifício coletivo, cumprindo seu papel.
As razões técnicas podem ser discutidas, mas a verdade é que o consumidor com ou sem carro pagará mais caro pelo que consome e a dor no bolso não costuma se consolar com questões lógicas.
O novo juiz da Lava-Jato , feroz crítico de Moro e Deltan Dalagnoll, Eduardo Appio adotou uma assinatura eletrônica no sistema processual de Justiça do Paraná, alusiva a campanha de Lula. Ele usava "LUL22" , revela a jornalista Malu Gaspar. O referido juiz fez doação de R$13 reais a campanha do atual presidente, participava de um programa de debates esquerdista liderado por Luís Nassif. Appio vendeu a André Vargas (PT) um imóvel por R$980 mil , no entanto, ela foi registrada por R$500 mil , por isso ele constou em uma denúncia com o petista e o irmão por lavagem de dinheiro. O pai do juiz , Francisco Appio(PP-RS) foi citado na lsita da Odebrecht com o codinome "Abelha". O juiz se referia a Lava-Jato como " comédia" e " império punitivista".
Considerando-se que Moro foi acusado de ser um juiz parcial e seu trabalho foi jogado por terra pela Justiça dita Superior do país, é difícil classificar o grau de isenção do novo magistrado à frente da Lava-Jato.
Ao que parece o ferrão tem lado.
Diz um aforismo famoso que nada do que é humano nos é
estranho. A tragédia no litoral de São Paulo exibe o pior e o melhor do humano,
de forma escandalosa. Ela exibe a irresponsabilidade governamental, incapaz de
resolver problemas de construção de forma irregular – uma tragédia anunciada –
e a ocupação do solo.
Nos últimos 13 anos, o Governo Federal deixou de investir em
torno de R$ 17,2 bilhões na prevenção de desastres e o Governo Estado de São
Paulo, algo em torno de R$ 12 bilhões.
Ao mesmo tempo, vimos gente saqueando doações; comerciante
vendendo um litro de água a R$ 93 reais; desinformação, ameaças e tudo de pior
que o humano pode fazer, diante de situações como essa. A miséria humana não
encontra limites na miséria humana.
Por outro lado, encontramos gente fazendo doações,
mobilizações e trabalho voluntário, para salvar vidas e amparar vítimas. É
sempre bom vermos essas pessoas, e não aquelas outras, para não perdermos a fé
no que somos.
Humanos, demasiadamente humanos!
A Bahia faz a maior festa de rua do planeta- sem comparações. É uma força musical produtiva incomparável e um clima de alegria que traz a felicidade em suor e cerveja. O arrastão da quarta-feira é um tributo a saudade e às memórias construídas durante a festa. Mas nem todos acabam o carnaval no último dia. Uma advogada de 29 anos teve sua festa e vida encerradas, segunda -feira, após sair de um Camarote e ser baleada em seu carro ao atravessar um bairro que é zona de disputa de duas facções. A fragilidade da vida se mostrou em toda sua dimensão em que a barbárie e o prazer quase estão de mãos dadas.
A situação é um retrato da violência que tomou conta da Bahia em especial na última década fazendo o estado ser sempre um dos mais violentos segundo o Mapa da Violência e emplacar algumas das cidades mais violentas do mundo em ranking recente. Grupos enfrentando a Polícia a bala, escolas sendo fechadas, insegurança incorporada ao dia a dia, é o retrato do que está sendo legado. O governo ao longo desses anos tem sido incapaz, absolutamente incapaz, de reverter esses dados, não para zerar as estatísticas, mas para oferecer sinais de controle e queda das ações criminosas. O estado foi ocupado e dominado por quadrilhas poderosas, mas até o momento não temos uma resposta na dimensão que o problema exige.
Assim, a fronteira entre a alegria e a dor permanecerão próximas como uma ameaça a todos e nem sempre esperando o fim do carnaval para romper os limites.