A Presidente da Câmara Municipal de Feira de Santana,
Eremita Mota, criticou o fato de ter servidor do Legislativo ganhando R$ 50 mil, sugerindo que ia buscar austeridade no seu mandato. No entanto, imediatamente a
seguir, anunciou dispensa de duas licitações, totalizando o valor de R$ 441 mil, para a contratação de uma empresa advocatícia.
Não se sabe, exatamente, que tipo
de serviço essa empresa poderia prestar à Casa da Cidadania, que já que a mesma tem seis funcionários da
área jurídica. Também não se tem notícia de que haja pareceres pendentes ou atrasos
nos serviços da Câmara, a fim de merecer a urgência de uma dispensa de licitação e
em valor tão significativo.
O assunto está muito mal
explicado e pouco transparente para o eleitor e pagador de impostos, que merece saber
como seu dinheiro está sendo empregado. É preciso ter certeza de que é uma necessidade
administrativa real, e não ação entre amigos, o que pode ser solucionado após a
Presidente demonstrar, de forma objetiva, o que será executado.
O cidadão feirense assiste, indignado
e assustado, ao implacável crescimento da violência em Feira de Santana. Progressivamente, vimos o número de mortos por mês sair de um a cada dois dias, depois um por dia, e, agora, na última explosão de crimes,
esse número ser superado com folga.
Evidente, portanto, que o Governo
do Estado precisa ser cobrado sobre as ações tomadas para coibir a escalada
criminosa que fechou escolas, aterrorizou moradores e manteve Feira no ranking
das cidades mais violentas do Brasil, como mostra o Mapa da Violência de 2022.
A questão da violência não é só
policial. Ela passa pelas desigualdades econômicas, desemprego, falta dos
direitos básicos, educação, cultura, Justiça eficiente. A Bahia, como sabemos,
é o pior estado do Brasil em educação e o mais dependente do Bolsa Família, o
que retrata sua extrema condição de vulnerabilidade social
Outro aspecto é a impunidade. Onde
Mora a Impunidade, uma pesquisa do Instituto Sou da Paz, de 2022, mostra que é
muito baixa a taxa de esclarecimentos sobre crimes contra a vida no país.
"Calculamos que o Brasil esclarece 37% dos homicídios". Os piores
resultados foram Rio (16%) e Amapá (19%), seguidos de Bahia, Pará e Piauí, cada
um tendo esclarecido 24% dos homicídios. A média mundial é 63%. Evidente que
isso torna a Justiça ineficiente e traz a sensação de impunidade que é a mãe de
todas as violências.
A Secretaria de Segurança do Estado, em resposta a um questionamento feito em novembro de 2021, respondeu que
a PM tem 13 unidades e a Civil, dez estruturas em funcionamento. E disse que
Feira tem 2.146 policiais, o que nos dá a média de 1 policial para 288 habitantes
( 2146/620.000). A ONU recomenda 1 para cada 250 habitantes.
Em resposta à onda de violência, a Polícia fez uma série de ações, o que é muito positivo, mas que, do ponto de vista de mudança, é pouco significativo, porque pontual. É preciso, sempre, analisar Feira em sua situação geográfica de entroncamento, o que gera um trânsito de drogas, mercadorias roubadas, entre outras ações criminosas.
Feira
é um portal para o crime e isso exige tratamento diferenciado, com múltiplas e
continuadas intervenções, inclusive sociais, adequação policial, ampliação da
delegacia da Polícia Federal, para que o cidadão consiga retomar sua cidade e
não viver sitiado, como está!
Em visitas a essa cidade o governador Jerônimo tem sinalizado a reforma do Amélio Amorim, conclusão do Centro de Convenções, auditório da UEFS, e da reforma do HGCA, como obras para nossa cidade. Na última visita citou a possibilidade, muito embrionária, de um trem ligando Salvador-Feira- Chapada Diamantina.
Evidente que toda obra feita na cidade é um ganho para nós, mas as obras propostas não são correspondentes ao porte de Feira de Santana e sua importância estratégica em servir de anteparo a Salvador. Afinal, como diz Tom Zé, tudo passa por Feira.
A ferrovia tem impacto transformador, mas as demais se não estiverem dentro de um projeto maior são de pequenas repercussões, ainda que úteis.
Feira precisa ser pensada pelo poder público municipal e estadual dentro de uma outra dimensão de infraestrutura e serviços, para que o fluxo para Salvador que sobrecarrega a capital seja resolvido aqui.
Por diversas vezes escrevi que a Lagoa Grande foi a maior obra de intervenção urbana em nossa cidade e dei os parabéns ao deputado Zé Neto por seu esforço. A obra mantém espaço aberto para circulação do ar, evita a impermeabilização do solo, ameniza a dureza da cidade, e tem um importante potencial de lazer e turismo. Desde então, liberações de verbas que não resolvem, picuinhas entre a PMFS e o Estado, tem mantido a Lagoa no limbo, com seus esgotos que impedem que ela se torne um equipamento útil. Isso tem evitado que aquela região se torne uma área de investimento imboliário e impedido a criação de um shopping a céu aberto- com regulamento de tipo de comércio e perfil de construções- que atrairia o morador feirense e todos que circulam pela BR em suas margens.
O manancial de desculpas pueris e justificativas sem consistência já extrapolou todos os limites. Agora, o governador Jeronimo tem falado sobre investimentos do Estado em Feira, mas nada que garanta a drenagem e a conclusão da mais interminável - só perde para o Centro de Convenções- das obras fundamentais de Feira de Santana.
É hora da sociedade feirense cobrar ao governador uma solução.