A obesidade infantil apresenta prevalência crescente em todo o mundo, consolidando-se como um dos mais graves desafios contemporâneos à saúde pública. O fenômeno não é apenas uma questão estética ou individual, mas uma doença familiar e sistêmica: crianças com pais obesos têm maior probabilidade de desenvolver obesidade e, consequentemente, riscos cardiovasculares. Em Feira de Santana, o cenário reflete essa crise global. Estudos conduzidos pela endocrinologista e pesquisadora Dra. Ana Mayra, referência nacional no tema, revelam um aumento contínuo do problema tanto em escolas públicas quanto privadas, evidenciando que nenhuma camada social está imune. Em 2001, ao avaliar 599 crianças, a pesquisadora encontrou excesso de peso em 13,7% delas; em 2011, o índice subiu para 20,5% e, em 2019, o excesso de peso já atingia 28,6% dos escolares, representando um crescimento superior a 100% em 18 anos de acompanhamento.
O impacto da obesidade ultrapassa as dificuldades sociais.
Além das complicações cardíacas, renais e cerebrais severas, evidências
científicas recentes trazem um alerta impactante: a interferência direta no
desenvolvimento cognitivo. Um seminário promovido pela Academia de Educação
demonstrou que a obesidade altera a conformação cerebral e reduz a curva de
aprendizado, dificultando a absorção de conhecimento na fase mais crítica da
formação humana. Para além das barreiras pedagógicas e do impacto psicossocial
do bullying, a criança obesa vive sob um estado inflamatório constante.
Pesquisas internacionais publicadas pelo Dr. César Oliveira confirmam que o
número de componentes da síndrome metabólica na infância está diretamente
ligado ao risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doença renal
crônica.
Estamos diante de uma condição de elevado risco que ainda
não conta com a devida conscientização da sociedade. Por determinar a saúde do
adulto, a obesidade infantil torna-se um gargalo insustentável para os sistemas
previdenciário e de saúde, cujos custos operacionais serão incapazes de
suportar a demanda futura se medidas preventivas não forem adotadas
precocemente. Para reverter essa trajetória, o poder público deve agir de forma
integrada. As Secretarias de Saúde e Educação não podem permanecer indiferentes
ou sem uma ação conjunta. A Comissão de Saúde da Câmara poderia convidar a
pesquisadora para expor o tema e permitir que os vereadores tomem consciência
dos riscos e desafios desse enfrentamento. Da mesma forma, o Conselho Municipal
de Saúde precisa incluir este tema em suas pautas prioritárias. A ciência já
forneceu os dados e os alertas; cabe agora à gestão pública e à sociedade civil
a coragem de intervir antes que o custo humano e social se torne irreversível.
A luta pela criação do Parque da Lagoa Salgada em Feira de Santana transformou-se em um inventário de frustrações e omissões. Enquanto a especulação imobiliária avança sobre as margens do manancial, o Código Florestal Brasileiro (Lei 12.651/2012) — que impõe faixas de proteção entre 30 e 500 metros — é sistematicamente ignorado. A tática de degradação é clara: o soterramento silencioso de nascentes, algumas delas reabertas pelo ex-secretário de Meio Ambiente, Sergio Carneiro, com quem conversamos. O crime ambiental ocorre sem o devido enfrentamento das diversas autoridades ambientais e sugere que a paralisia pública não é por falta de recursos, mas pela dificuldade política em confrontar supostos proprietários de uma Área de Preservação Permanente (APP). A cronologia do retardo é extensa e marcada por visitas midiáticas que nunca se converteram em canteiros de obras.
Em 2016, o então deputado
estadual e líder do governo Zé Neto, o
secretário de Meio Ambiente, Eugênio Spengler,
vereador Beldes Ramos (PT), o
coordenador do INEMA, Messias Gonzaga, reuniram-se para tratar sobre a
revitalização da Lagoa Salgada. Um conjunto de pessoas- do qual fiz parte, junto
com Frei Monteiro- estiveram visitando a lagoa.
Em 2017, o prefeito José Ronaldo
apresentou uma proposta ambiciosa, ocupando 100.000 metros, assinada pelo arquiteto Claudio Rôsevel, afirmando
que o parque “seria interligado por pequenas ilhas cobertas de arbustos,
intercaladas e ornamentadas por três chafarizes emergindo das águas”. O
feirense não ficou a ver chafarizes, apenas navios.
Em 2020, o ciclo de promessas foi
renovado pelo prefeito Colbert Martins, que anunciou um investimento de R$ 3
milhões para cercamento de uma área de 3km,
drenagem e lazer, plantio de
árvores da mata ciliar. A intervenção pública do governo ia “ possibilitar uma
nova opção de lazer onde existe a melhor visão de pôr do sol da cidade”. A intervenção
nas margens da lagoa começou a ser
realizada, mas os tratores deram duas voltas sobre si mesmo e foram embora, por
razões nunca explicadas.
Em 2024, o Parque da Lagoa
Salgada voltou à campanha do atual prefeito ( https://www.instagram.com/reel/C_30r2gSTfQ/
), mas ainda sem concretização após a posse.
Em 2026, na Câmara, o prefeito anunciou que havia
algumas dificuldades ( não reveladas), mas a obra estava prestes a ser
anunciada. Nós conversamos com o Secretário Carlos Brito, do Planejamento, que confirmou
faltar apenas um acordo, mas que sairia em breve.
Não é difícil imaginar o que tem
retardado essa obra essencial da cidade. Imagina-se que proprietários- e a saliva das construtoras- criem
dificuldades, mas o poder público tem o dever imperativo de proteger o cidadão
e o Ministério Público, por dever constitucional, apoiar o que for necessário.
O parque é de profundo interesse
público- drenagem de águas, resfriamento da temperatura, lazer, esporte, saúde-
e não pode mais ser empurrado para
diante. Não é aceitável que forças externas
retardem por mais de 10 anos a realização dessa obra, recordista de promessas.
O feirense merece ter direito a, enfim, contemplar “ a melhor visão de pôr do
sol da cidade”.
A moralidade é um campo de eternas controvérsias.
Frequentemente, sua discussão desperta reações defensivas que a rotulam como
mero conservadorismo ou tentativa de doutrinação. No entanto, em termos
filosóficos, a moral é o alicerce prático da civilização: o conjunto de regras
e valores que orientam o que é certo ou errado em uma sociedade. Enquanto a
ética se debruça sobre a teoria, a moral é a execução cultural que viabiliza a
convivência humana.
A tradição filosófica oferece três pilares fundamentais para
essa conduta: a Ética da Virtude de Aristóteles, focada no caráter e desenvolvimento
de virtudes ; a Deontologia de Kant, baseada no dever e no imperativo
categórico; e o Utilitarismo de Bentham e Mill, que mede a moralidade pelo
benefício coletivo de uma ação.
Todavia, o Brasil ignora esses preceitos ao mergulhar em uma
crise moral sem precedentes. Os escândalos recentes revelam um corpo político
desprovido de limites, onde impulsos predatórios dominam a esfera pública. O
Judiciário, outrora guardião da norma, encontra-se devastado por graves
suspeitas contra ministros de Tribunais Superiores e sua consequente
capilaridade para o sistema inferior. A desmoralização sistêmica é agravada por
um escudo de impunidade que protege o enriquecimento ilícito e o desprezo pelo
pudor público.
Essa corrupção sistêmica , sem regras, pudores, ou limites,
perpassa a administração pública e como uma erva daninha contamina a sociedade,
asfixia o tecido social e instaura um
clima de desconfiança absoluta nas relações comerciais e, inclusive, afetivas. Vivemos em um estado de vigilância e
estresse permanente o que é profundamente danoso à saúde física e mental. No
poder público, o altruísmo foi substituído pela pirataria desenfreada; o cargo
deixou de ser um fim para o bem comum e tornou-se um meio de pilhagem ampliando
a miséria nacional.
Diante da erosão dos costumes — cuja recuperação levará
gerações —, resta-nos o rigor da norma. Se falta densidade moral ao indivíduo,
que a lei contenha a imoralidade. É imperativo adotar uma agenda institucional
drástica que inclua:
Reforma Política: Voto distrital, fim da reeleição, redução de mandato e
extinção do suplente de senador.
Controle do Judiciário: Mandatos limitados para ministros do
STF, fim da aposentadoria compulsória como "punição", restrição de
decisões monocráticas, prisão em segunda instância, controle de “penduricalhos”.
Transparência e Rigor: Fim do orçamento secreto, fim da indecência
das nomeações e profissionalização
técnica dos Tribunais de Contas, endurecimento da Lei da Ficha Limpa, sem
flexibilizações.
Execução Penal: Redução da progressão de regime para
combater a sensação de impunidade.
Entre muitas outras medidas, um arcabouço legal inflexível poderá ser um instrumento para
refazer uma sociedade que perdeu o norte
da própria integridade, mas que não pode entregar-se pois nós podemos mais: nós
temos o dever da esperança para criarmos um movimento coletivo de renovação
moral.
“Esse ministro Alexandre, ele não ficaria mal na cadeia”
(Pedro Simon, ex-senador, sobre os escândalos assombrosos do STF).
“Uma onça não ‘desonça’, uma zebra não ‘dezebra’, como o ser humano se desumaniza?” — Cármen Lúcia, ministra do Supremo (STF-MG).
Parece que é hora de "descarmenizar" o STF.