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Educação

Vitoriosos, professores encerram greve

Glauco Wanderley - 01 de Março de 2016 | 17h 47

Conseguiram tudo que foi pedido pelo movimento

Vitoriosos, professores encerram greve
Momento em que os professores votam encerrando a greve (foto Paulo José/Acorda Cidade)

Por ampla maioria, os professores decidiram na tarde de hoje encerrar a greve que havia impedido o início do ano letivo no último dia 11 de fevereiro. Ao todo, foram perdidos 14 dias letivos contando com esta terça-feira. Houve apenas um voto pela manutenção da greve e 14 abstenções, na assembleia realizada no auditório da Gelateria Italiana.

Sob o comando da APLB, a greve conseguiu tudo que pretendia. A princípio o governo pareceu não acreditar nela, pois os professores fizeram algumas assembleias e avisaram que se não houvesse a concessão da reserva de carga horária o ano não seria iniciado. Levando o mesmo recado, os líderes do movimento impediram a palestra de abertura da Jornada Pedagógica, no dia 01 de fevereiro.

Apesar de todos os avisos, iniciada a greve o governo ainda não tinha uma proposta para apresentar. Ela começou na quinta após a quarta-feira de cinzas e somente na sexta-feira da semana seguinte (19), ocorreu a primeira reunião de negociação. A proposta da prefeitura foi sob medida para ser rejeitada, pois concedia a reserva de carga horária para apenas 88 professores prestes a se aposentar. Desde o começo o sindicato pedia que não houvesse distinção e o benefício fosse igual para todos. O governo falava ainda em retirar gratificação de 15% concedida aos que não possuem a reserva de carga horária. Este último ponto foi considerado fora de cogitação pelos representantes da categoria presentes à reunião.

Na semana seguinte, no encontro do dia 23, houve progresso na negociação. A prefeitura desistiu de cortar os 15% e apresentou um modelo em que a reserva (para quem leciona 20 horas por semana) começa com duas horas fora da sala de aula de imediato, passa para quatro em 2017 e  no segundo semestre do próximo ano completa as sete horas exigidas para completar um terço da carga horária (os valores são dobrados para o regime de 40 horas). E isso valendo para todos os professores que atuam em sala de aula.

Os docentes concordaram mas exigiram garantias, decidindo que a promessa não bastava e só voltariam da greve se a proposta virasse lei aprovada na Câmara. O líder do governo, vereador José Carneiro, esperneou num dia e cedeu no outro.

Entretanto, novo impasse surgiu. Na virada do mês, ao consultar o contracheque, a categoria descobriu que não houve reajuste, embora a data-base definida em lei no ano passado tenha mudado de maio para janeiro. Novamente o governo tentou dizer que não valia mudar a reivindicação no meio da greve, que já estava atendendo o sindicato no envio do projeto à Câmara, e que a direção da APLB havia esquecido de negociar o aumento. Não adiantou, porque a decisão do movimento foi que assim as aulas não voltariam.

O impasse levou a uma reunião com cerca de quatro horas de duração no último dia de fevereiro, a primeira com a presença do prefeito José Ronaldo. Nela o governo apresentou a proposta de aumento de 11,36% aprovada hoje pela assembleia.

Entre a semana passada e hoje, a mobilização dos profissionais da educação simultaneamente pressionou a Câmara, que aprovou a toque de caixa o projeto sobre a carga horária enviado pelo Executivo. Foram feitas quatro sessões consecutivas para que texto original e a “emenda APLB” que adequou a proposta ao anseio dos grevistas, pudessem virar lei de imediato. Agora só falta a publicação no Diário Oficial do município, com a assinatura do prefeito José Ronaldo.



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