O suicídio ainda é um assunto considerado tabu por muitos e, por isso, pouco discutido. Entretanto, o número de pessoas que tiram a própria vida tem avançado muito — e silenciosamente. No mundo, a morte por suicídio já é mais frequente que por HIV entre os jovens.
No Brasil, o número de pessoas que se suicidaram perde apenas para homicídios e acidentes de trânsito entre as mortes por fatores externos (o que exclui doenças).
As festas de final de ano, Natal e, especificamente, a virada do ano, são momentos que podem aumentar os casos de suicídios.
Em entrevista ao Programa da Manhã, Rádio Sociedade de Feira de Santana, nesta terça-feira (27), o psicólogo Kleber Fialho afirmou que é natural um sentimento de nostalgia e tristeza nessas datas, mas que há limites.
“Há um aumento significativo de tristeza e sensação de desânimo, como na lembrança de entes queridos que morreram. Isso gera sensação de solidão e desamparo nas pessoas, elas não se sentem a vontade nessas festividades”.
Redes Sociais – O psicólogo acredita que as redes sociais potencializam esse sentimento de tristeza, quando há um comparativo com a vida do outro.
“As pessoas veem fotos de colegas em praias, em situações de lazer e, quando não estão na mesma situação, se sentem tristes. Essa tristeza pode ser natural, mas se ela persistir é preciso que se faça uma reflexão sobre o que está causando aquele problema”.
A prática de esportes, atividades ao ar livre e o maior tempo com a família e amigos são pontuados pelo psicólogo como formas de evitar depressão e o suicídio.
No mundo todo, o suicídio é predominante no sexo masculino, com exceção da Índia e China. No Brasil, não é diferente. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) concluiu que os homens têm 3,7 vezes mais chances de se matar que as mulheres.
De acordo com o Mapa da Violência de 2014 (mais recente), tem sido registrado um aumento no número de suicídios em todas as faixas etárias: crianças, jovens, adultos e idosos.
Segundo um relatório publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em setembro, “as tentativas de suicídio de adolescentes estão muitas vezes associadas a experiências de vida humilhantes, tais como fracasso na escola ou no trabalho ou conflitos interpessoais com um parceiro romântico”.
Já no caso dos idosos, Bertolote acredita que o aumento da taxa de suicídio esteja relacionado ao “acúmulo de problemas de saúde, em sua maioria doenças crônicas e incuráveis, muitas vezes dolorosas ou de tratamento penoso, associado a um isolamento social progressivo, causados pela viuvez, separações, distanciamento de filhos e netos, por exemplo”.
Causas - Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maior parte dos suicídios é cometido por pessoas com depressão, independente de sexo, faixa etária ou qualquer outra característica. Uma cartilha publicada pela organização esse mês aponta 15 causas frequentes que influenciam na retirada da própria vida, como o uso de álcool e drogas, perda ou luto e outros transtornos mentais, como a esquizofrenia, transtorno de personalidade, stress pós-traumático e outras doenças psiquiátricas.