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César Oliveira- Crônicas

Macho nunca mais

César Oliveira - 29 de abril de 2019 | 19h 15
Macho nunca mais

Já não há mais certezas sexuais. E já foi mais fácil ser homem. Não havia tantos sexos disponíveis para opção e bastava ter uma caverna sem IPTU progressivo e um bom porrete para tomar a mulher de seus desejos guturais, arrastando-a pelos cabelos. Aliás, deve ter sido apenas para dificultar nossas conquistas que inventaram o salão de beleza e o alisamento de chapinha. Mas, enquanto ela recuperava-se na caverna vip, o homem podia sair tranqüilamente para caçar um javali selvagem ou um Tiranossauro Rex, tarefa bem mais fácil do que enfrentar a tpm, a discussão sobre a relação e o orgasmo múltiplo.

Se as mulheres evoluíram e passaram a tentar Adão com ofertas bem mais apetitosas do que a maçã também a neurociência avançou furiosamente na explicação do amor, terreno antes restrito aos filósofos e poetas. Não bastasse a descoberta de que a paixão é uma espécie de coquetel de hormônios, que envolve substâncias tão diversas quanto a testosterona, dopamina, fenilalanina (molécula do amor), estrógeno, feromônios, que reunidas numa espécie de “capeta” sexual produzem mais efeitos no sujeito do que o strip-tease de uma dúzia de bailarinas de dança do ventre, cientistas da Universidade de Pisa, na Itália, acabam de fazer uma descoberta de botar as barbas masculinas de molho.

Os pesquisadores descobriram que os homens quando se apaixonam diminuem sensivelmente a quantidade do hormônio masculino, a testosterona, enquanto as mulheres aumentam as taxas do mesmo. Ou seja, para conquistar a mulher de seus sonhos você fica menos masculino e a mulher para possuir de vez o homem desejado fica menos feminina. Eles se tornam mais dóceis, pacientes, capazes dos maiores ridículos, enquanto elas se tornam mais viris, agressivas e determinadas. É como se a mãe natureza para garantir o sucesso da procriação da espécie precisasse diminuir as diferenças entre os homens e mulheres.

Certo que em nome da ciência você não vai sair por aí vestindo plumas e paetês, mas como sou darwinista de carteirinha, sou obrigado a acreditar na notícia. Reduzindo a testosterona é mais provável que o homem queira permanecer só naquela caverna original enquanto ela se fará mais esfomeada de desejos.

Os cientistas mostraram também que existe uma redução do senso crítico do casal e isto explica porque a sabedoria popular já dizia que o amor era cego. A má noticia é que, com o tempo, as taxas hormonais voltam ao normal e a mulher começa a reparar nos seus defeitos, na sua barriga de aluguel e fica pensando como é que ela se casou com você, o que coloca sua cabeça a prêmio. Parece que também aumenta o cortisol, o hormônio do estresse, como se já não bastasse a sogra, a camisinha furada e o preço do motel.

Dá até medo pensar no que estes cientistas ainda vão fazer com o romantismo, mas, de qualquer modo, não tema. Se você estiver no teatro de operações com aquela respeitada e belíssima senhora, nua, a lhe entregar virtudes e vontades e de repente começar a falar fino não se assuste: é apenas paixão. Das grandes...



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