"Eu quero reafirmar a minha candidatura ao senado da República. São duas vagas, eu sou um dos candidatos e o nosso candidato a governador chama-se Jerônimo Rodrigues”. A declaração, atribuída ao ministro-chefe da Casa Civil, o ex-governador Rui Costa, publicada este fim de semana pelo "Blog Marcos Frahm", merece uma breve análise. A entrevista foi concedida na cidade de Maracás, onde foi finalizada a primeira etapa do Sistema Integrado de Abastecimento de Água (SIAA).
O ministro reafirma sua candidatura e garante que uma das duas vagas para disputar o Senado, na chapa governista, será dele. Evidentemente, Rui tem direito e, mais que isto, força política e experiência, para ser um postulante ao cargo de senador pela Bahia. A sua vontade de participar da disputa é absolutamente legítima. Um nome fortíssimo, que figura entre os favoritos para esta peleja eleitoral de outubro próximo.
Há, porém, algo que o ex-governador precisa modificar em seu discurso, nas próximas ocasiões em que esteja falando à imprensa. Deve ser alertado, pela assessoria, que um pré-candidato, como ele é, não tem que dizer, categoricamente, a oito meses da eleição, muito antes da convenção partidária, que "são duas vagas, eu sou um dos candidatos". Nem assegurar, de forma insofismável, que "o nosso candidato a governador chama-se Jerônimo Rodrigues".
Não é, ou não deveria ser, o trio formado por Rui, Wagner e Jerônimo, que decide sozinho quem são os candidatos do grupo. Muito menos um deles apenas. Sabe-se que, nos bastidores, eles, de fato, decidem. Mas demonstrar publicamente o seu poder de fogo soa um tanto arrogante e não faz bem à imagem. Trata-se, e assim Rui deve chamar, de pré-candidaturas, que ainda carecem ser discutidas pelo arco de alianças, definidas junto a todos os atores envolvidos e aprovadas em convenção.
De toda forma, a declaração do poderoso ministro de Lula não deixa dúvida quanto à sua disposição de, efetivamente, arrebatar uma das vagas ao Senado e garantir a continuidade de Jerônimo no Palácio de Ondina. Se alguém alimentava a esperança de convencer Rui a disputar uma vaga na Câmara Federal ou especulava que ele poderia ser o sucessor do governador, abrindo brecha para a reeleição do senador Ângelo Coronel, pode tirar o cavalo da chuva.