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Educação

Novo reitor prevê segundo semestre crítico na Uefs

10 de junho de 2015 | 10h 30

Evandro do Nascimento tomou posse da reitoria no último dia 15

Novo reitor prevê segundo semestre crítico na Uefs
Evandro foi candidato único, com apoio do grupo que comandou a universidade nos dois mandatos do antecessor José Carlos

Quando Evandro do Nascimento Silva tomou posse na reitoria da Uefs, no último dia 15, a instituição já vivia a greve dos professores que perdura até hoje. Era o prenúncio de um ano difícil, que faz com o que o substituto de José Carlos Barreto de Santana, nesta entrevista à repórter Juliana Vital, comece sua administração pedindo compreensão e confiança ao grande número de funcionários, professores e alunos que lidera.

Leia também: Situação orçamentária da Uefs é exposta em Aula Pública

 

Como é assumir a reitoria já com uma greve de professores em andamento?

Nós formamos a nossa equipe em cada pro reitoria e assessoria ou unidade de apoio. Os novos gestores estão se apropriando das informações, dos dados, das ações que necessitam de recursos orçamentários. A questão de pessoal  também está difícil na universidade. Nós estamos sem a liberação de concurso público e temos servidores se aposentando e também servidores que passaram em outros concursos e pedem exoneração. Como o governo não libera o concurso para os cargos de técnico administrativo, estamos iniciando a gestão com defasagem de pessoal nas diferentes unidades administrativas. Hoje teríamos a necessidade somente para reposição de aposentados e exonerados, de algo em torno de 60 servidores.

Em relação ao orçamento, desde a campanha vínhamos sinalizando que este ano teríamos uma dificuldade orçamentária, em função de que temos uma dívida de 7 milhões de reais em despesas de exercício anterior, que estão sendo pagas com recursos do orçamento deste ano. Isto implica que nós temos uma previsão de chegar ao fim do ano com algum déficit nas contas e na capacidade de honrar despesas de manutenção, contratos, serviços, terceirizados, etc.

Nós temos continuado uma negociação que o reitor anterior, o professor José Carlos, fez com o estado para ter algum aporte de recursos. Há uma possibilidade de que tenhamos um aporte de R$ 4,3 milhões para suprir essas despesas de exercícios anteriores. Isso daria um alívio para as contas da universidade mas não seria o suficiente.

 

Com relação à greve dos professores, a bandeira principal é o repasse de verbas para a universidade. A reitoria tem participado deste diálogo?

A greve dos professores foi motivada em grande parte pela questão orçamentária. A negociação se dá com quem a iniciou. O governo e os professores estabeleceram rodadas de negociação. Mas uma questão diferente de outras greves é que em momentos anteriores o Fórum de Reitores participou como  observador das negociações e este ano o Fórum de Reitores não está participando. Não que nós não quiséssemos, mas porque foi uma opção do governo do estado fazer a negociação somente com os docentes. Os reitores insistiram por mais de duas semanas para participar. Estamos acompanhando o processo e esperamos que o diálogo continue e que possa trazer um entendimento entre o governo e a categoria dos professores. Os estudantes também estão mobilizados de alguma forma.

 

A reitoria apóia o movimento?

Neste momento nós acompanhamos e claro que temos interesses comuns ao movimento, mas são coisas diferentes. O movimento fala pelo movimento e a reitoria fala pela reitoria.

 

O gasto com pessoal da Uefs chega a 88%?

Quando colocamos como gasto pessoal, tanto os servidores efetivos como as despesas com terceirizados, chegamos sim a este valor.

 

Os recursos para custeio e manutenção tem diminuído nos últimos anos. A Uefs pouco tem investido em expansão e até mesmo manutenção de sua própria estrutura. Como é enfrentar esta realidade?

Comparando o orçamento de 2015 para 2014 nós temos  1 milhão e 800 mil reais a menos para esta natureza de despesas. O orçamento tem aumentado para o pessoal, mas é claro que tem que aumentar é natural, é do crescimento da universidade. As pessoas têm carreiras, tem promoções, tem progressões, e também tem os reajustes anuais, então é natural que a folha de pagamento cresça em termos de uma parcela significativa do orçamento. Mas no que interessa para a universidade funcionar, não só nas questões de infraestrutura, de serviço inclusive nas atividades fim, ensino pesquisa e extensão, nós temos este ano 1 milhão e 800 mil reais a menos do que o ano passado.

 

Como a Uefs vai conseguir garantir o funcionamento com este orçamento reduzido?

Nós vamos procurar assegurar tudo que for essencial para o bom funcionamento do ensino da pesquisa e da extensão, mas o essencial nem sempre é o necessário para uma condição ideal. Então é evidente que esta situação traz sim algumas perdas e alguns prejuízos à qualidade destas atividades. Vamos tentar pela gestão otimizar recursos e garantir o que seja  essencial,  e priorizar as despesas que permitam manter as condições para o funcionamento, com a assistência e permanência estudantil. Se não tivermos isso nós teremos uma evasão, os alunos não se mantêm na universidade. A razão de existir da universidade são os alunos na sala de aula e nas demais atividades. Nós precisaremos fazer de tudo para manter o aluno participando da vida universitária. Por isso vai ser prioridade também preservar os investimentos, os recursos em assistência e permanência estudantil.

 

Vocês planejam alguma forma de buscar recurso extra, alguma emenda parlamentar, ou até alguma parceria no setor privado?

Para a assistência estudantil já existe uma negociação com o governo do estado através da Secretaria de Relações Institucionais, para que o estado aloque uma verba específica para a permanência e assistência estudantil, que não seja do orçamento atual da universidade. Então seria uma verba adicional. Se nós realmente concretizarmos este aporte  para as quatro universidades nós vamos melhorar muito as políticas de assistência e permanência estudantil. É possível que ocorra algum aporte de recursos ainda este ano, porque este recurso viria do fundo de combate à pobreza.

Com relação a emendas parlamentares, a universidade já tentou obter recursos por emendas no passado, mas desde 2009 o governo federal sempre fez cortes no orçamento incluindo as emendas parlamentares. Já investimos muito nisso e tivemos duas ou três emendas que vingaram. As demais exigiram muito esforço e acabou tendo o corte do governo federal. Neste momento o Congresso aprovou emendas impositivas e nós queremos discutir com deputados da bancada federal da Bahia e com senadores, a possibilidade de retornarmos à busca por emendas parlamentares.

 

O senhor já consegue enxergar o reflexo desta crise na qualidade da universidade?

Na atividade de pesquisa, por exemplo, e nós temos muitas pesquisas de campo, o professores precisam fazer viagens para coletar dados. Tem uma necessidade de termos uma frota de veículos oficiais, e com o recurso para investimento e custeio diminuindo a cada ano, nós teremos dificuldades, por exemplo, em renovar a frota de veículos. Faltando veículos, teremos problemas com a realização destas viagens.

 

Vocês já estão vivendo no limite ou ainda estão planejando realizar ações de redução de despesas?

Nós prevemos uma situação crítica para o segundo semestre em relação ao funcionamento da universidade com os recursos que nós temos. Porém nós queremos abrir uma discussão muito franca com toda a comunidade universitária, já que pautamos nosso programa por uma gestão democrática, transparente e participativa.

Então esta situação dos dados do orçamento será completamente aberta e discutida com a comunidade ainda agora no mês de junho. Nós estamos programando uma reunião do orçamento participativo para o dia 9 de junho. Vamos convidar toda a comunidade, os três segmentos para se envolverem nesta discussão, e conhecerem esta situação orçamentária, e aí de forma democrática e com bastante diálogo, nós vamos debater as medidas que vamos adotar para enfrentar esta situação. Nós queremos dividir a responsabilidade desta tomada de decisão com quem faz a vida universitária. Não só a gestão deve tomar esta decisão. Ela deve tomar porque é sua responsabilidade, mas deve partilhar esta responsabilidade de forma transparente e participativa com a comunidade.

 

O senhor teme que as consequências desta situação venham a prejudicar o seu mandato?

Queremos que a comunidade universitária procure conhecer a situação, se informar e que entendam que nós estamos vivendo um momento que vai trazer dificuldades no horizonte de curto prazo, mas confiem na reitoria para conduzir este processo junto com a comunidade, de forma que possamos manter o mínimo de normalidade no funcionamento da universidade.

No plano mais político o que nós queremos colocar primeiro, neste momento da greve, é a necessidade de valorizar o diálogo. Queremos dialogar com o governo do estado para buscar mais recursos e queremos também que haja o diálogo do governo com o movimento docente.

Neste momento também é importante que o governo sinalize nestas discussões qual é o seu projeto para as universidades estaduais da Bahia. A gente só tem relatos da crise e de dificuldades de financiamento. É um quadro grave e é preciso reconhecer que existe dificuldade na economia. Mas não podemos viver com as universidades tendo que esperar cada momento para saber como vão funcionar, é preciso que o governo sente com os reitores e com os segmentos das universidades para que possamos discutir que projeto o governo do estado quer construir para o futuro, garantir sustentabilidade no financiamento e no funcionamento das universidades.

 

O senhor acredita que exista a intenção de federalizar as estaduais?

Não posso falar porque isso não está escrito em nenhum documento do governo.

 

O tratamento dado às estaduais, com esta diminuição dos repasses e a falta de investimento não indicaria isso?

A ampliação das universidades federais não é uma coisa ruim, até porque a Bahia é muito grande e tem um interior muito grande, que necessita disso. Por exemplo, a UFRB está instalando um campus aqui em Feira e foi um processo em que as reitorias sentaram e dialogaram, onde se pactuou que não houvesse sobreposições e competição de cursos. Temos uma relação muito boa com a UFRB. A expansão não é algo negativo, mas não quer dizer que não seja preciso fortalecer as estaduais. Por isso eu repito que o governo precisa colocar claramente qual o projeto para as universidades estaduais e a sua sustentabilidade.



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