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Saúde

Casos de sarampo aumentaram 34 vezes em 2025, alerta Opas

12 de Setembro de 2025 | 18h 15
Casos de sarampo aumentaram 34 vezes em 2025, alerta Opas
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil (Arquivo)

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um alerta, no mês de agosto, após constatar aumento de 34 vezes no número de casos de sarampo em relação a 2024. Dez países das Américas registraram ocorrências da doença, somando mais de 10 mil confirmações e 18 mortes.

Os óbitos se concentram no México (14), Estados Unidos (3) e Canadá (1). No Brasil, os registros mais recentes apontam 24 casos até o final de agosto, sendo 19 deles no Tocantins. Embora o país esteja entre aqueles com menor número de casos na região, permanece em estado de alerta, em função do alto poder de transmissibilidade do vírus.

Para a chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marilda Siqueira, é urgente elevar as coberturas vacinais. “O sarampo é altamente transmissível. Precisamos atingir, no mínimo, 95% de cobertura vacinal, para criarmos uma proteção coletiva, reduzindo a quantidade de pessoas suscetíveis ao vírus”, advertiu.

Altamente contagioso, o sarampo se espalha pelo ar, por meio de secreções de indivíduos infectados, e pode contaminar pessoas de todas as idades. Os sintomas incluem febre alta; erupção cutânea que se dissemina por todo o corpo; congestão nasal; e irritação ocular.

Além disso, a doença pode evoluir para complicações graves, como pneumonia, encefalite, diarreia intensa e até cegueira, sobretudo em crianças desnutridas e pessoas com imunidade comprometida.

Vacina é a soluçãoAté o início da década de 1990, o sarampo era uma das principais causas de mortalidade infantil no mundo, provocando cerca de 2,5 milhões de óbitos por ano, em sua maioria entre crianças. A cobertura vacinal mudou esse cenário.

Por causa da imunização, muitos países reduziram, progressivamente, os casos e alcançaram a eliminação da circulação endêmica, em diversas regiões. Nas Américas, o feito foi reconhecido em 2016, quando o continente recebeu o certificado oficial de eliminação da doença.

No entanto, isto não significa que o vírus desapareceu. O risco de reintrodução é constante, sobretudo em contextos de baixa cobertura vacinal. Conforme a Opas, a maioria dos casos registrados nas Américas, em 2025, ocorreu, justamente, entre pessoas não vacinadas, enquanto outra parcela significativa envolveu indivíduos com situação vacinal desconhecida.

A proteção contra o sarampo depende da aplicação de duas doses do imunizante. No Brasil, a vacinação regular prevê a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses de idade, podendo incluir outras faixas etárias, em campanhas específicas.

A infectologista Marilda Siqueira aponta que “as crianças que não têm as duas doses registradas na caderneta não estão totalmente protegidas”. Segundo ela, a adesão ao calendário vacinal é essencial para impedir o retorno do sarampo.

Segundo a Opas, a cobertura nas Américas ainda não atingiu os 95% recomendados para bloquear a propagação do vírus. Em 2024, apenas 89% receberam a primeira dose da vacina tríplice viral e somente 79% completaram a segunda.

No território brasileiro, a situação é mais favorável, em comparação à média continental. Após anos de queda, a cobertura vacinal voltou a crescer, a partir de 2023, com resultados expressivos em 2024.

O Ministério da Saúde (MS) informa que o número de municípios que atingiram a meta de 95% de imunização contra o sarampo, caxumba e rubéola, na segunda dose do tríplice viral, mais que dobrou em dois anos, passando de 855, em 2022, para, 2.408, em 2024.  

Em 2025, diante do aumento de casos em países vizinhos, o Brasil vem reforçando suas ações de imunização, tanto em áreas de fronteira quanto em todo o território nacional.

No Sul do país, a reativação da Comissão Binacional de Saúde com o Uruguai resultou em grande mobilização conjunta em Sant’Ana do Livramento, no Rio Grande do Sul, e em Rivera, no Uruguai, ampliando a proteção de moradores locais e imigrantes.

Além disso, o Ministério da Saúde tem promovido sucessivos dias D de vacinação contra o sarampo, em diferentes estados. Em julho, a mobilização ocorreu em cidades de fronteira do Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, com cerca de 3 mil doses aplicadas. Em agosto, todos os 79 municípios de Mato Grosso do Sul participaram da campanha.

No entanto, Marilda Siqueira lembra que nenhuma estratégia terá efeito se a população não fizer a sua parte. “Em conjunto com secretarias estaduais e municipais, o Ministério da Saúde está atuando nos municípios com casos confirmados, para evitar a disseminação do vírus. Mas esse trabalho só terá sucesso se contar com a participação da população. Isso significa procurar o serviço de saúde, ao apresentar febre com exantema — aquelas manchas vermelhas pelo corpo —, e manter a vacinação em dia”, observa.

 

 

 

*Com informações da Agência Brasil



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