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Saúde

Canetas emagrecedoras podem levar à pancreatite, alerta a Anvisa

09 de Fevereiro de 2026 | 18h 08
Canetas emagrecedoras podem levar à pancreatite, alerta a Anvisa
Foto: stefamerpik/Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu, nesta segunda-feira (9), um comunicado, advertindo a população sobre o uso indiscriminado de medicamentos agonistas do receptor GLP?1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

De acordo com o alerta de farmacovigilância, o grupo de medicamentos inclui a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida.

A Anvisa destacou que, as bulas dos fármacos produzidos no Brasil esclarecem sobre o risco. Apesar disso, as notificações de problemas têm aumentado sobremaneira, tanto no cenário internacional como no cenário nacional, exigindo reforço das orientações de segurança.

Na nota, a agência reguladora salienta que “esses medicamentos devem ser utilizados, exclusivamente, conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado”.

Conforme o órgão, o monitoramento médico é motivado pelo risco de eventos adversos graves, incluindo pancreatite aguda, que podem incluir formas necrotizantes e fatais. “Apesar do alerta, não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula”, ressaltou a Anvisa.

O documento também cita que, no início do mês, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido emitiu um alerta de risco, ainda que pequeno, de casos de pancreatite aguda grave em pacientes que fizeram uso de canetas emagrecedoras.

Números – Dados da Anvisa indicam que, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, 145 notificações de suspeitas de eventos adversos foram registradas no Brasil, além de seis suspeitas de óbito.

Em junho de 2025, foi determinado que farmácias e drogarias passassem a reter a receita desse tipo de medicamento. Desde então, a prescrição médica passou a ser feita em duas vias e a venda só pode ser efetuada com retenção de receita, da mesma forma que ocorre com antibióticos.

A validade das receitas, segundo a Anvisa, é de até 90 dias, a partir da data de emissão. “A decisão teve como objetivo proteger a saúde da população brasileira, visto que foi observado um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas”, destaca o comunicado.

Além disso, a agência reguladora observa que “o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, eleva, significativamente, o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves”.

Orientações – A Anvisa recomenda, ainda, que usuários de canetas emagrecedoras procurem atendimento médico imediato se apresentarem dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos. Estes são sintomas sugestivos de pancreatite.

Profissionais de saúde, diz o órgão, devem interromper o tratamento, ao suspeitar da reação, não dando prosseguimento, caso o diagnóstico seja confirmado. “A Anvisa reforça, ainda, a importância da notificação de eventos adversos no VigiMed, o que contribui para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos no país, que estão, há pouco mais de cinco anos, no mercado nacional”, diz a nota, referindo-se ao sistema disponibilizado para monitor eventos adversos relacionados a medicamentos e vacinas.

Histórico Ao longo dos últimos anos, a agência reguladora já havia emitido outros alertas relacionados a canetas emagrecedoras, incluindo riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos, em 2024, e a perda de visão rara associada à semaglutida, em 2025.

 

 

 

 



 

 

*Com informações da Anvisa e da Agência Brasil.



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