Uma sala multifuncional foi o espaço onde aconteceu o crime
sexual divulgado, hoje, contra uma aluna de 7 anos, em escola da Rede Municipal
de Ensino de Feira de Santana. O estupro da menor teria sido cometido por um
profissional cuidador, que já se encontra preso. A Polícia Civil instaurou
inquérito para apurar o fato. Lamentavelmente, o local onde aconteceu a
violência não é monitorado por câmeras.
O cuidador ou profissional de apoio escolar é o responsável
por dar suporte individualizado a alunos com deficiência, Transtorno do
Espectro Autista (TEA) ou mobilidade reduzida que não possuem autonomia. Ele
atua na higiene, alimentação, locomoção e segurança, garantindo a inclusão
escolar e o desenvolvimento, mas sem substituir o papel do professor.
Geralmente exige-se o ensino médio completo.
Conversei com o secretário de Educação do Município, Pablo
Roberto, sobre o monitoramento de vídeo nas escolas da Prefeitura. Ele disse
que existem câmeras em quase todos os prédios da rede, mas não em todos os espaços
internos. Somente algumas escolas contam com o recurso em salas de aula.
"Muitos pais perguntam se não vamos instalar na escola onde seus filhos
estudam", ele diz.
As salas multifuncionais, espaços nas escolas de educação
básica equipados com recursos de acessibilidade, materiais pedagógicos e
tecnologia assistiva para o Atendimento Educacional Personalizado, não são
contempladas, admite o secretário. "Vamos reunir nossa equipe técnica para
tratar (do assunto)", informa. O que já se encontra próximo de uma
conclusão, segundo ele, é a implantação de um sistema de reconhecimento facial
para todos os alunos, com notificação aos pais, em tempo real, sobre a chegada
e saída dos filhos às escolas.
Enquanto a instalação de câmeras em áreas comuns é algo de
decisão simples das escolas ou das secretarias de educação, para que os
equipamentos possam funcionar em sala de aula, faz-se necessária uma autorização
por lei, no caso de Município, pela Câmara de Vereadores. Banheiros e
vestiários estão fora da possibilidade de monitoramento.
Evidentemente, o estupro desta criança poderia ter
acontecido, mesmo que a escola contasse com monitoramento de vídeo em todos os
espaços. No entanto, a existência dessa tecnologia de segurança, dizem os
especialistas, inibe a ação de criminosos, pois sabem que sua movimentação
estará sendo acompanhada, 24 horas por dia, e que podem ser identificados pelas
imagens.
Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da
Universidade de São Paulo, disse ao portal R7 que câmeras auxiliam em processos
preventivos e investigativos sobre outras violências que podem ocorrer no
espaço escolar: "Desde que não atrapalhem o trabalho pedagógico, podem ser
um recurso importante".
Uma pesquisa realizada pelo Centro Regional de Estudos para o
Desenvolvimento da Sociedade da Informação, em 2023, revelou que, naquele ano,
apenas 44% das escolas da rede pública contavam com sistema interno de câmeras
de vídeo – no Nordeste, 23% – contra 80% da rede particular. A Câmara
Legislativa do Distrito Federal aprovou em 21 de outubro do ano passado, uma
lei que autoriza o Governo a instalar câmeras em todas as salas de aula da rede
pública local.
Em Santa Catarina, a Assembleia Legislativa aprovou em
dezembro do mesmo ano, por 35 votos a 3, projeto semelhante, "de maneira
que (as câmeras) capturem som e imagem de professores e alunos". Vários
municípios brasileiros estão com legislação em vigor, a exemplo de Porto Alegre
e Rio Pardo (RS) Blumenau e Jaraguá do Sul (SC), Poços de Caldas (MG), Maracás
(BA), Itabaiana (SE), Presidente Prudente e Jacareí (SP) e Sobral, no Ceará,
cuja fotografia ilustra esta reportagem.
Quem seria contrário, salvo melhor juízo, à instalação de
câmeras em salas de aula? Provavelmente, estudantes ou professores mal
intencionados e pais que não desejem ampliar a segurança dos filhos ou o devido
esclarecimento de situações incomuns que possam envolvê-los.