A peça é fruto de uma pesquisa sobre os impactos da repressão artística durante a Ditadura Militar no Brasil
O projeto Feira Tem Teatro volta a movimentar a cena cultural de Feira de Santana com um espetáculo que promete envolver o público em uma experiência intensa e reflexiva. Saltos e Coturnos será encenado na próxima sexta-feira (8) e no sábado (9), a partir das 20h, no Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca).
Com direção de Geovane Mascarenhas, a peça é resultado de uma
pesquisa sobre os impactos da repressão artística durante a Ditadura Militar no
Brasil. A obra dialoga com episódios marcantes da história cultural do país,
como é o caso das invasões a espaços teatrais.
Além disso, faz referências a trabalhos ligados a Zé Celso
Martinez Corrêa e a grupos icônicos, como o Dzi
Croquetes, composto por artistas que desafiaram padrões de gênero e
enfrentaram perseguições, chegando a ser exilados na França; e, também, à banda
Secos e Molhados, conhecida pelo uso
de metáforas para driblar a censura.
A narrativa se desenvolve a partir do conceito de metateatro,
ou seja, o teatro dentro do teatro. E convida o público a acompanhar a
trajetória de uma companhia teatral que enfrenta a censura e a repressão, tendo
suas falas e expressões submetidas ao controle militar.
A encenação alterna momentos de leveza e humor com passagens
mais densas e dramáticas. E, ao mesclar música, comédia e tensão, Saltos e Coturnos aborda temas como a
liberdade de expressão, a hipocrisia social e os desafios enfrentados por
artistas em períodos de repressão. A trama também evidencia um romance
homoafetivo, destacando as dificuldades de se viver e resistir em um contexto
marcado pela intolerância.
O espetáculo conta com o apoio da Prefeitura Municipal de
Feira de Santana (PMFS) e da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres
(SMPM). Segundo a Administração Municipal, isto reflete o compromisso da gestão
com a valorização da cultura, da memória histórica e das artes cênicas
feirenses.