“Não é correto dar marmita a quem mora na rua. A pessoa tem que se conscientizar que ela tem que sair da rua, porque a rua hoje é um atrativo” ( Bia Dorea, primeira dama de SP)
“Do que tem medo (Griezmann)? De um cara ( Messi) que mede 1,50m e que é meio autista?”
(Christophe Dugarry, pego no doping em 99, 70 gols, 630 a menos que Messi. Campeão com a França, em 1998)
"Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem, que os cegos comecem a enxergar que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises." (LULA)
"E dai?" “Eu não sou coveiro' (Bolsonaro, entre outras frases sobre a Covid)
"Vai morrer mais gente de gripe sazonal, no inverno, no Rio Grande do Sul. Morrem, em média, 950 pessoas de gripe sazonal, principalmente os idosos. Vai morrer menos gente de coronavírus em todo o Brasil do que gente no inverno gaúcho de gripe sazonal. E se eu errar esse "vaticínio" será desmoralizante para mim” ( Osmar Terra, o mais desmoralizado vidente do país, errando por 70 mil vezes, até o momento).
“Cara, desculpa, na humanidade não para de morrer gente. Se você falar de vida do lado tem morte (...) Não quero arrastar um cemitério de mortos nas minhas costas, sou leve, tô viva (Regina Duarte ex-secretária de Cultura, cantou ‘Pra Frente Brasil’ e minimizou as mortes na ditadura militar)
Não podemos [parar] por conta de 5 ou 7 mil pessoas que vão morrer, eu sei que é muito grave, sei que isso é um problema, mas muito mais grave é o que já acontece no Brasil ( Junior Durski, do Madero, o hamburger indigesto)
Você que é funcionário, que talvez esteja em casa numa boa, numa tranquilidade(...) já seu deu conta que, ao invés de estar com medo de pegar esse vírus, você deveria também estar com medo de perder o emprego? ( Alexandre Girafa, sócio do Giraffas. É girafa, mas podia ser anta)
Estou negando a importância de cuidados com a saúde? Não! Estou falando que não há um dado claro que indique a necessidade de parar com o país e ferrar a economia por uma mortandade de pessoas, porque não há aumento desses óbitos(Pedro Almeida, curador do prêmio Jabuti)
“Foda-se a vida”
(Gabriela Pugliesi, influenciadora digital, que fez festa para amigos em plena quarentena e postou)
“Haverá a morte de CNPJs”
Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq, participou de caminhada com Bolsonaro ao STF para pedir o relaxamento de medidas de isolamento social
O prefeito de Itabuna, o necrófilo Fernando Gomes, disse em entrevista que vai abrir o comércio e "morra quem tiver de morrer". Animais políticos costumam pensar mais em votos que em vidas e não se poderia esperar mais que isso do tristemente, agora, famoso prefeito da caótica cidade que ele administra.
É preciso deixar claro que a pandemia não é culpa de autoridades- é da China-, mas a forma de enfrentamento é. Algumas verdades, também, precisam ser claras. A primeira é que distanciamento social produz achatamento da curva, mas prolonga a duração da pandemia; a ausência dele encurta a duração, mas mata muito mais, inclusive a quem não iria morrer, se o sistema de saúde não estivesse saturado. Nós tivemos esse efeito de achatamento em Feira, Salvador, e em inúmeros lugares no mundo onde foi aplicado.
Esse distanciamento não se destina a evitar que todos peguem a doença o que não é possível pela inter-relação humana e as falhas de proteção a que estamos sujeitos. Não é pouco comum vermos grupos de amigos, ou famílias reunidas, sem máscaras, como se laços de amizade ou de parentesco impedissem a transmissão do vírus. Conheço uma família em que um membro contaminado repassou a mais oito pessoas em um agradável almoço de domingo. Ou uma confraternização de colegas de trabalho ao redor de um bolo de aniversário que gerou outro conjunto de contaminados.
O distanciamento, alargamento da curva, se destina a que o sistema de saúde se prepare, construa hospitais de campanhas, adquira medicamentos, respiradores, em número suficiente para dar suporte a demanda, vigiando os números e flexibilizando o comércio a partir da oferta de vagas e dos sinais dos testes, e não da pressão dos comerciantes no juízo do governante. Ou seja, é preciso manter o R0( capacidade de contágio do vírus), sob controle para que as variáveis doença, leito, comércio, possam ser equilibradas.
Outro aspecto que foi negligenciado pela Prefeitura, Estado, governo federal, é a capacidade de testagem de suspeitos. Contagiamos com maestria e irresponsabilidade e testamos como um perna de pau, e sem noção. Não se enfrenta adequadamente aquilo que não se conheçe.
Os que advogam a "imunidade de rebanho"' ou seja contagiar todo mundo logo para ter imunidade o fazem, em sua maioria, em isolamento e desejando que os 70% necessários sejam feitos com os riscos dos outros. É o morra quem morrer, celebrado sem pudor pelo eugenista de Itabuna.
A curva de crescimento de casos de Feira assusta mas não é um fenômeno inesperado. Ela saiu de 500, em Maio, para 3500, em Junho, e dá sinais que será maior que isso, em Julho, em um sistema já sobrecarregado. O horizonte, se nada for feito, trará a exacerbação da angústia e mortes. Já há feirenses disputando leitos de UTI, em Salvador.
Teremos 30 novos leitos, no HGCA, ainda essa semana, segundo o Secretário Fábio Vilas Boas. Será um alívio, mas temo que não sejam o bastante, se a curva não for mudada.
Como exaustivamente demonstrado nos resultados do mundo inteiro, só o bloqueio total ( lockdown) é capaz de mudar a curva na situação de transmissão desenfreada. É necessário, mas pega a população já cansada, em parte dela- não toda- com dificuldades econômicas, e confusa com o entra e sai do bloqueio que sempre foi parcial. Por outro lado, parcela da população segue agindo de forma absolutamente irresponsável, lotando barzinhos,como se não houvesse cerveja amanhã, bancando uma contestação vazia da autoridade, fazendo festas como a blogueira que viralizou essa semana sua rasura de pensamento, esquecendo que, se sentem que a doença não lhes será fatal, seu caso poderá ocupar um leito de quem precisa.
Seja como for, a dramática situação da cidade exige algo além disso e que o prefeito e o governo do Estado, conversem, afinem uma agenda mínima de intervenção, de proteção às vidas, e anunciem ao povo feirense o que esperamos deles:vagas, testes, fluxograma de ação conjuntas, como foi feito em Salvador.
O preço a ser cobrado, será de ambos; o preço a ser pago, será só nosso.
Com a saturação do sistema de saúde alguns aspectos ficam claros. O primeiro é que o fechamento do comércio mesmo que parcial, achatou a curva. É só observar que em Maio tivemos 500 casos enquanto em Junho chegamos a 3500. Isso não pode ser justificado apenas pelo aumento da testagem privada. Outra forma de percerber isso é a rápida ocupação do Hospital de Campanha da PMFS e do HGCA. Ou de conhecidos que começam a aparecer nos relatos de internamento.
O segundo aspecto é que subdimensionamos a pandemia e não nos preparamos o suficiente, assim, não temos leitos em números adequados ao atendimento da pandemia. O retardo da inauguração do HGCA é uma pancada na segurança do feirense que está angustiado com o problema. Esperamos que seja ainda essa semana como prometeu o Secretário de Saúde, do Estado.
A rede privada, por sua vez, está lotada e tem dificuldades para otimizar o atendimento, gerando mais leitos para atender a demanda.
Pouco importa, agora, o que A e B não fizeram. O que a Sociedade quer é respostas do prefeito, do Secretário de Saúde do Estado, da Secretária de Saúde, da Coordenação do Comitê Gestor da Covid-19, e saber quais medidas serão tomadas de forma emergencial, além do fechamento do comércio, novamente. Leitos que já estão sendo fechados em Salvador, na Fonte Nova e no Wet n Wild, não poderiam servir de suporte a nossa região?
Precisamos de informação e dos dados de leitos privados e públicos diariamente, para que a população entenda o que está acontecendo e compactue com as duras medidas que serão tomadas.
É hora de transparência, trabalho conjunto e medidas emergenciais.
Não queremos ser estatísticas, queremos ser histórias bem sucedidas.
Feira, é uma cidade plana, o que facilita intervenções urbanas, entretanto, ela sofre de uma contumaz falta de urbanidade. O ambiente de uma cidade não precisa só ser eficiente, ele precisa não ser inóspito, desconfortável, porque isso influi na qualidade de vida, no estresse citadino, o que afeta os aspectos psicológicos das pessoas. Tenho sempre a impressão que faltou acabamento nas obras, um olhar arquitetônico. Ela precisa ter mais árvores, ser mais sinalizada em seu solo, e nas ruas, ter abrigo de ônibus decentes, evitar as crateras que são as bocas de lobo, ter praças com ar acolhedor, as rampas para deficientes fazerem sentido, o espaço para pedestre ser livre, os postes colocados com mínima atenção, a poluição visual ser evitada, entre tantos outros cuidados.
O projeto Centro iniciado pelo prefeito Colbert é uma promessa de mudança dessa pobre e miserável estruturação urbana que temos. Vamos torçer para dar certo e ser concluído.
A obra tornou-se longeva e interminável. As promessas de conclusão, licitações, feitas pelo governo já se tornaram uma rotina que não se cumpre, mas agora o deputado Zé Neto está anunciando que na próxima segunda o governador irá assinar a ordem de serviço para a última etapa.
Essa obra magnífica teve seu brilho empanado pelo que ficou inconcluso e que nunca permitiu a utilização plena pela população.
Eu, no entanto, torcedor da obra - e da lagoa do Subáe que não vai a lugar nenhum- , sou um otimista e a cada anúncio que eles fazem eu venho aqui celebrar.
Uma hora, eu acerto. Tomara que seja desta vez.