Ao que parece a Procuradoria Geral da República anda esticando a corda o que levou a força-tarefa da Lava Jato a reclamar do “caráter inusitado” da ação da subprocuradora geral Lindôra Araújo, braço direito de Augusto Aras e ligada ao clã Bolsonaro, que foi a Curitiba exigindo arquicos, e dados sigilosos das investigações em São Paulo, Rio, DF, e investigações contra governadores, de forma não protocolar botando ainda mais desconfianças nas intenções da PGR. Ela, aliás, após o intempestivo gesto, acaba de retirar sua candidatura ao Conselho Superior da PGR, na esteira do pedido de demissão de 3 procuradores da Lava Jato.
Não foi um bom sinal para a biografia de Aras, que cada vez mais precisará mostrar que não foi tentado pela cadeira do STF, se “surgir uma terceira vaga”.
Não custa lembrar que a delegada da PF Denisse Ribeiro pediu ao Supremo para suspender as investigações sobre blogueiros bolsonaristas e, evitar “risco desnecessário para a estabilidade das instituições”. Nunca antes na história desse país. Soma-se a isso a inédita decisão de um desembargador do Rio que concedeu foro privilegiado a Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas, contrariando o que escreveu em seu próprio livro. Lembrou FHC: esqueçam o que escrevi.
Por último, considerando que Bolsonaro traiu Moro em sua oferta de um Ministério da Justiça de “porteira fechada”, apoio no combate a corrupção, e interviu na Polícia Federal, para ter mais informação e menos instituição, como teria com o ex-juiz, é possível ir captando a idéia que Bolsonaro tem sobre as instituições.
É preciso que fique claro que essas informações e estes órgãos não podem ser usados para perseguir adversários eleitorais - de governadores a Moro- e interferir na República, como desconfiam todos, de cabo a rabo, em Brasília.
Em 23 de outubro de 1942, em El Alamein, o Afrika Korps, chefiado pelo marechal Rommel, teve de recuar ante o VIII Exército britânico. Foi o primeiro golpe infligido à Wehrmacht. Em Londres,diante da multidão, Churchill fez um de seus memoráveis discurso: “Não é ainda o fim, nem mesmo o começo do fim, mas talvez seja o fim do começo”.
O inimigo é de outro tipo e vitória está longe, mas os primeiros resultados com as vacinas, o recuo da doença em muitas cidades, a melhora da terapêutica, o percentual de recuperados, a expansão da rede de assistência, é, sem dúvida, o fim do começo.
Isso não significa que a pandemia acabou e que um certo ar de normalidade que algumas cidades estão vivendo não representam um risco de retrocesso.
É preciso cuidado e usar a testagem para orientar a flexibilização.
Não basta apenas você curtir nas redes sociais: é preciso ficar indignado de verdade, não bater palma para político bandido, não votar no escurinho da urna, não rebaixar seu padrão de tolerância, não fazer reverência para autoridades achando que estão lhe dando alguma coisa que já não seja sua.
Grite, esperneie, ensine seus filhos, se mobilize. Não vote em canalhas processados, indiciados, gente com apelido nas planilhas da Odebrecht, ou processos na Justiça!
Onde está seu senso moral?
Não seja cúmplice de partido, não seja adorador de político, não seja uma mente cativa de líderes oportunistas, de nenhum lado.
Nós que somos do bem precisamos resistir, precisamos nos opor, precisamos enfrentar os que cultivam o abismo, o extremo, seja a direita ou a esquerda.
Não podemos aceitar mais a devassidão que permeia a Justiça, a imoralidade que corrói o Parlamento, a degradação que ocupa o Executivo.
Nós, Sociedade civil, precisamos mostrar que queremos valores éticos e morais, respeito, honestidade administrativa, serviços de qualidade, sem apelar a salvadores da pátria, ou terceirizarmos para o militarismo o que é nossa obrigação, sem covardia.
Somos responsáveis pelo que obtemos em nossas vidas. Não existe ética de ocasião. Nós somos os senhores de nosso destino, ou como diz o poema, nós somos o capitão de nossa alma.
Levantemo-nos!
O infectologista Roberto Badaró, do Espanhol, em entrevista, com ligeireza acima do normal, afirmou que 40% dos pacientes do hospital não tinham Covid-19 e morriam, sendo que no atestado de óbito, no entanto, continuava com o diagnóstico da doença.
O crasso erro da informação, inclusive expondo colegas médicos, por falsidade no atestado, foi desmentido depois pelo próprio que veio dizer que não disse o que disse: "Venho a público dizer que a forma como expressei-me não reflete corretamente o que acontece no Hospital Espanhol", disse. "Não é correto afirmar que óbitos são lançados indevidamente como Covid-19. Em verdade, todos os óbitos ocorridos no Hospital Espanhol são avalizados pela coordenação médica. Se o óbito ocorre é obrigação da unidade hospitalar que emite a Declaração de Óbito (DO), colocar a causa corrigida e não continuar com a suspeita diagnóstica da chegada", afirmou o diretor. De acordo com ele, o procedimento adotado pelo hospital pode ser corrigido posteriormente pelas autoridades e que as mortes suspeitas não são incluídas nos números da Sesab. "
O que ele deveria ter tido era qual percentual de pacientes Covid e não Covid morriam e, destes, em quantos não havia ainda exames que afastassem a condição, sendo, portanto, colocado como suspeitos, até os exames serem liberados. Aí ele poderia comentar o impacto que isso teria sobre os números.
O estrago de comunicação, no entanto, já estava feito e ela continua circulando pelas redes sociais e estimulando as mais diversas teorias de conspiração ou servindo de pretexto para não adotarem isolameto.
Realmente, quem fala demais acaba dando bom dia a cavalo.