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César Oliveira - 03 de Fevereiro de 2017 | 17h 52
A verdade é que a vida não existe mais como a vivemos e sim como a editamos e publicamos, construindo narrativas que serão vistas por nossos seguidores conhecidos e desconhecidos das redes sociais. Por isso não basta apenas um registro ocasional, mas fotografar os dias de forma compulsiva e repetitiva, produzindo dezenas de fotos de uma mesma situação até encontrar a que julgamos mais perfeita, que será, ainda, aperfeiçoada pelo fotoshop e filtros do instagram e similares, antes de lançada ao escrutínio da multidão.
Estamos vivendo uma espantosa cultura da aparência, antes do conteúdo; do mostrado antes do vivido; do narrado, antes do memorizado. O registro externo dispensa a memória de guardar e imortalizar o instante, pois, ele será compartilhado e arquivado em nuvens e arquivos, tornando-se mais significativo não pela experiência per si, mas por quanto likes e curtidas conseguiu produzir. Já não somos o fato, mas a versão.
Desde que, em 2013, o Dicionário Oxford anunciou que um novo verbete - selfie- seria incluído em suas páginas tive plena certeza que o apocalipse da discrição havia se instalado e ovo da serpente tinha sido chocado. Lógico que muitos usam as redes para fins profissionais e há, acreditem, os que usam com moderação, mas a grande parte se dedica a um exibicionismo cansativo depois de tantas poses repetidas e pratos fotografados. A vida virtual, com todo seu falso glamour e felicidade, desperta inveja digna de merecer tiro, porrada e bomba, e torna-se impositiva de um estilo de vida impossível de ser sustentado. Todos, ao fim, querem ser iguais e a vida um enredo único e hedonista.
Para manter o ritmo – afinal, as poses sofrem de senilidade precoce-, e a vida atualizada, os usuários, especialmente os jovens, produzem fotos em quantidades industriais e exercem um apurado serviço de controle de qualidade da linha de montagem. Ao fundo, todos têm a esperança que sua vida editada seja tão atraente quanto o que achamos que os outros imaginam.
A geração fotoholic, como a denominei, é capaz de arriscar a vida por uma curtida. Pesquisas mostram que 33% dos jovens fazem selfie quando dirigem; há relatos de cirurgia pra aparecer melhor e, inclusive, inacreditavelmente, mortes : queda de ponte, edifício, chifrado por touro, eletrocutado em trilho do trem, baleado com pistola, caindo do Taj Mahal, em uma perigosa compulsão pela imagem perfeita. Segundo site americano as mulheres (entre 16 e 25 anos) gastam 5 h semana em selfie, com uma média de três fotos ao dia. Elas fazem 7 selfies antes de achar a melhor, sendo que 1/3 faz pose sexy para atrair pretendente, 14% usa selfie para causar inveja. O estudo indica que 72% dos entrevistados tiram fotos com familiares e amigos. Em segundo lugar está “eu com fundo de paisagem ou natureza” (34%), seguido de “eu sozinho” (29%).
Algumas pesquisas a ligam à insegurança e objetificação do indivíduo. Segundo o psicólogo Jesse Fox, “pessoas que têm um grau alto de auto-objetificação postam mais selfies, o que leva a mais feedback dos amigos online, o que os encoraja a postar ainda mais fotos de si mesmos.”.
O fenômeno cultural do “selfie” expõe cruamente o desejo humano de ser notado, admirado, reconhecido, o que flerta com o pecado preferido do diabo: a vaidade. Há uma mistura de costumes e informação, sendo uma expressão social que traz o risco de resvalar para o culto excessivo a aparência, transformando a vida em uma espécie de reality-show narcísico, com personais-seguidores - inclusive a Receita Federal-, que muitas vezes resulta em um ego inflado, por idealizar que tudo que o rodeia é aceitação e aplauso, sendo muitas vezes difícil escapar do autoengano.
Como em todo lançamento comportamental a geração fotoholic ainda precisa aprender a dosar o uso das opções da internet para saber a exata medida que separa compartilhamento saudável de obsessão vaidosa e suplemento carencial.
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César Oliveira - 31 de Janeiro de 2017 | 08h 02
O sistema de transporte público sempre foi um dos calcanhares de Aquiles, da cidade. Em um dos períodos a população chegou a ficar sem transporte e os "ligeirinhos" foram a salvação da roda de uma população que teve de se virar nos trinta para manter suas atividades. Ao final do governo Ronaldo surgiu a ideia do BRT - que vai se arrastando como pode - e a excelente troca de empresas que faziam o transporte coletivo com uma frota toda nova.
Ao longo deste período, notícias aqui e ali sugeriam que os empresários estavam insatisfeitos, que o rendimento não era o esperado. Depois, alguns veículos foram vistos em outras cidades, mas afirmou-se que era recall na distante São Paulo. Alguns dizem que o verdadeiro causador seria o transporte clandestino de passageiros, um problema nunca enfrentado verdadeiramente pelo governo, e que vai corroendo o lucro das empresas.
O fogo de monturo foi crescendo e, agora, vem a preocupante notícia que ao menos 50 ônibus foram tomados pelo Banco Mercedes por falta de pagamento. É uma situação gravíssima, pois, acredito que este número alto deve fazer falta na qualidade do serviço prestado e coloca sob risco o funcionamento do próprio resto do sistema.
A Prefeitura precisa dar uma resposta urgente à população, afinal, ela confiou no governo e a situação precisa ser colocada de forma transparente para a Sociedade. A retirada dos carros acrescenta mais um dilema: fortalece os "ligeirinhos". Retirados, corre-se o risco do caos; deixados, coloca-se em risco o retorno da empresa de ônibus, o BRT, e a viabilidade do sistema.
O céu, para o sistema de transporte público, decididamente, não está cor de Rosa.
Nota: para aumentar o mistério, após este texto, a empresa Mercedes negou que tivesse retido os carros. Até conseguiu autorização na Justiça para isto por dívidas, mas ao chegar a garagem a encontrou vazia. Enfim, ninguém sabe, ninguém viu...
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31 de Janeiro de 2017 | 08h 02
Ayres Brito, ex-Ministro do STF:
" A silhueta da verdade só se assenta em vestidos transparentes "
Suspende o sigilo das delações Carmen, suspende.
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César Oliveira - 23 de Janeiro de 2017 | 17h 58
Paralelo ao debate sobre liberação das drogas corre o discurso focado no tamanho do sistema prisional e sua ineficiência na prevenção do crime e na regeneração de criminosos. Os dois discursos compõem um casamento perfeito que beneficiam criminosos e pune a Sociedade.
Uns dizem que as prisões e as penas fracassaram em inibir o crime. Fracassaram como? Por qual medida? A absoluta maioria da população teme a lei e a prisão e esta inibição tem impacto sim em reduzir ações criminosas. Aos que acham que não, cabe apenas observar o que acontece nas greves policiais ou nos desastres da natureza como furacões e tsunamis que deixam a Polícia ausente e desencadeiam saques, estupros, agressões, assassinatos.
Acusa-se de fracasso como se fosse obrigação da lei da e da prisão impedirem todo e qualquer intenção criminosa. Isto jamais acontecerá, porque sempre existirá no homem o instinto criminal, transgressor, sejam por condições específicas (ambição, desespero, ressentimento, desejo), psicopatias (impulsividade, agressividade orgânica, distúrbios de personalidade psicopática, etc.), desagregação familiar, deformidade social, determinação biológica, drogas, ou a combinação de todos ou vários destes fatores.
Aliás, psicopatas têm como características a crueldade, frieza e indiferença na realização do ato delituoso, não sendo capazes de aprender com punições e experiências, sendo irrecuperáveis. Um estudo da famosa psicóloga americana Martha Stout, (STOUT, p. 6) revela que “1 a cada 25 indivíduos podem ser considerados como portadores de um distúrbio psíquico conhecido como psicopatia”.
A todos estes indivíduos cabem a lei e penalização da transgressão, mas, aqui, as discussões começam a ser manipuladas e desvirtuadas. Sacam Foucault e outros da algibeira e dizem que a prisão é uma vingança da Sociedade, que é uma ação punitiva. O olhar volta-se instantaneamente para o criminoso com desprezo ou indiferença à vítima, que, muitas vezes torna-se invisível. Esta é uma escolha absurda. Não, não é uma vingança, mas é uma punição e uma satisfação à Sociedade e ao indivíduo que foi lesado, sim.
O olhar precisa voltar-se novamente para aquele que sofreu que ficou sequelado em uma cadeira de rodas por um tiro na coluna, para a família que perdeu seu ente, ou seu patrimônio, muitas vezes sua forma de sustentação, para o individuo que ficou com lesão cerebral após um trauma, para a mulher que foi estuprada e nunca vai recuperar sua feminilidade de forma integral, para o filho que perdeu o pai por um crime de mando, ou o pai, amputado de sua família por um bandido que arrastou seu filho preso ao carro.
Exemplo típico desta inversão é a declaração de Vivian Calderoni, advogada da Conectas Direitos Humanos: “a opção pelo encarceramento como primeira medida de punição se mostra inadequada. A taxa de criminalidade não se reduz pelo encarceramento”. Como não reduz? Imagine se libertarmos amanhã todos os criminosos que estão na cadeia, quantos crimes serão cometidos? E quantos deixaram de ser cometidos pelos que estão lá?
O dever primário da cadeia não é regenerar todos os criminosos, mas proteger o cidadão, pagador de impostos e respeitador da lei. Esta é a obrigação do Estado e deve ser o foco primordial da ação do sistema policial e judicial. O centro é a vítima ou a potencial vítima e não o agente do crime. Secundariamente, considerando-se os princípios que devem reger o nosso caráter humano e que nos diferencia deles, devemos garantir assistência judiciária, audiências de custódias precoces, condições básicas de manutenção do encarceramento, e, nos casos possíveis -limitados, sabemos -, políticas de ressocialização.
Estudos de economia do crime e criminologia já estabelecem há anos a importância da solidez de uma política de segurança pública (Di Tella e Schargrodsky, American Economic Review, 2004) Não existe, portanto, presos demais, existem presos necessários, sejam quantos forem. Tentar usar condições sociais adversas para validar, amenizar, tolerar, o ato transgressor, aplicando o discurso de forma geral é manipulação e relativismo criminal.
Do mesmo modo, é evidente que nossos índices de violências -apesar de manipulados a vontade-, são indecentes, assim como, a incapacidade do Estado em cuidar de nossa segurança, e dos presos, é um perigoso atestado da falência do Estado. Perigoso, por dar margem ao surgimento de um Estado que não seja o de direito, mas que nem por isso valida a libertação de presos, porque, novamente, volto a ressaltar que o objetivo primário do sistema é a proteção da Sociedade.
Cobrar avanços sociais que melhorem a vida da população (o que também não acabará com o crime porque não há associação automática entre pobreza e crime), dosimetria de pena, penas alternativas, pois, prendemos traficantes e devedores de pensão alimentícia da mesma forma, são discussões adequadas, mas não justificam nenhum dos discursos atuais de oposição ao sistema prisional, que só tendem a levar ao aumento da impunidade e acabam por penalizar, injustamente, o cidadão do bem, que passa a ser um encarcerado do medo, da insegurança, e, nas vítimas, de perdas, muitas vezes, irreparáveis.
O resto é conversa fiada para a lei dormir.
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César Oliveira - 14 de Janeiro de 2017 | 09h 48
Como já disse, o futuro da política baiana a Lava-Jato pertence, afinal, não só Geddel, mas outros já foram citados - em ambos lados- e considerando-se que o braço empresarial, ou as principais empreiteiras, são da Bahia, ainda deve haver muita roupa suja para ser lavada no tanque das delações premiadas.
Náo custa lembrar que Wagner e seus relógios, a campanha de Rui Costa, Aleluia, Negromonte (incrivelmente ainda no TCM), o vice João Leão ( aquele do "cagando e andando"), Antonio Brito, Arthur Maia, Lúcio Vieira Lima, Colbert Martins, Edvaldo Brito, Antonio Imbassahy, João Almeida, Jutahy Magalhães, Lomanto Junior, Claudio Cajado, Roberto Brito, Paulo Magalhães Jr, Adolfo Viana, Benito Gama, Daniel Almeida, Lidice da Mata, fora os já condenados como Argolo, e outros, compõem uma significativa seleção de votos. Verdade que os fatos ainda estão pendentes das homologações do STF, mas muita gente vai sair com a asa baleada e impactar nas eleições.
A bola da vez é o ex-Ministro Geddel, definitivamente amputado da chapa sucessória. Acusações a Geddel são antigas, desdo os tempos da briga com ACM que divulgou uma famoso vídeo intitulado: Geddel Vai as Compras. Agora, o ex-Ministro que já havia caído do governo Temer pelo tráfico de influência para liberar uma construção em sítio histórico, em Salvador, tombado pelo IPHAN, foi alvo de uma ação direta da PF que mostrou seu suposto recebimento de propinas em parceria com o "lombrosiano" Eduardo Cunha, como assim ele chamava seu atual cúmplice, quando eram desafetos.
As gravações, mais que comprometer Geddel, o transforma em chacota nos dizeres de Funaro, o operador de Cunha: ele é um "boca de jacaré para receber e um carneirinho para trabalhar", ou "esse porco é um folgado do ca***** ", desgastando uma imagem que já não era das melhores pelos desafetos que o Ministro sempre colecionou pelo estilo destemperado nas redes sociais.
Evidente que a denúncia será aceita pela Justiça e, sem foro privilegiado, Geddel corre o sério e quase inevitável risco de ser preso.
Preso ou não, Geddel, está fora da chapa a sucessão baiana, embora vá manter algum poder. De qualquer modo o jogo fica ainda mais embaralhado e, já dizem alguns, fica mais valorizado o passe de José Ronaldo, prefeito de Feira, que anda se mexendo para fora da cidade, em direção a UPB, buscando prejetar seu nome para além do Contorno.
Ainda temos um ano de trabalho da PF, do MP e de Sérgio Moro. O que não vai faltar na política baiana este ano é pimenta.