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César Oliveira - 24 de Março de 2017 | 14h 27
O mundo é, hoje, uma competição global, em que a produção vai aonde o baixo custo está. Ou o Brasil se ajusta aos custos mundiais ou sucumbirá a desemprego mais brutal que o atual e ao eterno papel de fornecedor, esgotável, de matéria prima. Em todo mundo-inclusive na França, o paraíso da vida paternalista do Estado- a legislação trabalhista está mudando, mesmo com governo socialista, porque estão ficando cada vez mais sem condições de disputar mercado. É uma realidade dura, mas real.
As empresas de médio e pequeno porte, maiores geradoras de emprego, não conseguem arcar com os custos trabalhistas e vão endividando-se e sendo englobadas pelos cartéis. Além disto, nossa mão de obra tem péssima, caótica, formação e toda vez que seleciona-se um funcionário- em qualquer nível- é preciso investir em treinamento e praticar uma verdadeira roleta russa de admite, testa, afasta, admite, até acertar, o que gera prejuízos na produtividade, na qualidade do serviço e enormes custos trabalhistas.
As mudanças nas leis trabalhistas, com flexibilização, terceirização, e outras alterações que modifiquem esta relação de trabalho estabelecida na Ditadura do Estado Novo, são absolutamente necessárias. Ou ficaremos condenados ao isolamento e a falta de trabalho.
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César Oliveira - 24 de Março de 2017 | 13h 49
Nenhum povo que tem como sonho de consumo a aposentadoria, ao invés de salário justo, constrói uma nação vencedora.
A luta deve ser ferrenha e contínua por remuneração adequada sendo a aposentadoria uma consequência, nunca o alvo primário!
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César Oliveira - 21 de Março de 2017 | 19h 42
Os crimes cometidos no âmbito da Operação Carne Fraca são graves e merecem punição, pois, colocam em risco o consumidor. Entretanto, precisamos entender que mesmo quando uma coisa certa é feita, isto não isenta de erro o modo como ela é feita.
Os fins não justificam os meios. E a Polícia Federal – de modo geral com excelentes trabalhos no currículo - até o momento não apresentou dados que mereçam o estardalhaço que foi criado, o estrago que foi causado e nem justificativa para os erros primários que foram cometidos.
Primeiro, é inconcebível que a PF deixe a população exposta a dois anos de consumos de produtos estragados, sem alertar o governo, sem proteger o cidadão; segundo, é inaceitável que, com tanto tempo de investigação, erros primários como engano com o papelão, erro com o ácido ascórbico que, afinal, não era cancerígeno e o uso permitido de certas carnes na fabricação de salsicha, seja dado como ilegal; terceiro, que uma operação mostre nitidamente que não havia especialista no assunto, no processo, e que a comunicação seja tão mal planejada, colocando em risco os aspectos positivos do combate à corrupção.
A PF precisava, neste caso, diferente da Lava-Jato, entender a dimensão do processo que executa. Adjetivo de maior operação, para sete prisões, 3 interdições em 4.831 frigoríficos, 33 acusações entre 11.300 funcionários (o líder do crime, aliás, é uma partilha entre Kátia Abreu, ex da Agricultura e o atual da Justiça, Serraglio) mostra claramente que houve excesso e generalização sem provas, contra todos, utilizando a mídia. De certo modo, seria como condenar toda indústria automobilística quando ocorre um recall. Imaginar que toda carne consumida no Brasil, ou exportada, que passa pelos critérios europeus de certificação está contaminada é inocência ou falta de uma análise mais detalhada.
Evidente que isto não valida o discurso que os criminosos devem ficar impunes porque a ação prejudica o agronegócio. Ao contrário, estes devem ser exemplarmente e rapidamente punidos para que o setor não seja mais prejudicado do que já está sendo com a repercussão dos fatos. É preciso, também, que o governo reveja sua estrutura de fiscalização, que os próprios frigoríficos implantem medidas de melhor controle em suas unidades associadas, pois, é evidente, também, que esta era uma terra de ninguém, sujeita a práticas de corrupção e que não pode ficar sem atenção especial.
Não partilho de teorias conspiratórias do capital internacional e similares- embora tenha sido a sopa no mel- mesmo que tenha ficado guardada dois anos, entretanto, não se pode deixar de reconhecer certa estranheza na sua liberação no exato momento que o novo Ministro da Justiça, Serraglio, chega ao poder. A verdade é que, a partir de agora, o Ministro virou refém- um pato manco, em verdade, se conseguir sobreviver, o que não creio - no comando da Justiça, que inclui a PF. E isto não é bom.
É certo que JBS (Friboi, Seara) e BRF (Sadia, Perdigão), monopólios construídos sob o olhar complacente do CADE e as verbas generosas do BNDES devem ser investigados com todo rigor, de forma ágil, firme e resolutiva. Neste caso, quanto mais lentas forem as apurações, ou quantas mais forem parciais as revelações, mais dramático será o impacto no setor que não pode ser penalizado de forma universal. É preciso cuidado, porque pode haver outros bois na linha.
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César Oliveira - 15 de Março de 2017 | 22h 45
Em termos de eleição, ao que parece, o que a Câmara acerta em pé em uma votação não sustenta, sentado, na outra. Só assim, para entender o vai e vem na decisão de permitir e impedir reeleições.
E isto é lamentável porque uma instituição como a Casa da Cidadania não pode ficar exposta ao jogo do interesse de A ou B. Ela precisa ter uma normatização eleitoral e cumprir e não ficar aceitando manipulações ao sabor do momento, ou do jogo político. Pior ainda quando a mudança traz a possibilidade de ocupação infinita do cargo. A reeleição é o ovo da serpente para criação de vícios, sinecuras, e utilização indevida do cargo. Apenas a rotatividade eleitoral protege o cidadão, evita a cristalização de espaços e o loteamento sem freio do poder. Ela pode ser favorável a quem propõe, mas jamais o é, ao povo.
A Sociedade precisa compreender isto e exigir que este mecanismo de ocupação indefinida do cargo não seja permitido. A rotatividade evita a criação de senhores feudais – como aconteceu na Assembléia Legislativa-, equilibra o poder, permite a alternância de pautas e modelos administrativos e ainda contribui para a formação e renovação de líderes, que são tão necessários a Feira atual.
Esperamos que o senso comum dos malefícios da reeleição prevaleça e que os vereadores tenham a sensatez de não colocarem para chocar o ovo da serpente.
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César Oliveira - 15 de Março de 2017 | 17h 29
Não existe milagres no sistema previdenciário, nem como negar a mudança de perfil populacional, com aumento de idosos ( 4.6% ao ano) e redução da natalidade e trabalhadores contribuintes.
É necessário, portanto, que haja alteração da idade mínima que acompanhe a expectativa de vida. Ela não poderá permanecer a mesma para sempre a medida que a vida vai se prolongando. Não há como. É preciso, no entanto, considerar a diversidade do país, pois, a adoção bruta da idade mínima igualando um carvoeiro, em áreas miseráveis e de baixo emprego, a um trabalhador urbano de São Paulo, vai apenas penalizar os que mais precisam.
A proposta de igualar aposentadoria de servidores públicos e privados é absolutamente correta, não existindo nenhuma justificativa para serem diferentes, assim como a de políticos. Do mesmo modo é preciso acabar com as superpensões, inclusive as existentes acima do do teto, e cobrar os sonegadores.
A idade da aposentadoria, no entanto, não pode, na média, permanecer a que está. Precisamos de regras de transição claras, mecanismos de correção permanente, administração profissionalizada, e proteção do sistema aos mais necessitados. Assim, se constrói um sistema mais justo.
Não aceitar mudança nenhuma é viver fora da realidade econômica e de custos; aceitar mudança sem nenhuma proteção, é selvageria