A rede de privilégios e favores do poder aos donos do sítio em Atibaia não tem limites. São reformas feitas pelas construtoras e realizadas por um engenheiro generoso na folga do Natal, antena de telefonia, asfalto no acesso, cozinha kitchens, entre outros. Tudo isto para favorecer Suassuna e Bittar, proprietários oficiais do terreno, jamais para agradar ao presidente Lula. Este, por sua vez, é apenas um destes hóspedes abusados que manda levar sua mudança para uma casa que não é sua, vai 111 vezes em um ano à propriedade do amigo e compra até um singelo barquinho de pesca para o lago. Como diz o famoso ditado: à mulher de Cesar não basta ser honesta, tem de parecer honesta. Nos tempos atuais nem se é, nem se faz questão de parecer.
O cidadão baiano, embevecido com o carnaval, especialista em sobrevivência, portador de fé inabalável na sorte, precisa mesmo da proteção do Senhor do Bonfim para escapar da violência. Afinal, temos a inacreditável taxa de 54 homicídios por 100 mil habitantes em Salvador e Feira entrou na lista das 30 mais violentas do mundo.
Na inacreditável rotina de um banco assaltado por dia, a Bahia vai se convertendo em um caso para estudo do crescimento da violência e da limitação da resposta policial. Um insucesso que precisa ser explicado à Sociedade por dirigentes políticos e policiais. Em uma mesma semana o Banco do Brasil de Conceição do Jacuípe e de Jacobina voaram pelos ares.
Impressiona a facilidade de obterem explosivos, sem controle, o domínio da técnica, o armamento pesado, o deslocamento sem levantar suspeitas, as fugas sem pistas, os recursos não encontrados. Há algo de muito errado em tudo isto. A sociedade exige resposta.
O Secretário de Segurança precisa se dirigir à população e a polícia mostrar resultados ou apontar quais são as limitações. Não se pode conviver com o estado de pânico como vive a ex-pacata Berimbau (terceira vez) e o piemonte Jacobinense.
O cidadão chega em casa na quarta-feira de cinzas e a mulher vem pra cima - Quem era aquela loira que tava lhe beijando no bloco?
- Eu não sabia que tinha alguém me beijando no bloco não. É fofoca de inimigos. Leia o que estão dizendo do Lula.
- Não seja cínico. Eu tenho 111 fotos de você e sua amante juntos
- Ela não é minha amante. É de um amigo. Eu sou apenas usufrutuário...
Toda vez que há um vazio de autoridade - qualquer autoridade-, um vácuo, existe uma tendência a que outra pessoa ou grupo ocupe este espaço, e o ocupa, não para resgatar a autoridade segundo os padrões de comportamento ou lei já estabelecidas, mas sob os seus próprios padrões, que, modo geral, lhe são convenientes e oportunos, ainda que não o seja para o resto da população.
A omissão da Europa em tomar posição diante dos muçulmanos por conta da sensação de culpa ancestral e do manipulador discurso do multiculturalismo; a omissão, antes de Joaquim Barbosa e Moro, da Justiça brasileira em punir os corruptos, são exemplos.
Na Europa, França em especial, o preço está sendo cobrado em vidas e temor. No Brasil, a ausência do exercício do poder limitador, da lei, especialmente do STF, permitiu aos partidos brasileiros, sem exceção, construírem este modelo de devassidão administrativa e política que mais que desviar recursos destrói o conjunto da sociedade e, muitas vezes, a deixa refém.
O exercício da autoridade e o cumprimento do que dela se espera é o que pode nos salvar. Seja na criação dos filhos ou no exercício da Presidência.