A sessão itinerante, o debate sobre liberação da maconha, a luta contra estacionamento pago.
A viagem sem sentido para fiscalizar ônibus, o aberrante discurso fundamentalista religioso, o descompromisso de alguns com as obrigações das sessões, inclusive saindo antes de chegar.
A corrupção endêmica, a tibieza institucional, violência desenfreada, mortes desnecessárias, leniência das leis, deseducação cotidiana, condições primitivas e desrespeitosas de nosso sistema de saúde, ineficiência da educação e perversa contaminação ideológica, supervalorização da cultura rasteira, relativismo moral, indiferença brutal e arrogante da elite, desrespeito ambiental, corporativismo perverso, delinquência sindical, bacanal partidário, falta de escrúpulo de nossos políticos, culto excessivo ao hedonismo, os males do Brasil foram em 2015.
São condições que exigem um esforço monumental para serem vencidas. Ainda somos selvagens, ainda que haja pontos luminosos e sucessos individuais.
A grande esperança é saber que já fomos piores e que somos capazes desta mudança, se quisermos, e não fugirmos de nossas responsabilidades. Fé e participação, Brasil, em 2016, e daremos um país melhor aos nossos filhos.
Foi o ano da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro. Sentenças incontestáveis, agilidade judicial, firmeza de objetivos, postura, recuperação de recursos e encarceramento de gente que até então o mais perto que tinha estado de um presídio era pelo superfaturamento de alguma construção.
Representou a quebra de mitos, iniciada por Joaquim Barbosa – que perdeu um pouco por sua nunca explicada renúncia ao STF e sua arrogância ressentida – e uma dura lição aos maiores golpistas dos recursos públicos. Este sim, um verdadeiro herói da pátria.
O MPF brilhou com a força-tarefa da Lava Jato, embora o Procurador Geral, Janot, nos deva explicações de certas ações que parecem ter mais vigor contra uns que outros (Cunha e Renan, por exemplo, ou Gleise e Pallocci).
A denúncia que resultou na prisão do senador em exercício do mandato (Delcidio Amaral- PT) representou, no entanto, um grande “ponto fora da curva”, que é sempre onde a Justiça devia estar, ao contrário do que diz o tenebroso Ministro Barroso, do STF.
O MPF acaba o ano com um saldo muito positivo.