Por Jessica Feitosa de Almeida
Gostaria de iniciar agradecendo a todos que hoje compõe a nossa mesa diretora e que, certamente, são grandes facilitadores para esse momento único das nossas vidas. Desta forma, gostaria de levar meus cumprimentos à Dra Leda Solano, coordenadora e parte fundadora do curso de medicina da FTC, que não só tornou concretos os nossos desejos, como permitiu que hoje estivéssemos aqui reunidos para desfrutar dessa alegria ímpar que nos traz esta conquista. Cumprimento, ainda, os pais, familiares e amigos presentes. Esses brilhantes olhares de felicidade que vocês nos direcionam fazem esta noite ainda mais bonita. Porém, serão para os rostos iluminados dos meus colegas de turma que irei me dirigir a partir de agora.
Caros colegas, talvez vocês não tenham tomado sua melhor decisão ao me colocar nesse púlpito e me designar a missão de lhes direcionar algumas palavras. Hoje, boa parte da minha família ganha sua primeira médica e uma menina encontra seu céu da amarelinha, o seu sonho de travesseiro. Então, desde já, peço desculpas pela emoção tão aflorada. Bom... Jennifer, minha irmã, eu ainda não posso te dar uma casa, mas queria te dar sonhos. Sonhos de meninos que iniciaram sua caminhada muito antes dos vestibulares aparecerem em suas mesas e de seus corações serem postos em pequenos ‘X’. Sonhos de pessoas que se dedicaram a um objetivo: fazer o melhor naquilo que se propuseram. Sonhos daqueles que acreditaram e se esforçaram muito até encontrarem suas primeiras conquistas. Sonhos dos que, ainda incertos de suas escolhas, depositaram o melhor de si nesta caminhada. Nos encontramos há 6 anos e aprendemos juntos o que significa estar aqui hoje. Trilhamos uma passagem que nos ensinou, ou pelo menos tentou nos ensinar, os valores e preceitos da construção de um profissional. Aliás, desde cedo já começamos a partilhar das responsabilidades que a nossa escolha trazia e ainda tínhamos direito a um brainstorm semanal nas pequenas salas de tutoria. Fomos histofisioanatomomaratonistas para não encontrarmos as portas das salas fechadas e campeãs de paciência da fila diária na biblioteca. Cada degrau alcançado dividia experiências e imprimia sapiência. Começamos a passear pelo raciocínio da clínica até entrarmos as salas de cirurgia. Construímos em nossas mentes desejos incontidos de investigar queixas, encontrar causas e resolver seus enigmas. E mantivemo-nos juntos, mesmo quando nos jogaram bombas de realidade. Foram incontáveis horas de estudo, solitárias ou bem acompanhadas. Mas logo pudemos nos ver carregando a nossa teoria e destilando-a em nossos pacientes, ainda com as mãos receosas de aprendizado. Acompanhamos a beleza de um ser que chega ao mundo e a dificuldade da despedida para os que deixam. E quanto crescimento nos coube neste caminho! Crescemos como estudantes, colegas, futuros profissionais e, como gente, como seres humanos. Hoje estamos aqui, em uma página final de um capítulo cheio de continuidades. Em verdade, somos essa página final hoje.
Somos os sorrisos e a diversão garantida de Rafaela e Taiana; a boa argumentação de Warner; o jeito bonito de Paloma; a genialidade de Yuri; os bons questionamentos de Jacson; a dedicação de Gabriela; a esperteza de Marcelo; a quebra de rotina de Roberta Muniz. Somos a doçura de Fernanda; a força de Raíssa; a efusão de desejos de Cláudio; a capacidade de Victor; o intelecto de João Vidal; e o encanto de Lucas Rocha. Somos a poesia de Isaura; a inteligência de Mayara; o raciocínio de Talita; e a perspicácia de Roberta Gundim. Somos a decisão de Lismara; o silêncio intelectual de Lucas Góes; a simplicidade de Armando; e o desespero de felicidade de Isabelita. Somos a alegria de Keila e Lídia; a receptividade de Fádia; a educação de Érica; e o lindo sorriso tímido de Andréia. Somos as orações de João Paulo; a excelência de Patrícia; a discrição de Antônio Carlos e Priscila; a oratória de Alexsandro; os cochilos produtivos de Gilmar; e o alto astral contagiante de Ciro, Christiano e Fernando Henrique. Somos a capacidade crítica de Ítalo; a meiguice de Lailla; e a resolutividade de Mônica. Somos a espontaneidade de Bárbara, o companheirismo de Francisco e a seriedade genial de Sarah. Somos malvados favoritos, como Átila. Somos a beleza da miudeza das coisas, como eu. Somos isso. Resumidos em um parágrafo, separados em pequenos grupos, unidos nessa nossa conquista. Somos meninos que caminharam e chegaram a um muro. E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está. E o futuro, essa astronave que tentaremos pilotar, irá nos levar a tantos outros sonhos e a mais corredores e a mais aprendizados; e nos fará lembrar daquela trilha que começamos. Aquela que nos trouxe aqui e que nos une em sentimento. Aquela mesma que hoje se bifurca, que hoje se multiplica e que nos levará a sermos meninos cada vez melhores.
FORMANDOS
Não estou estabelecendo um veredicto contra o impeachment, ao contrário, até porque considero Dilma um ser absolutamente incapaz, mas quero assinalar que a carta de Temer foi uma das coisas mais rasas que já vi.
O homem ocupa o segundo cargo da República e escreve uma carta à presidente, eivada de vaidades, de reclamações de prima donna deixada de fora do baile, após ter se comportado de forma servil e conivente em todo período de governo, barganhando cargos, até o limite do próprio interesse.
Agora, ao invés de produzir um documento consistente, firmado em bases técnicas e políticas, que apontasse erros ou saídas, manda um documento digno de um amante rejeitado.
Imagino esta carta registrada em um livro de história e lida com o distanciamento do tempo, por historiadores. Certamente pensarão ter sido publicada originalmente numa revista de frivolidades televisivas. Precisamos exigir mais daqueles que lideram a nação.
A tragédia de Mariana foca a morte do rio Doce, relegando ao anonimato as vidas perdidas e os ainda desaparecidos. É preciso que estejamos atentos para que o crime contra a natureza não sirva de esconderijo para a brutalidade das omissões que resultaram na tragédia. Até o momento o que temos acompanhado é uma assustadora omissão da empresa responsável. Que ao menos a Justiça não se baste com multas ambientais que são executadas em menos de 8% dos casos.
Há cem anos combatemos, sem vencer, o Aedes Aegypti. E, agora, com a zika e os 1800 bebes com microcefalia, somos expostos de forma cruel e absurda ao monumental desrespeito de nossos administradores com a população.
A ausência de investimentos adequados, os desvios dos recursos da saúde, mais que água parada, constituem o verdadeiro foco de proliferação da doença.
As famílias expostas a esta dor interminável, ao custo de assistência à saúde destas crianças, à modificação dos sonhos de suas vidas, amputadas do normal por uma doença evitável, são de uma dureza desesperadora.
Nós, cidadãos, não podemos continuar a tolerar o perfil de administradores que estamos elegendo com nossa indiferença política.
Ao lado da crise moral estamos chegando ao argumento definitivo da crise econômica que afeta a população: inflação de 10,4% ao ano. O custo da inoperância administrativa do governo vai chegar cada vez mais perto do cidadão comum com seu custo social. É preciso reagir antes que se torne incontrolável.