?Pesquisa Brasmarket mostra vitória de Bolsonaro; Ipec mostra
vitória de Lula; Paraná pesquisa mostra empate. Como se trata da mesma eleição
só podemos concluir que nem todos estão certos e alguns estão com metodologias
erradas, seja de forma intencional, seja por incompetência. As pesquisas servem
para influenciar o ânimo de militantes, portanto, não são desprezíveis, embora
tenham falhado escandalosamente no primeiro turno. Agora, ainda que sob ameaça
de uma CPI, parecem não ter corrigido o calibre de suas análises. O que veremos
domingo é qual merece ser jogado no lixo e qual obterá confiança da população.
O ex-deputado Roberto Jefferson, condenado no mensalão petista após denunciar José Dirceu (PT) de quem era aliado, estava em prisão domiciliar a partir da qual produziu inúmeros ataques de baixo calão a ministros do STF. Após o último e pérfido ataque à ministra Carmem Lúcia (STF) teve sua prisão domiciliar revogada.
Quando a PF chegou a
sua casa foi recebida por tiros de fuzil e granadas que causaram ferimentos em
dois agentes da Polícia. Após oito horas de resistência se entregou. A
existência de Jefferson – atual apoiador de Bolsonaro- é uma demonstração de
nossa miséria política e nossa tolerância criminal. Um elemento como ele não
poderia ser presidente de partido, patrocinador de candidatura, nem ser uma
voz aceitável no cenário político do Brasil.
Também é estarrecedor que tenha
fuzil e granadas em casa, mesmo estando em prisão domiciliar, violando completamente
as regras a que está submetido. Atirar em policiais é coisa de bandido e Jefferson poderá ser acusado de tentativa de assassinato. Esperamos que seja
condenado à vida eterna na prisão e que nossa cumplicidade e permissividade com
criminosos não o coloque em liberdade novamente.
As fake-news tornaram-se uma
praga dessa eleição e precisam ser combatidas fortemente, mas esse combate não
pode servir para ações que ultrapassem a garantia constitucional da liberdade
de expressão, principalmente estabelecendo a censura prévia- bruta- como fez o
controverso e autoritário ministro Alexandre de Moraes com a Jovem Pan.
Uma das ações incompreensíveis do
ministro foi a proibição que o ministro da Saúde fizesse um pronunciamento
convocando os pais para vacinarem seus filhos contra a paralisia infantil,
justamente no momento em que temos uma baixa vacinação e ressurgimento do
vírus. É de uma irresponsabilidade, de um desrespeito ao cidadão que estarrece.
Outra proibição que espanta refere-se
a censura ao ex-ministro do STF, três vezes presidente do TSE, Marco Aurélio,
que disse que Lula não foi inocentado, algo verdadeiro na compreensão do STF,
mas que não pode ser dito. Aliás, o ex-ministro disse que “os homens de bem
precisam reagir” a esta atitude.
Essa censura violenta que impede jornalistas
e veículos emitirem suas opiniões é uma violação estarrecedora. A crise se
torna ainda maior quando a ministra Carmem Lúcia declarou que a censura é “inadmissível”,
mas que, em caráter “excepcional “ela não ia cumprir a lei e aceitar o fato. O
ministro Facchin, em incrível salto triplo retórico ao negar uma liminar contra
a censura disse que a ação estava dentro de um “ arco de experimentação
regulatória” uma novidade inacreditável.
É preciso lembrar que a Constituição
garante, inclusive, o direito não apenas às manifestações de fatos, mas a todas
as opiniões, inclusive as exageradas. A parca densidade intelectual de Moraes, extremamente
criticado antes de se tornar ministro da Corte indicado por Temer, trouxe de volta
uma das piores memórias da ditadura: a censura prévia.
Combater o bom combate de reprimir
as fake-news não pode ser transformado em instrumento para violar a liberdade
de opinião da imprensa e do cidadão.
2-É preciso
lembrar que ACM tem um recall alto na capital por sua excelente gestão na
Prefeitura de Salvador, mas nunca teve um mandato que levasse benefícios às
cidades do estado, ao contrário do governo estadual.
3-O “tanto faz”
foi uma escolha infeliz da campanha de ACM Neto - embora compreensível na intenção-
porque foi muito bem rebatida pelo marketing apurado da equipe de Jerônimo.
4-É preciso
lembrar que a Bahia é um estado miserável, com o pior ensino médio e básico do
país, campeã de desemprego e violência, o 17º em Competitividade. Nosso PIB nos
coloca apenas como a sétima economia do país. Além disso, somos o estado
campeão de uso do Bolsa-Família desde que foi criado. Esse perfil econômico e
populacional torna a população extremamente dependente da ação do Estado.
Assim, os benefícios do início da era PT, o trabalho continuado e regular dos
governos do Estado, estão enraizados no imaginário do cidadão baiano que criou
essa ligação com Lula ( 69% dos votos) além, até mesmo, de quem seja o candidato do partido.
5-Apesar dos problemas,
é preciso dar crédito a ideia de um bom governo que o PT construiu aos longos
dos 16 anos de mandato, o que favorece a inércia eleitoral.
6-Interessantemente,
20% dos votos de ACM Neto foram dados por eleitores de Lula, demonstrando mais
uma vez a ligação imaginária com Lula. Acima, inclusive, do governo do Estado.
7-A votação de
Otto Alencar, maior do que a do próprio Jerônimo, mostrou a capilaridade e
penetração que o Senador tem em uma história construída no carlismo e sedimentada
no petismo. A vitória era prevista, mas foi ainda maior que o esperado. Deve-se
ressaltar a expressiva votação da candidata Raíssa Soares com um milhão de
votos.
8-O efeito de
grupo, do petismo mesclado com o carlismo, mostrou-se ao longo desse período uma
estratégia vencedora criada pelos líderes petistas.
9-Durante todos
esses anos nunca houve oposição verdadeira na Bahia. O que sempre tivemos foi um
estado de convivência harmônica. Consequentemente nunca houve desgaste da administração
petista, ficando difícil há pouco mais de trinta dias pintarem o governo como
ruim. Como fica claro, atuações de curto prazo não irão resultar em fim da
hegemonia petista em nosso estado.
10-ACM Neto criou
uma sinuca de bico. Se apoia Bolsonaro corre o risco de perder os 20% dos votos
casados com Lula, que obteve, e que estarão em risco mesmo que não o faça, pelo
efeito de liderança que Jerônimo detém com o primeiro lugar. Se não apoia, não tem espaço para garimpar votos
na quantidade que precisa. Caso fique
neutro- o que não empolga ninguém- corre o risco de perder sem feder ou cheirar.
A outra opção é apoiar Bolsonaro, sem pensar em vitória ou derrota, garantindo
um espaço de projeção nacional em caso de vitória do atual presidente que lhe
permita construir uma oposição verdadeira.
Não será uma decisão fácil!
1- Os institutos de
pesquisa- ou delivery de percentuais- foram seriamente desmoralizados por seus
erros nas avaliações para governador, senador e presidente. Deveriam ser
regulamentadas pelo TSE porque é uma fake-news – isso o TSE não enxerga- que ameaça a democracia ao manipular a fé do
eleitor. Como está não pode mais ficar.
2- O crepúsculo
definitivo do PSDB paulista é o apoio do governador Rodrigo Garcia a Bolsonaro.
Vai ter asa de tucano voando para todo lado.
3-Ao final da eleição
houve uma onda conservadora que emergiu do Brasil profundo. Ela é maior do que
o Bolsonarismo e do que o antipetismo. É a população que se mostra
cansada do ativismo progressista e que elegeu a maior bancada de centro direita
que o Congresso já teve.
4- Moro, Rosângela, Deltan, vão representar a voz dos lava
jatistas no Congresso. A eleição de Moro após todo tipo de perseguição foi um
tapa na cara de todos que defendem e relativizam a corrupção.
5-Bolsonaro conseguiu
o apoio dos governadores dos três maiores colégios eleitorais: Rodrigo, de São
Paulo; Zema, de Minas; Cláudio Castro, do Rio, entrando definitivamente no
jogo. Moro também declarou apoio a Bolsonaro. E há muita chance de Tarcísio
ganhar em São Paulo o que favorece o Presidente. Lula, por sua vez, levou o
PDT, sem Ciro, até o momento. Nesse início, Bolsonaro tem se saído melhor nas
alianças.
6-O sistema de
votação eletrônica é absolutamente seguro, não cabendo mais nenhuma tentativa
de desacreditá-lo como fizeram de forma bizarra e irresponsável o presidente
Bolsonaro e os jornalistas a seu serviço.
8- A Bahia tornou-se
uma capitânia hereditária lulista, sendo que metade dos votos que ele tem na
liderança da disputa no primeiro turno foram obtidos em nosso estado.
9- A taxa de
renovação na Câmara foi de apenas 45%, o que sinaliza que o Congresso não será
muito diferente da aberração que é. O fundo partidário ajudou os nomes
conhecidos a continuarem no loteamento do poder.
10-Ao fim, foi uma
bela festa democrática. O único senão foi dado exatamente por Alexandre de
Morais, presidente do TSE, que pilotou um inquérito ilegal, perseguiu conversa
de WhatsApp, violou a Constituição, e construiu uma biografia de barbárie legais
em suposta defesa da democracia.