A morte do indigenista Bruno e do jornalista Dom, na Amazônia, está cobrando um preço caro para o presidente Bolsonaro e para a imagem do Brasil no exterior. As mortes de agora não diferem das mortes de outros ambientalistas como Chico Mendes, em 1988, ou a freira Dorothy Stang, em 2005, durante o governo Lula, em uma selvagem rotina de impunidade e medo. É claro que Bruno sabia dos riscos e tinha dispensado a escolta nessa viagem, mas é evidente, também, que os governos vêm tolerando a ocupação da Amazônia por garimpeiros ilegais, traficantes, grileiros, pescadores, e outros aventureiros, sem resposta à altura.
Durante o governo Bolsonaro a
situação tornou-se pior porque há um discurso presidencial de tolerância, de
cumplicidade, com a ocupação desordenada, o que incentiva os predadores a invadirem aquelas terras, e eliminarem os que tentam preservar a floresta. Além disso,
temos a rasura cognitiva de Bolsonaro que o impede de ter empatia com as
vítimas que não lhe interessa- e pouco importa não haver liturgia do cargo que
ocupa- o que ampliou de forma exacerbada a rejeição internacional. O que fica
claro, muito claro, é que as ações dos governos estão sempre aquém das necessidades
da região, do ponto de vista de infraestrutura, segurança e preservação. Enquanto
isso, famílias enlutadas continuarão a chorar suas perdas!
Segundo Lula, “os meninos” apenas tinham cometido um erro – não um crime- embora não custe lembrar que um dos sequestradores, o chileno Sergio Urtubias, foi preso em 2020 acusado de matar o vigia do Banco Estado com um tiro. Os bandidos pediram US$ 30 milhões de resgate à família e o empresário contou em entrevista que ficou no cativeiro em um caixote onde não conseguia ficar em pé e precisava encostar o nariz em um cano para puxar o ar. Quando a polícia descobriu o cativeiro encontrou farto material do PT, mas todo envolvimento com o partido foi negado.
Agora, Lula, afirma sem o menor pudor
que interviu diretamente para libertar o bando que cometeu o sequestro, dando
pouca importância à vítima, à Justiça brasileira que condenou o grupo, e ao
cidadão que não compactua com impunidade para um crime tão grave. É
estarrecedor que ele revele publicamente um ato tão abjeto cometido em parceria
com FHC e Renan Calheiros.