De acordo com o instituto, 41% dos candidatos aptos até o momento receberam
algum recurso, portanto, 59% não receberam nada. Há diferença entre valores
destinados aos veteranos e aos novatos. A mediana para candidatos à reeleição
de deputado federal é de R$ 1,3 milhão, enquanto à dedicada aos que não são
candidatos à reeleição é de R$ 90 mil, 14 vezes menos. Para deputado estadual,
essa relação é de R$ 200 mil (candidatos à reeleição) para R$ 30 mil (não
candidatos à reeleição). Já para senador, de R$ 3 milhões para R$ 950 mil.
Os candidatos à reeleição
representam apenas 4,7% (1.315) do total, mas já acessaram 29,4% do fundo, ou
seja, R$ 917 milhões de reais, até o momento. Para eles, a média de verba
recebida é de R$ 858 mil reais, enquanto a média de recursos para os não
candidatos à reeleição é de R$ 184 mil reais (4,6 vezes menos).
A pesquisa utilizou informações
do TSE divulgadas até 3 de setembro deste ano. Naquela data, já tinham sido
distribuídos R$ 3.101.040.192,86 (3,1 bilhões de reais) a 14.267 candidatos.
Os dados mostram que o Fundo
Eleitoral não está sendo usado para renovação ou inclusão de minorias (há dados
específicos), ao contrário, um pequeno número de candidatos que domina a
burocracia partidária é que está recebendo a maioria esmagadora dos recursos
levando a baixa renovação e perpetuação do poder. O Fundão não está garantindo
a democracia, ao contrário do discurso com que foi vendido. Não é à toa que a
sabedoria popular já mostrou sua rejeição.
A medida que se aproxima a
escolha do novo governador, Feira, pergunta: quais propostas eles têm para nossa
cidade? O governo de Rui Costa iniciou a modernização de algumas escolas
estaduais, a duplicação da rodovia BA-502 que vai do Tomba a São Gonçalo,
ampliação do HGCA ( R$ 17 milhões), e concluiu o aumento do sistema de abastecimento de agua. A saúde foi
o setor que mais recebeu investimentos do estado nos últimos anos com uma total
de R$160 milhões.
O Aeroporto, por sua vez, é uma
obra definitivamente empacada e que nunca teve a simpatia do governo do estado,
assim como a Lagoa Grande que nunca foi concluída apesar de ter sido anunciado
em Dezembro de 2019 que faltavam apenas 8% do geral para ser finalizada, e 32%
do saneamento.
Considerando que Feira é a
segunda cidade do estado e a mais populosa fica a impressão que não tivemos
mudanças estruturantes grandiosas. Evidente que há outras obras menores, mas a
pergunta que fica é qual será a ação do Estado concluído estas ações
importantes, mas pontuais que estão sendo feitas? Como Jerônimo pensa Feira em seu governo?
Essa pergunta serve também a ACM Neto. Como
ele pretende resolver essas obras que vivem entaladas na goela do feirense,
como o Centro de Convenções, abandonado lá no governo de seu correligionário Paulo
Souto? Como melhorar a caótica segurança, a urbanização da Lagoa Grande, o
Aeroporto, o Centro Industrial, a interseção da Br 324 com a 116,intermediação
com o governo federal para ampliar a Polícia Federal de posto para Delegacia, a Região Metropolitana que não passou de um
sonho de verão?
A presença de José Ronaldo, atual Coordenador de campanha, deve ter algum peso e influência que nos beneficie,
mas é preciso que os candidatos pontuem como Feira será tratada, considerando a forma, dimensão, importância,
que ela tem, pois não tem sido correspondente desde que João Durval foi governador.
No palanque, Bolsonaro, manipula o STF como deseja e Alexandre de
Moraes lhe dá os instrumentos com seu “jurismo de punhos”, como no caso da
absurda e indescritível busca e apreensão de empresários bolsonaristas por
conversas privadas em grupos de mensagens. Ao fazer isso, o STF, dá ao presidente
o “inimigo externo”, o discurso de vítima - que ele usa com maestria, diga-se
de passagem- para empolgar seus eleitores, como fez hoje. Ao fantasiar-se de
perseguido Bolsonaro capta o imaginário popular e o usa a seu favor. As piadas
de estética machista que tanto causa horror nada mais é que
aquelas que são repetidas em milhares de locais do país. Não são aceitáveis
como conversa civilizada de um chefe de nação, mas o eleitor acaba se sentindo
identificado em muitas delas.
Por mais que parte da intelectualidade rejeite esse tipo de
ato o que importa analisar é se as manifestações mostraram um impacto além do
esperado pelos seus adversários, o que de fato aconteceu. A medida que a
eleição de aproxima há uma tendência de acirramento de ânimos, mas também de
definição do eleitor preso na bipolaridade de Lula- que não consegue se livrar
do estigma de corrupto- e Bolsonaro- que não consegue se livrar do golpismo. E
parece, pelas imagens, que jogo não está decidido como faziam crer as pesquisas
de opinião. Caso tivessem sido um fiasco o resultado enterraria pretensões do
candidato e ocuparia todas as análises. Como não foram busca-se apontar eventuais
pontos negativos do comportamento pessoal dele. A eleição, que fique claro, não
vai se definir por esses detalhes em detrimento ao impacto geral. Vamos aguardar os resultados das novas avaliações o
que irão mostrar.