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Justiça

Considerada culpada pela morte do marido, Flordelis tem condenação a 50 anos de prisão mantida pela Justiça

05 de Abril de 2024 | 11h 51
Considerada culpada pela morte do marido, Flordelis tem condenação a 50 anos de prisão mantida pela Justiça
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu, por unanimidade, negar recurso de apelação impetrado pela defesa da ex-deputada federal Flordelis dos Santos, considerada culpada pelo assassinato de seu marido, o pastor Anderson do Carmo, com mais de 30 tiros. O crime ocorreu em junho de 2019 e contou com a participação de parte dos filhos biológicos e adotivos da ex-parlamentar, que também era pastora evangélica.

De acordo com a Agência Brasil, a alta cúpula do TJRJ deliberou pela manutenção da condenação de Flordelis a 50 anos e 28 dias de prisão, por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio duplamente qualificado, uso de documento falso e associação criminosa armada. A sentença foi imputada, em novembro de 2022, pela 3ª Vara Criminal de Niterói (RJ), após sete dias de julgamento em júri popular.

Os desembargadores também decidiram manter as condenações, por envolvimento no mesmo crime, de Simone dos Santos Rodrigues, filha biológica de Flordelis; Adriano dos Santos Rodrigues, filho biológico da ex-parlamentar; e de Carlos Ubiraci Francisco da Silva, filho afetivo da assassina.

Além disso, a 2ª Câmara Criminal também deliberou pela anulação da absolvição, pelo Tribunal do Júri de Niterói, de outras três pessoas acusadas de participar da execução de Anderson do Carmo: Rayane dos Santos, neta biológica da ex-deputada; Marzy Teixeira e André Luiz de Oliveira, filhos adotivos de Flordelis. Um novo julgamento será marcado.

O HOMICÍDIO – Conforme o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), Flordelis planejou a execução do marido, morto dentro da residência do casal, em Pendotiba, na cidade de Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ), no dia 16 de junho de 2019.

A denúncia aponta que a ex-deputada também convenceu o executor direto e os demais acusados de participação no crime a simularem um latrocínio. Segundo o órgão, ela financiou a compra da arma do crime e avisou sobre a chegada do marido à garagem da casa, onde ele foi morto.

O inquérito policial revelou que o homicídio foi motivado pelo rigor com que Anderson do Carmo controlava as finanças da família e administrava os conflitos. O inquérito aponta que a vítima também não permitia tratamento privilegiado às pessoas mais próximas de Flordelis, em detrimento de outros membros da família, que é numerosa, já que a ex-parlamentar, além de quatro filhos biológicos, tem mais de 50 filhos adotivos.

ALICIAMENTO E ORGIAS – No decorrer do processo, as investigações feitas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) mostraram que trama macabra que culminou na morte do pastor envolvia diversas condutas ilícitas.

Testemunhas relataram que tanto a vítima quanto Flordelis mantinham relações sexuais com os filhos adotivos. Além disso, a ex-deputada também teria oferecido, sexualmente, uma "filha afetiva" a pastores pentecostais estrangeiros, durante visita à casa da família. A prática de aliciamento não era incomum, segundo o inquérito. As testemunhas também relataram que o casal realizava "noitadas em casas de swing".

Envenenamentos De acordo com os autos, Flordelis, antes de planejar a execução do marido, com quem foi casada por 25 anos, tentou envenená-lo, diversas vezes, com arsênico e cianeto.

Os intentos de matar Anderson do Carmo por esta via duraram quase dois anos, segundo a polícia. Conforme o processo, Flordelis fez o marido ingerir os venenos em, pelo menos, seis ocasiões. A prática resultou em diversas internações hospitalares, por sintomas como vômito e diarreia.

CONTORNOS BÁRBAROS – De acordo com o portal de notícias g1, na sentença condenatória proferida pela juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce consta a observação de que, apesar da condição de ré-primária, a condenação se justificava pelo fato de a culpabilidade de Flordelis se revelar de forma acentuada, “com alto grau de reprovabilidade e censurabilidade, posto que, tendo ciência inequívoca da ilicitude de sua conduta, não se intimidou com a prática do crime, com a audácia extremamente reprovável, planejando a execução brutal e fria da vítima, com diversos disparos, conforme se depreende do esquema de lesões e laudos acostados aos autos”.

Para a magistrada, o crime teve contornos bárbaros. “A ação criminosa evidencia, portanto, verdadeira e bárbara execução, caracterizando uma demonstração explícita de ódio. Os diversos disparos efetuados contra a vítima, de 42 anos de idade, concentraram-se em regiões vitais, como crânio, tórax e abdome”, destacou.

A juíza apontou, ainda, que a brutalidade do homicídio chocou a sociedade, tendo, inclusive, repercutido para além das fronteiras do país, desconstruído a imagem de família perfeita pregada por Flordelis, especialmente nas igrejas coordenadas por ela e seus familiares.



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