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  • Feira de Santana, quarta, 15 de abril de 2026

César Oliveira

Corrupção: o veneno que infiltra, maltrata e corrói a sociedade

César Oliveira - 15 de Abril de 2026 | 07h 57
Corrupção: o veneno que infiltra, maltrata e corrói a sociedade
Foto: AFP

A corrupção não se limita ao desvio pragmático de recursos públicos; ela é um fenômeno cujas consequências vão além da apropriação indébita das verbas do Estado, agindo como um ácido que corrói as instituições e a própria substância da Democracia.

O Estado Democrático de Direito não é violado apenas por atos simbólicos ou tanques, mas também de modo sutil e pernicioso, através da desvalorização do ordenamento legal, solapado pelo tráfico de influência, compra da impunidade e obsessão pelo enriquecimento ilícito.

Cada desvio material corresponde a um serviço público subtraído do cidadão: é o prato vazio de quem tem fome; a ausência de socorro ao enfermo; e a desassistência que condena os socialmente excluídos à perpetuação da miséria.

Contudo, emerge um elemento ainda mais abjeto quando a "bile pantanosa" dos acordos escusos transborda, revelando que sentenças são mercadorias em um imenso balcão de negócios, no qual se transformou parte do Poder Judiciário, em cumplicidade com os demais poderes.

Essa infiltração maligna e progressiva ocupa o sistema político e judicial e ambos reagem de forma defensiva, articulando mecanismos de obstrução jurídica e proteção criminal que lesam, frontalmente, a Constituição Federal e o Código Civil.

Quando magistrados de Cortes superiores exibem contratos de advocacia vultosos, participações em resorts de luxo e institutos de educação, enquanto desfrutam da intimidade de banquetes e uísques com figura de idoneidade questionável, torna-se evidente o naufrágio no pântano das indecências.

Políticos e magistrados parecem ignorar os limites éticos e o respeito à instituição que representam, apodrecendo-a, à medida que se submergem em escândalos financeiros, que anunciam o crepúsculo moral do STF, estilhaçando a confiança do cidadão e rebaixando a majestade da lei.

A violação sistemática dos princípios legais, por membros do topo das hierarquias política e jurídica — entre voos de jatinho e o cinismo da ostentação —, é um cenário intolerável, que ameaça mergulhar a nação na anarquia e na desobediência civil, uma vez que tais figuras perdem a legitimidade necessária para o exercício de seus cargos.

Como bem disse Rui Barbosa, todo poder absoluto corrompe o homem que o possui. Nesse sentido, a atuação de figuras como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes exige o rigoroso escrutínio e o afastamento, pelo Congresso Nacional, especialmente diante de abusos de poder e ameaças dirigidas a quem tenta investigar essas práticas imorais.

Immanuel Kant dizia que a corrupção sistêmica era uma violência moral que mina a confiança pública e distorce a justiça. É um câncer, que contamina os valores morais imprescindíveis à vida social.

A corrupção sistemática, mostrada na imprensa, de membros dos sistemas político, policial, judicial, entre voos de jatinhos, tragadas de charutos e mulheres bonitas disponíveis, é estarrecedora e intolerável.

Hannah Arendt, filósofa, argumentava que o mal muitas vezes surge da inércia e da conformidade com estruturas de poder. Nós, brasileiros, temos a obrigação de nos indignarmos e exigirmos mudanças, pois nosso silêncio é o que deseja os imorais do poder. E eles devem ser afastados antes que concluam seu golpe na Democracia.



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