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Justiça

Ex-vereador acusado de matar grávida é condenado a 34 anos de prisão, na Bahia

17 de Outubro de 2025 | 18h 14

O corpo da vítima nunca foi encontrado

Ex-vereador acusado de matar grávida é condenado a 34 anos de prisão, na Bahia
Fotos: TSE/Redes sociais

Acusado pelo desaparecimento e morte de Beatriz Pires da Silva, o ex-vereador Valdnei da Silva Caires foi condenado a 34 anos e 24 dias de prisão. Ele foi julgado nesta quinta-feira (16), no município de Barra da Estiva, situado na região Sudoeste da Bahia.

Segundo os autos, a jovem desapareceu em 2023, quando tinha 25 anos. Ela era mãe de uma criança de 2 anos e, na ocasião, estava com seis meses de gestação. Para a Justiça, o político, que é mais conhecido como Bô, era o pai do bebê. O corpo da vítima nunca foi encontrado.

O inquérito realizado pela Polícia Civil da Bahia (PCBA) aponta que Beatriz Silva foi vista com vida, pela última vez, no dia 11 de janeiro de 2023, ao entrar em um carro pertencente ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra da Estiva.

Segundo os investigadores, o veículo costumava ser usado pelo suspeito, que, à época do crime, exercia mandato de vereador na Câmara Municipal de Barra da Estiva.

A corporação detalhou que, antes de desaparecer, a jovem teria comentado com a mãe que faria uma viagem com o pai do filho dela. A família, no entanto, não sabia de quem era o pai da criança, uma vez que a vítima não havia revelado a identidade dele.

Conforme a PCBA, ficou confirmado que Beatriz e o acusado tiveram uma relação amorosa. No dia 21 de junho de 2023, o então parlamentar foi preso, por homicídio qualificado, em cumprimento a uma ordem judicial de prisão preventiva.

Posteriormente, no dia 12 de julho de 2023, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) denunciou Valdnei Caires por feminicídio. A promotoria apontou que o crime foi motivado pelo fato de o político não querer assumir o relacionamento com a vítima e a criança que ela estava esperando, “tendo em vista que o vereador gozava de grande prestígio na cidade”.

Logo após a prisão, o acusado teve o mandato legislativo cassado, por unanimidade, durante uma sessão extraordinária realizada pela Câmara de Vereadores de Barra de Estiva.

ABORTO – À imprensa, Célia Pires, mãe de Beatriz, contou que a filha também nunca revelou quem era o pai do seu primeiro filho, então com 2 anos de idade. Segundo ela, quando a jovem engravidou pela segunda vez, a família questionou se as crianças eram do mesmo pai. A resposta teria sido positiva.

A mãe de Beatriz disse, ainda, que o suposto pai de seus netos chegou a pedir a Beatriz para interromper a gestação de seu segundo filho. "Ela tinha comentado, antes, que ele queria que ela fizesse um aborto desse segundo bebê, que era menino, também", lembrou.

O RÉU – Valdnei Caires, de 56 anos, é agricultor e casado, segundo informações veiculadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele se elegeu vereador pela primeira vez em 2008, pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B).

Depois, em 2012 e em 2016, foi novamente eleito, pelo mesmo partido político. Em 2020, voltou a disputar as eleições para o mesmo cargo, mas, desta vez, pelo Progressistas (PP), tendo sido eleito para mais um mandato.

Conforme o TSE, m disputadas, o no último pleito disputado, o político declarou R$ 673 mil em bens, o que incluía dois carros, duas fazendas e uma casa.

Em 2023, Valdnei Caires ocupou o cargo de presidente da Câmara Municipal de Barra da Estiva, mas renunciou ao cargo durante as investigações sobre o desaparecimento de Beatriz.

Na ocasião, cerca de dez vereadores protocolaram, na Justiça, um abaixo-assinado que pedia que o presidente da Casa Legislativa abandonasse o posto. Apesar disso, ele seguiu como vereador até ser preso. Desde então, o acusado não disputou outra eleição.

 

 

 



 

*Com informações do g1 BA.



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