O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deliberou, nesta sexta-feira (27), pela anulação da decisão Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado que quebrou os sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridth Participações, ligada à família do ministro Dias Toffoli, também membro da Suprema Corte.
Para o magistrado, o objeto de investigação
da CPI não tem relação com o Banco Master. Assim, disse ele, a quebra de sigilo
deve ser anulada por desvio de finalidade.
De acordo com a Polícia Federal (PF), fundos de investimentos
ligados ao Master realizaram transações financeiras com a Maridth, que foi
proprietária do resort Tayayá, localizado no Paraná.
No entendimento de Mendes, entretanto, “qualquer espécie de
produção probatória (quebra de sigilos, depoimentos, elaboração de relatórios)
em circunstâncias desconexas ou alheias ao ato de instauração configura
flagrante desvio de finalidade e abuso de poder, na medida em que a imposição
de medidas restritivas só se justifica juridicamente quando guardam estrito
nexo de pertinência com o objeto que legitimou a criação da comissão”, disse.
Na última quarta-feira (25), a CPI aprovou a quebra dos sigilos da empresa, que teria participação ao
resort de luxo ligado ao Banco
Master. A CPI também aprovou requerimentos de convites, para o ministro Dias
Toffoli, e de convocação, para seus irmãos, José Carlos Dias Toffoli e José
Eugênio Dias Toffoli, ambos sócios do empreendimento.
Ontem (26), o ministro André Mendonça, do STF, decidiu que os
irmãos de Toffoli não são obrigados a
comparecer à Comissão Parlamentar de Inquérito. Instalada em novembro de 2025, a CPI tem como finalidade produzir
um diagnóstico sobre o crime organizado no Brasil e propor medidas para
combater facções e milícias.
*Com informações da
Agência Brasil.