Em que pese ter tentado sem êxito, seis vezes, tornar-se prefeito, o deputado federal Zé Neto segue sendo o mais vigoroso nome da oposição a José Ronaldo, em Feira de Santana para a disputa de 2028, ainda distante. Ele deu uma demonstração de força neste domingo, quando realizou mais uma grande "plenária" de seu mandato. O evento tornou-se uma tradição. Acontece há 26 anos, desde quem ele se tornou vereador e nunca mais deixou de estar exercendo um mandato legislativo. É um encontro para debate político sobre vários temas, mas também festivo, quase gastronômico.
Sim, havia muita gente, de fato, e não apenas de Feira, mas de dezenas de municípios onde o deputado tem voto. Fala-se em duas mil pessoas presentes, mas a prudência manda reduzir um pouco esse número. Quem faz as contas costuma exagerar. O governador Jerônimo Rodrigues, evidentemente, não compareceu, nem deve, em eventos dessa natureza. Afinal, teria que prestigiar todo encontro avaliativo de deputados federais ou estaduais do grupo, o que, convenhamos, seria uma chatice. Mas enviou mensagem em vídeo.
Não li na imprensa que o senador Jaques Wagner e o ministro Rui Costa, ambos petistas, tenham gravado depoimento, o que me parece uma lacuna interessante, em um acontecimento envolvendo aliado de tamanha grandeza. Se foi o próprio Neto que não solicitou mensagem alguma, falharam ele e sua assessoria. Se as duas personalidades receberam um pedido mas não deram a devida atenção, erraram.
Muito presente em Feira de Santana, mesmo cumprindo mandato em Brasília e com tantos compromissos em Salvador, Zé Neto é um deputado atuante, reconheçamos. Participa da vida desta cidade, contribui com emendas orçamentárias para vários segmentos, especialmente a saúde, através da Santa Casa de Misericórdia e do Hospital Geral Clériston Andrade. Dialoga bem com governos Estadual e Federal reforçando a cobrança da sociedade por obras importantes.
Com uma reeleição bem encaminhada ao parlamento federal - é um dos favoritos para a representação baiana na Câmara, com cacife para ser o mais votado entre os eleitos pelo PT. Zé Neto é, inegavelmente, a maior estrela da oposição local, cotadíssimo para um novo enfrentamento com Ronaldo ou quem o prefeito indicar no próximo embate municipal. É o que certamente as pesquisas dirão.
O deputado bateu nas duas traves, nas eleições de 2020 e 2024. Contra Colbert Filho, levou a disputa ao segundo turno, ganhou o status de favorito, mas faltou algo em sua campanha, para finalmente conquistar o Paço Maria Quitéria. Talvez o Estado não tenha tido o apetite necessário, na ocasião, para ajudá-lo um pouco mais. Neste último pleito, enfrentando o seu grande algoz nas urnas, o multi-campeão Zé Ronaldo, o chute de Neto atingiu a outra trave. Há quem diga que se ele leva eleição passada novamente para a prorrogação, desta feita venceria. Faltaram-lhe poucos votos.
Assim, a esquerda deverá insistir com ele em 2028, quando, não vencendo, acertaria desta vez o travessão. O grupo em que ele está inserido não dispõe de alternativas com a mesma capacidade de articulação, pelo menos até aqui. E vai ser difícil formar alguém até lá. Há algum tempo, Zé Neto vem reforçando a estratégia de relacionar-se mais com o empresariado, um dos pontos fortes do rival Ronaldo. Sem deixar de lado a sua origem, forjada nas camadas mais populares, com ênfase para as classes trabalhadoras, é visível o esforço, e tem dado resultados, pela proximidade com dirigentes de órgãos do empresariado, como a Câmara dos Dirigentes Lojistas.
Na eleição de 2022, escolheu para seu candidato a vice-prefeito o empresário Roque Santos, presidente da rede de Atacados São Roque. Neste segundo mandato de deputado federal, também em Brasília ele vem buscando os segmentos que movimentam a economia. É vice-presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo e coordenador da Rede Global de Parlamentares do Banco Mundial no Brasil.
Recentemente, foi destaque no noticiário nacional o projeto de lei de sua autoria defendendo interesses dos Centros de Formação de Condutores (CFCs). Estas empresas, que atuam no ensino de futuros motoristas se tornariam, segundo a proposta, exclusivas na prestação deste serviço. Diz a nota do Portal da Câmara: ao inserir essas definições na lei federal, o deputado visa proteger as cerca de 15 mil empresas do setor no país, que investem em infraestrutura e pessoal mas vivem (conforme o parlamentar) sob "sentimento de incerteza e segurança".
Salvo melhor juízo, se com Zé Neto é difícil a oposição vencer o próximo pleito municipal em Feira de Santana, com algum dos quadros que se apresentam no tabuleiro, os secretários Felipe Freitas, da Justiça e Direitos Humanos, e Roberta Santana, da Saúde, o quadro se desenharia ainda mais complicado, por serem desconhecidos da grande maioria dos feirenses. Um outro nome, provavelmente, apenas surgirá se o deputado se disser exausto, depois de tantas batalhas perdidas. No entanto, concorrentes internos dele não contem muito com esta possibilidade. O homem já mostrou que, persistência, é com ele mesmo.
Sábado e domingo são dias apropriados para notícias mais leves, reconhecimento de coisas boas que aconteceram durante a semana. Em Feira de Santana, algo bastante positivo, nesta sexta, foi a diplomação de agentes comunitários de saúde (ACS) e de combate às endemias (ACE), após terem feito curso técnico para melhorar a capacitação.
Promovido pelo programa "Mais Saúde com Agente", o curso qualificou 447 profissionais. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a formação teve como objetivo "ampliar conhecimentos e desenvolver habilidades essenciais para o cuidado em saúde, com foco no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), da Atenção Primária e das ações de vigilância em saúde".
A população reconhece a importância da ação desses agentes. Ao cumprirem carga horária diária, durante um ano, para aprendizagem e atualização de conhecimentos, eles dão um passo importante para melhorar a atividade e buscar bons resultados. "O trabalho na área exige diálogo constante, responsabilidade e compromisso com o cuidado humano", registrou o secretário de Saúde, Rodrigo Matos.
A chefe da Vigilância Epidemiológica, Verena Leal, destacou que a qualificação profissional é "reconhecimento à importância das categorias para o fortalecimento da saúde pública". A chefe da Atenção Primária à Saúde, Verônica Cavalcante, lembrou que estes profissionais têm papel fundamental na Atenção Primária, porta de entrada do Sistema Único de Saúde.
Bonito mesmo foi ver o entusiasmo dos agentes. Com 25 anos de experiência, Marize de Jesus Ferreira destacou entre os conteúdos abordados as doenças transmissíveis, crônicas não transmissíveis, além de diabetes tipos 1 e 2, hipertensão arterial e o cuidado com pessoas em situação de maior vulnerabilidade: “A gente aprendeu a ter um olhar mais atento e diferenciado para as pessoas com comorbidades, que precisam de mais atenção durante as visitas domiciliares".
Janilde Silva de Souza, há 27 anos atuando no distrito de Jaguara, participou da cerimônia acompanhada da filha e dos três netos. Ela aprimorou conhecimentos importantes como aferir corretamente a pressão arterial, medir a glicemia e noções de primeiros socorros.
Melhor que o governador Jerônimo Rodrigues, atrás do prefeito da capital, Bruno Reis, e da prefeita de Conquista, Sheila Lemos, a avaliação do governo José Ronaldo tem 50,66% de aprovação do povo feirense, em pouco mais de um ano de mandato. A Tribuna não considera a avaliação "regular" como aprovação, nem rejeição.
De acordo com a pesquisa, realizada pelo instituto Secullus nos dias 5 e 6 de março, ouvindo 600 pessoas com 16 anos ou mais em diferentes regiões do município, a gestão da maior cidade do interior da Bahia recebe conceito ótimo por parte de 13,33% dos entrevistados e bom, por 37,33%. A administração é regular, que não é uma nota ruim, mas também não reflete aprovação, para 26,67%. As opiniões para o conceito ruim somam 7,50% e péssimo, 12,50%. Não opinaram 2,67%. O estudo possui intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 4 pontos percentuais para mais ou para menos.
Jerônimo Rodrigues, de acordo com pesquisa realizada pelo Real Time Big Data divulgada nesta sexta, 25% dos entrevistados classificam a sua administração como ótima ou boa, enquanto 43% consideram o governo regular. Por outro lado, 31% avaliam a gestão como ruim ou “péssima, enquanto 1% disseram não saber ou preferiram não responder.
A gestão do prefeito de Salvador, Bruno Reis, segundo o instituto Paraná Pesquisas, em 12 de agosto do ano passado, foi avaliada como ótima por 27,7% e boa por 31,8%. Total de aprovação, 59,5%. Responderam regular 26,5%. A rejeição somou 12,1% (ruim 4,4% e "péssima 7,7%). Não sabe/Não opinou, 1,8%.
Terceira maior cidade do Estado, Vitória da Conquista tem a seguinte avaliação, sob a gestão de Sheila Lemos, conforme pesquisa da Secullus, em julho do ano passado: aprovação de 54,59% (22,05%, boa e 32,54%, ótima); 29,48, regular, enquanto a reprovação é de 13,7% (6,4%, ruim e 7,3%, péssimo).
Em Lauro de Freitas, a única pesquisa até aqui anunciada, sob a responsabilidade da Real Time Big Data, de avaliação da prefeita Débora Regis, foi dos primeiros 100 dias: aprovação de 37% (ótimo, 10%; bom: 27%); regular, 36%; ruim, 14%; péssimo, 9%. Não souberam ou não quiseram responder: 4%. O prefeito Caetano, de Camaçari, segundo pesquisa do mesmo instituto, realizada em junho de 2025, com "avaliação qualitativa" do trabalho, 8% classificaram como ótimo, 24% como bom (total de 32%) e 31%, regular. Por outro lado, 22% consideraram o desempenho ruim e 9%, péssimo.
O Instituto Compasso avaliou a gestão do prefeito de Itabuna, Augusto Castro, em julho do ano passado. A aprovação dele tem um total de 30,29% (7,45 ótimo e 22,84, boa). Regular são 47,7. A reprovação alcança 6,26 (ruim) e 15,49 (péssima). Também no sul do Estado, a administração de Ilhéus foi avaliada em agosto pela Rede Portal, segundo o site "Boca News". De acordo com a pesquisa, 19,57% consideram o governo ótimo; 36,43% avaliam como bom; 29,57%, regular. Para 2,29%, a gestão é ruim e 3,14% a consideram péssima, enquanto 9% não souberam ou não quiseram responder.
Buscamos dados sobre avaliação governamental nas cidades de Juazeiro e Alagoinhas, mas não há publicação de estudos realizados por empresas de pesquisa de algum renome.
"Para um bom entendedor, meia palavra basta", diz o ditado popular. Segundo definição encontrada nos dicionários e googles da vida, significa que pessoas perspicazes ou com afinidade prévia (ao assunto) compreendem rapidamente uma mensagem, sendo desnecessárias explicações. Indicam essas fontes que "a frase valoriza a síntese e a interpretação de entrelinhas, agindo como um 'subentendido' em conversas, especialmente quando o interlocutor tem experiência no tema". Mas há também uma advertência. Levar a expressão ao pé da letra pode ser arriscado, abrindo margem para falhas de comunicação, em situações que exijam "clareza absoluta".
O experiente apresentador do "Acorda Cidade" (Sociedade News), radialista e jornalista Dilton Coutinho, fez uma excelente entrevista com José Ronaldo, na quarta-feira, em que conseguiu arrancar do prefeito uma informação inédita, a de que recebera convite para ser o candidato a vice-governador nas duas principais chapas majoritárias em formação para o combate de outubro próximo, uma encabeçada por seu aliado do União Brasil, ACM Neto, e a outra pelo petista Jerônimo Rodrigues, que busca a reeleição.
A negativa aos dois convites, pela permanência à frente do Poder Executivo Municipal, o prefeito confidenciou em outra entrevista um pouco antes, no domingo, ao radialista Nivaldo Lancaster, do programa "Boca de Forno", da mesma emissora. Esta segunda informação não chegou a surpreender, diferentemente da que Ronaldo deu com exclusividade a Dilton. Ao responder "sim, sim!", com bastante ênfase, à pergunta "o senhor foi convidado pelo grupo do governador Jerônimo Rodrigues?", o prefeito desvendou um certo mistério que havia em torno do tema.
Todos suspeitávamos que o PT desejava Ronaldo, mas não havia certeza de que lhe haviam oferecido um importante cargo. Aliás, acolher a quem adere ao seu projeto com funções de peso não é um ponto forte dos petistas. Algumas lideranças feirenses, a propósito, foram atraídas, nos governos Rui Costa e Jaques Wagner, mas nenhuma delas aproveitada no primeiro escalão governamental. Eram ex-deputados, federal e estadual, evidentemente, peso menor que o de um prefeito em quinto mandato.
Ele apenas não disse de quem partiu o convite. O âncora insistiu de várias formas.
- Foram Jerônimo, Rui (o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa) e Wagner (o senador Jaques Wagner)?.
- Aí, você já está querendo saber demais.
- Qual foi o argumento, para lhe convidar?
- Quem conversa comigo pode ter a certeza de que, o que não puder ser comentado, levo para o túmulo.
- Qual das propostas mais impactou o senhor?
- O convite me honra, tanto de uma casa quanto da outra.
Isto posto, vamos ao que de fato interessa - e, aqui, vale a menção ao ditado popular, no início destas conjecturas. Coutinho, no calor de uma entrevista que durou mais de 40 minutos, provavelmente não percebeu. Mas no silêncio do meu escritório de trabalho, podendo ouvir a resposta três vezes e refletir nela, me permito chegar a uma conclusão: a de que Ronaldo, inadvertidamente, encerrou a dúvida que muitos ainda têm, sobre se ele apoiará Jerônimo Rodrigues ou se mantém afastado da campanha, nestas eleições - o que não deixaria de ser um auxílio velado à reeleição do governador.
Pergunta Dilton: Pessoal fala que o senhor ainda não esqueceu aquele escanteamento que o senhor levou na chapa na época para entrar a menina da TV Aratu. E que o senhor ainda tá magoado e vai cruzar os braços.
O entendimento aqui é que o apresentador se refere a cruzar os braços nesta campanha que se avizinha, deixando de apoiar a ACM Neto declaradamente.
Responde Ronaldo: Vou lhe falar como se do meu lado aqui agora estivessem sentados meus três filhos, que amo profundamente. Não há nada disso!
"Não há nada disso!" é uma resposta que decifra a outra parte do enigma. Não somente encerra a possibilidade dele cruzar os braços como também de um apoio a Jerônimo, na medida em que nega, peremptoriamente, guardar ressentimentos de ACM Neto. Sua "raiva" foi "na hora, naqueles dias" e, garante, "tudo acabou" no evento da CDL, lançamento estadual da chapa do União Brasil: "Ali aquele assunto deixou de existir. Pureza d'alma, firmeza de coração".
Vale à pena registrar o restante da resposta do prefeito, que demonstra o quanto ficou abalado em não ter sido o candidato a vice-governador na época. "Fiquei irritado, me aborreci muito, não fui para a convenção partidária". Admite, "quinta, sexta, sábado domingo e segunda-feira foram extremamente tensos na minha vida".
"Mas nem tudo é como parece e a vida pública tem curvas", disse o prefeito, começando a explicar porque passou a compreender a atitude de ACM Neto. Naquele momento, lembra, o Republicanos "queria porque queria que o vice fosse alguém filiado ao partido". Ele não se filiou ao Republicanos (antes) porque o deputado Marcio Marinho (cacique da legenda), "legitimamente", queria ser senador.
Em janeiro de 2020, sem mandato, Ronaldo também intencionava concorrer a senador. Mas a chegada ao grupo, de João Leão (vice-governador de Rui Costa), que decidiu apoiar Neto, fez com que ele viesse a buscar a vice. O Republicanos, também descartado para o Senado, passou a cobiçar a mesma vaga, "não abriu mão de jeito nenhum" e terminou emplacando a diretora da TV Aratu, Ana Coelho.
Não foi uma derrota nas urnas, mas o fato causou um estrago emocional violento em José Ronaldo. Conversou "muito com Deus", enquanto esposa e filhos "ficaram bem pertinho de mim". Deputados, prefeitos, vereadores, amigos o visitaram, no período em que ficou recluso em Salvador. Mas a maior influência para acalmar-lhe os nervos partiu do seu maior amigo na política, o ex-governador Paulo Souto: "É amizade pessoal, fraternal, a gente se respeita, se gosta e conversa".
Considera que houve erro do partido (deve referir-se ao União) e do próprio Neto, "mas ninguém é infalível num momento de tanta coisa na cabeça, reuniões até 4h da manhã, uma ou duas horas por dia de sono no deslocamento de um carro ou helicóptero". Compreensivo, ele diz que "o cansaço, o excesso de compromissos, o atende e recebe gente, discurso, programa eleitoral, tudo isto atrapalha".
Por fim, confirmou as muitas especulações de ter sido procurado à época por João Roma, o candidato bolsonarista a governador em primeiro turno, e também pelo então governador Rui Costa, para conversar. Mas se manteve onde está e onde deve atuar, nesta campanha de 2026.
Estamos bem próximos do fim do prazo previsto pelo prefeito
José Ronaldo para que ele anuncie quem vai apoiar a governador, em outubro.
Conforme o chefe do Executivo da maior cidade do interior da Bahia, esse
período de avaliação vai até o fim de março. Portanto, coisa de 20 dias mais.
No jornalismo político, analistas, como eu, gostam de fazer prognósticos.
Acertamos alguns, erramos tantos outros.
Estas tendências, vistas por nós, devem ser fundamentadas em
fatos, declarações, evidências. Para não ficar parecendo, a quem acompanha
nosso raciocínio, que queremos estabelecer vontade pessoal ou ainda o desejo de
influenciar na decisão, poder que alguns articulistas acreditam de que são
capazes.
Esta semana, vários jornalistas que, como eu, opinavam pela
negativa de Ronaldo a um eventual convite para ser candidato a vice-governador,
puderam constatar que acertaram, quanto ao capítulo final da novela.
Eram vários os nossos argumentos, defendendo a ideia de
permanência dele na Prefeitura:
Palavra empenhada em campanha e em várias entrevistas;
elevado risco de se tornar o primeiro prefeito do país a renunciar duas vezes e
deixar o mandato com seu vice, candidatar-se e ser derrotado de novo; deixar os
projetos que anunciou para a cidade para que outro político possa entregar.
Vamos lá, tratemos de uma outra aposta, que até já fiz alguns
dias atrás e quero reiterar, agora, com um pensamento, digamos, mais completo.
É sobre o apoio de Ronaldo a ACM Neto ou à reeleição do governador Jerônimo
Rodrigues.
Embora faça suspense, nesta altura do campeonato o prefeito
está mais que decidido, creio. O que acontece é um "castigo" muito
bem dado ao neto do falecido Antonio Carlos Magalhães, por conta do ocorrido em
2022, que explico adiante. O ex-prefeito de Salvador já entendeu o jogo e não
pode reclamar, ou fica pior.
Esqueçamos a possibilidade de Ronaldo vir a cruzar os braços,
buscar a neutralidade. Até porque, isto poderia parecer inteligente, mas seria
um erro político imperdoável, de sua parte. Nunca ficou em cima do muro.
Mesmo quando se viu diante de um cenário complicado, ao
disputar para governador, em 2018, declarou apoio a Bolsonaro, deixando em saia
justa o mentor de sua candidatura, ACM Neto, que continuou com o então tucano
Geraldo Alckimin e até afastou-se consideravelmente da campanha do aliado na
Bahia.
Neste momento, simplesmente, Ronaldo não tem um só motivo,
plausível, para anunciar ao seu eleitorado aquela que seria a mudança mais
radical de sua vida, deixar a direita e unir-se ao projeto da esquerda,
comandada pelo partido que combateu desde sempre, o PT. Mas teria vários
argumentos no sentido oposto.
1. Explicar ao público que mudou para poder captar mais
recursos e realizar mais obras em Feira de Santana, não convém a alguém cujo
discurso é absolutamente contrário. Ele defende, veementemente, que
independente de estar alinhado ao presidente da República e ao governador, a
cidade se desenvolve.
2. Justificar o bom tratamento recebido pelo governador
Jerônimo Rodrigues e seus companheiros Jaques Wagner e Rui Costa não
funcionaria, pois o prefeito acredita e prega que o relacionamento
institucional não deve ser misturado com o político-partidário.
3. Rompimento com ACM Neto quatro anos depois deste ter
cometido o maior erro político de sua trajetória ao trocá-lo por uma ilustre
desconhecida, na chapa majoritária de 2022, configuraria flagrante perda de
"taime". O próprio Ronaldo já declarou, várias vezes, que isto é
passado. Sem falar que, na disputa pelo quinto mandato, em 2024, utilizou ACM
Neto em sua campanha.
4. Desde sua origem na política, jamais deixou a direita.
Milita por toda a carreira em um mesmo lado, desde o antigo PDS, passando por
PFL, Arena, DEM e agora União. Maior parte do seu grupo político, vereadores,
inclusive, é contrária a esta adesão.
5. Com a perspectiva de uma eleição equilibrada, haveria
risco eminente de derrota e, nesse caso, o final de carreira política do
prefeito estaria definitivamente comprometido, reduzindo drasticamente as
chances de fazer sucessor ou dele mesmo ser reeleito, em 2028.
Para encerrar, transcrevo trecho de uma nota do jornal
"Tribuna da Bahia", da capital, publicada em 2 de dezembro de 2024,
dias após Ronaldo eleger-se para o quinto mandato de prefeito: "Sobre a
eleição de 2026, José defende que ACM Neto represente o grupo político na
disputa contra Jerônimo Rodrigues (PT). 'ACM Neto é um bom nome para o governo,
mas precisa intensificar sua presença no interior, aproximando-se das
lideranças e do povo dos pequenos municípios', ressaltou".