Projetos culturais em Feira de Santana poderão captar, este ano, cerca de R$ 4,5 milhões. Esta é a soma de aproximadamente R$ 580 mil do Procultura, política pública municipal, com algo em torno de R$ 3,9 milhões da Lei Aldir Blanc iniciativa do Governo Federal. Ambos os programas tem como finalidade estimular a produção artística no país. No Procultura (a versão federal é conhecida como Lei Rouanet), o poder público autoriza que empresas e pessoas físicas financiem projetos abatendo o valor do Imposto de Renda (até 4%, Pessoa Jurídica, e até 6% Pessoa Física). A Lei Aldir Blanc envolve verbas repassadas pelo Governo Federal diretamente para estados e municípios, que as aplicam por meio de editais e chamadas públicas.
Recentemente, o Governo Municipal anunciou o total de R$ 1,16 milhão para projetos culturais e esportivos. Praticamente metade desse valor para cada segmento. Entrevistado pela Tribuna, o secretário de Cultura, Cristiano Lobo, informou que o edital para abertura de inscrições de novos projetos no Procultura e também voltados para o esporte encontra-se em fase final de avaliação na Procuradoria Geral, devendo em breve, muito provavelmente neste mês de março, ser publicado no Diário Oficial do Município.
Os recursos disponibilizados este ano vão contemplar, além de novos projetos, uma dezena de outros remanescentes de 2025, sendo oito deles na área cultural, devidamente homologados. Cristiano falou de dificuldades que a gestão enfrenta no cadastramento de "parecedistas", especialmente para projetos do esporte. Estes avaliadores precisam atender ao perfil determinado em legislação própria, que exige experiência e saber notório da área a que se propõe opinar. Sua remuneração é proporcional a cada projeto examinado. Será publicado em breve um chamado público para atrair pessoas interessadas em realizar o trabalho de aprovação - ou de reprovação - das propostas.
Quanto à Lei Aldir Blanc, o total de recursos a serem aplicados é de "quase quatro milhões de reais", segundo o secretário. A expectativa é de que o edital de 2026 também seja publicado este mês. O Conselho Municipal de Cultura já reuniu-se este ano e avaliou os segmentos estabelecidos.
Vai haver nova reunião nos próximos dias para o alinhamento de todos os detalhes visando preparar a publicação do edital. O valor do programa de incentivo cultural da União é pré-estabelecido, sendo aprovado para um ciclo de quatro anos, conforme habilitação do município de Feira de Santana, que "atingiu todas as metas" determinadas pelo Governo Federal.
Na medida em que se aproxima o fim do prazo estimado para a tomada de decisão, crescem as especulações em torno do futuro do prefeito José Ronaldo nas eleições deste ano. Nos últimos dias, abundam as "notícias" e palpites sobre as várias possibilidades. Como sabem todos que acompanham a política em Feira de Santana, Ronaldo se encontra em dúvida atroz: seguir a sua trajetória na direita, apoiando o candidato do União Brasil a governador, ACM Neto, ou dar uma guinada à esquerda, atuando pela reeleição de Jerônimo Rodrigues.
Esta tarde, almoçando em Serrinha, na visita que faço semanalmente à minha mãe, ouvi de um prefeito aqui da Região do Sisal, que encontrei casualmente, uma curiosa hipótese, que se junta a outras tantas lançadas ultimamente sobre o tema. Segundo ele, o ministro-chefe da Casa Civil, ex-governador Rui Costa, teria oferecido como atrativo ao prefeito de Feira, para reforçar o seu grupo, tornar-se candidato a suplente dele, no pleito para o Senado.
Uma vez Rui eleito, e Lula mantido na presidência pelo eleitorado, o novo senador retornaria para o Ministério, abrindo vaga para o seu suplente Ronaldo assumir. Seria feito um acordo neste sentido. Não dei crédito algum a isto. Não creio que o prefeito deixaria a gestão municipal pela segunda vez por uma promessa dessa natureza. Não é este, certamente, um dos seus objetivos futuros.
O Bnews, portal de notícias da capital, divulgou esta semana, de certo fundamentado em fontes da política baiana, embora não reveladas, que Ronaldo adotaria a estratégia de apoiar apenas tacitamente a ACM Neto. Apoio tácito é algo implícito, silencioso, sem necessidade do registro por meio de falas ou escritos. E o que isto representaria, na prática, do ponto de vista dos dois principais pré-candidados ao Palácio de Ondina?Para ACM Neto, seria um poderoso revés. Jerônimo, por sua vez, ficaria no lucro.
Afinal, sem atuar diretamente, isto funcionaria como um comunicado do prefeito, às suas fiéis lideranças, aquelas que historicamente o acompanham, que não haveria ânimo, nem autorização, para entrarem em campo. Ganharia com isto o candidato petista, óbvio. Mas, calma, ronaldistas. Tudo não passa de boato, nada existe de real nessas conjecturas.
Quem conhece José Ronaldo não imagina que ele cruze os braços em um pleito importante como este próximo. Acomodar-se em cima do muro e se omitir não fazem parte do seu repertório, ao menos até este momento. Se ele pretendeu mostrar a ACM Neto a sua real importância, há quem diga, o alvo já foi atingido. O ex-prefeito de Salvador estaria recorrendo a unhas postiças, pois as originais já se foram há tempos, de tanto roídas, diante de cada entrevista em que o aliado demonstra não estar convicto de com ele seguir.
"Zé Ronaldo tem personalidade. Zé Ronaldo tem coragem e tem caráter. Zé Ronaldo tem experiência e vai saber decidir na hora certa". A frase não é de algum porta-voz do prefeito, mas dele mesmo, referindo-se a si próprio. A declaração foi feita após um jornalista insinuar, em uma entrevista, que o prefeito estaria sem saber como agir diante das incertezas em que ele se vê este início de ano. Bem, eu já disse neste espaço que, acredito, o prefeito não será candidato no pleito que se avizinha. Nem a vice-governador, o cargo mais comentado na imprensa, nem a senador. Aquem ele vai apoiar então? Fiquei de dar a minha opinião sobre isto também. Aguardei alguns dias para ver se conseguia algumas pistas, mas não as obtive. Então, aqui vai a minha impressão pessoal.
Ronaldo passou todo esse tempo, em que se elegeu prefeito por cinco mandatos para o Poder Executivo e ainda fez sucessor duas vezes (completará ao final desta gestão 28 anos derrotando seus adversários locais), com o firme discurso de que Feira de Santana não depende de que a gestão seja do mesmo partido do presidente da República ou do governador, para se desenvolver e realizar projetos. Assim, alegar agora que apoiaria seus históricos adversários para obter mais recursos não soaria legal. Ele já demonstrou ter superado o trauma do absurdo "não" de ACM Neto à sua candidatura a vice-governador em 2022. Disse, inclusive, recentemente, que não considerou aquilo uma traição.
A turma que tem voz junto ao prefeito, nos bastidores, não endossa uma adesão dele ao comando petista na Bahia. A exemplo do presidente da Câmara, Marcos Lima, e do líder do Governo no Legislativo, José Carneiro, que se manifestaram contra, publicamente, em entrevista para esta coluna. Além de tudo isto, Ronaldo não é afeito a mudanças radicais de postura. Conservador, ele dificilmente sai da rota que segue. Sim, no último pleito, para presidente da República, é verdade, decidiu apoiar Jair Bolsonaro e não Geraldo Alckmin, do PSDB, que era o nome defendido pelo União Brasil. Aquela medida, no entanto, nem de perto surpreenderia tanto quanto uma eventual aliança agora com o governador petista. Os ronaldistas, assim, apostam suas fichas na permanência do seu líder do lado de onde sempre esteve. E este é, de fato, o fim mais provável dessa novela.
Um aporte de aproximadamente R$ 5 milhões, junto ao empresariado de Feira de Santana, deverá ser buscado, pela Santa Casa de Misericórdia, para complementar os recursos necessários à realização da primeira etapa do Hospital Baiano de Oncologia, nesta cidade. A obra está orçada inicialmente em R$ 91 milhões. A estimativa de valor para o apoio das denominadas classes produtoras no município é do secretário de Saúde, Rodrigo Mattos, ex-provedor da Santa Casa, em cuja gestão o projeto foi articulado. Ele falou à Tribuna diretamente de São Paulo, onde se encontra tratando de ações vinculadas a uma outra construção, a do futuro Hospital Municipal.
Em 27 de novembro de 2025, quando ocorreu o ato de assinatura do convênio da secular instituição com o Governo da Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues, entusiasta da proposta, comprometeu o Estado de participar com R$ 34 milhões. "Viabiliza a primeira etapa do projeto", anunciou em nota a Secretaria Estadual de Comunicação. Para esta fase, que deverá contar com 90 leitos (sendo 20 de UTI), seis salas cirúrgicas e um centro de bioimagem, outros R$ 26 milhões são provenientes de emendas parlamentares da bancada baiana na Câmara Federal. Mais R$ 10 milhões, de emenda individual do deputado federal Zé Neto.
Nas contas apresentadas pela Secom estadual, os restantes R$ 21 milhões viriam da doação de empresários e da Prefeitura. Mas o secretário Rodrigo Mattos entende que é preciso reduzir o custo total do investimento e diz que o Governo Municipal, através da liberação de emendas impositivas ao Orçamento local, já se comprometeu com R$ 6 milhões. Em evento na semana passada, o presidente do Legislativo Marcos Lima, junto com o prefeito José Ronaldo, fez a entrega de cheque simbólico neste valor. O chefe do Poder Executivo prometeu liberar o dinheiro de forma gradativa, de acordo com o andamento das futuras obras.
A expectativa de Rodrigo Mattos, de captar doação de aproximadamente R$ 5 milhões junto ao empresariado feirense para completar o recurso visando as obras desta primeira etapa do HBO, é uma campanha pode envolver "talvez umas 20 (empresas), cada uma contribuindo com um valor". Contatos estão sendo feitos também com instituições de classes, a exemplo da CDL, que teria demonstrado interesse em participar. Mas ainda não há nada definido.
"Precisamos criar alternativas para essas doações. Podemos dar o nome da empresa ou entidade que participe desses custos em setores ou leitos hospitalares, em reconhecimento", propõe. A verdade é que veremos, dentro em breve, quais são os empresários feirenses realmente sensíveis a uma causa desta relevância. Magnatas dos negócios, nesta cidade, do comércio, indústria e serviços não tem tradição de apoiar empreendimentos públicos que possam melhorar a qualidade de vida da população pobre. Mas sempre há uma esperança e esta é uma oportunidade de que, ao menos alguns deles, provem que são capazes.
Não há projeção sobre quando as obras do Hospital Baiano de Oncologia, em área da Santa Casa, ao lado do Hospital Dom Pedro de Alcântara, vão ser iniciadas. Mas a previsão é de que estejam concluídas em dois anos. A Unacon, que já funciona, deverá manter as atividades, conforme o secretário, após a futura unidade entrar em operação.