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Valdomiro Silva

Fora da disputa por mandato, quem Ronaldo vai apoiar, nestas eleições?

Valdomiro Silva - 23 de Janeiro de 2026 | 12h 10
Fora da disputa por mandato, quem Ronaldo vai apoiar, nestas eleições?
Foto: Izinaldo Barreto - Secom PMFS

O que faz um político importante, em uma campanha eleitoral, se ele não pretende ser  candidato a coisa alguma? Neste pleito que se avizinha, as candidaturas possíveis são para presidente da República, governador, vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Quem pretende disputar um desses cargos, está na briga, em contato com lideranças, se articulando por legenda, buscando apoios. Mas como segue a vida daqueles que, por exemplo, cumprem mandato e não pretendem desincompatibilizar-se do cargo para concorrer a outro?

Continua administrando o município, no caso de um prefeito, se mantendo alheio a toda a movimentação em torno de si mesmo ou de companheiros de batalha, ou vai pra guerra, em defesa destes e de suas causas? Ficar parado, vendo as estrelas, não parece ser a opção. É arregaçar a manga e partir pra cima, até porque, comandando uma máquina poderosa, não tem o direito de se excluir do processo, salvo motivações excepcionais. Não disputar coisa alguma dá ao chefe do Executivo a capacidade de girar 360 graus, o que amplia o olhar sobre seus movimentos.

O prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, acertadamente, reafirmou para a imprensa, esta semana, que vai cumprir o mandato, que se encerra somente em 31 de dezembro de 2028, como  comprometeu-se na campanha em que se elegeu pela quinta vez para comandar os destinos desta cidade. Ele já havia se afastado uma vez da Prefeitura, para disputar o Governo do Estado, em abril de 2018, restando dois anos e meio de gestão pela frente. Seu vice, Colbert Martins Filho, assumiu o poder e foi reeleito em 2020.

Aquela foi a terceira vez, na história da cidade, que um prefeito renunciou para disputar outro cargo. Antes, João Durval deixou a Prefeitura para também se candidatar a governador. Assim como Ronaldo, terminou derrotado em sua cobiça para chegar ao Palácio de Ondina. A primeira vez que um fato como este ocorreu foi nos anos 1980, quando Colbert Martins, o pai, saiu do Paço Municipal para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, logrando êxito. A curiosidade é que, nos dois casos anteriores, o vice José Raimundo Azevedo ascendeu à titularidade.

Qualquer que lhe fosse o convite, não ficaria bem para Ronaldo, novamente, deixar a Prefeitura, especialmente com a palavra que empenhou em sentido contrário. Ainda mais que não parece haver nenhum "cavalo selado" passando em sua porta. Parado, no entanto, não vai ficar, como deixou muito claro várias vezes, ao expressar, coerentemente, o desejo de apenas tratar de política em 2026, focando exclusivamente na gestão, durante o primeiro ano de governo.

Bem verdade que sua proximidade, além da habitual, com o governador e adversário político Jerônimo Rodrigues, transpareceu algo além do relacionamento institucional, na temporada que se encerrou. Os observadores até podem achar que, sim, teve um pouco de política, mas a argumentação do prefeito é bem articulada e não permite nada mais do que especulações. O seu estilo não é de ficar apenas acompanhando um processo como este, sem participar. Como ele próprio admite sempre, respira política 365 dias por ano. Deverá entrar em cena com o destaque que detém.

Assim, pedirá voto para seus candidatos em cada segmento desta eleição, de presidente a deputado estadual. A definição sobre quais nomes ele vai priorizar, por exemplo, para a Assembleia Legislativa e Câmara Federal, é bastante aguardada. Para os cargos executivos, como se diz no futebol, a partida está aberta e tudo pode acontecer. Há quem aposte em seu apoio a ACM Neto, que o golpeou quatro anos atrás, e os que acreditam em uma "resposta" dele ao ex-prefeito de Salvador, que poderia vir através de um cruzar de braços ou até mesmo algo radical, aliança com a oposição.
 
O ano novo chegou e Ronaldo, cumprindo o que preconizou, já dá sinais de que vai atuar fortemente, ocupando lugar entre os protagonistas, dado ao peso do seu nome, e de Feira de Santana. O encontro com Geddel causou um frisson. Analistas políticos tentam, mas não conseguem desvendar o segredo do que conversaram. Novos movimentos devem ocorrer neste jogo de xadrez em que o prefeito de Feira tem  influência semelhante ao da dama ou rainha no xadrez. Qual será a sua próxima ação? Não esqueçamos, ele é uma peça do jogo capaz de se mover para frente ou para trás, pelos lados ou diagonais. Também consegue atacar e defender ao mesmo tempo.




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