Assunto que predomina, esta semana, nos meios políticos, o encontro entre o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, com o ex-ministro Geddel Vieira Lima, na residência do comandante-em-chefe do MDB baiano, na capital, vem aguçando a curiosidade dos articulistas políticos. O assunto está em todos os sites e blogs do Estado. A reunião tem sido tratada como algo que pode, efetivamente, deixar de olhos bem atentos o governador Jerônimo Rodrigues e aliados, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e os senadores Jaques Wagner, Otto Alencar e Ângelo Coronel. Também aumenta a tensão de ACM Neto, principal opositor do PT no Estado.
O convite para o encontro provavelmente partiu de Geddel, visto que ocorreu em sua residência. Uma conclusão parece ser óbvia: a conversa, amplamente divulgada pela mídia, foi um "evento" milimetricamente estudado, em todas as suas nuances, pelos dois experientes políticos. Ou seja, nada é por acaso neste acontecimento, talvez o mais fustigante deste início de ano.
Geddel deve estar sentindo cheiro de fumaça no ar, com toda essa lambança protagonizada pelo PT na formação da chapa para o Senado, em que Ângelo Coronel seria defenestrado para dar espaço a alguém maior que ele, o ministro Rui Costa, podendo sobrar para o MDB caso negociações passem pela vaga de candidato a vice-governador. Geraldo Júnior seria sacrificado. Os Vieira Lima já se anteciparam na imprensa, afirmando que não existe possibilidade de o partido perder esse espaço, visto que foi conquistado na eleição de 2022.
Um encontro tão badalado com Ronaldo, ao mesmo tempo um aliado do carlismo, ao mesmo tempo pretensamente um nome disputado por Jerônimo, cai como uma luva para Geddel. Os petistas ficam sem saber o que os dois pesos-pesados podem estar articulando. Uma das mensagens que ficam é o interesse do general do MDB da Bahia de mostrar a Jerônimo, Wagner e Ruy que não convém colocar em dúvida a manutenção do vice-governador Geraldo Júnior na chapa governista.
Esta deve ter sido a ideia de Geddel. Mas e se o objetivo for outro, ele representar Jerônimo em um diálogo com Ronaldo, nome publicamente cobiçado pelos governistas para formar uma aliança no pleito vindouro? Esta não é a maior das possibilidades, mas não pode ser descartada e, justamente por isto, se tivesse barba, o pré-candidato a governador pela oposição, ACM Neto, a colocaria de molho, imediatamente. O encontro pode, sim, aumentar a tensão, também, deste outro lado do campo de jogo.
Neto anda desconfiado de enfrentar problemas com Ronaldo desde que trocou o ex-prefeito, que a Bahia apostava em ser seu companheiro de chapa na eleição de 2022, por uma ilustre desconhecida diretora de televisão de Salvador, ação equivocada e, na opinião de muitos, um dos fatores determinantes para a sua derrota nas urnas, mesmo considerado favorito até os últimos dias da campanha.
Então, o ex-prefeito de Salvador deve sentir calafrios toda vez que Ronaldo e Jerônimo trocam afagos. Claro, também, diante deste inesperado encontro de duas horas com Geddel para uma longa conversa, segundo o ex-ministro, "sobre o cenário da política na Bahia e no Brasil, encontro entre amigos para uma troca de ideias". Nada definitivo, disse ainda Geddel, "não se tratou sobre a vinda dele para o MDB". Evidentemente, discurso bem combinado entre eles para a imprensa digerir. Ronaldo e Geddel, é óbvio, fizeram este encontro cientes cientes do tamanho da repercussão e coube ao ex-ministro, reconhecidamente mais midiático, levantar a bola para os jornalistas. O que ele fez com maestria.