Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • 55 75 99801 5659
  • Feira de Santana, sexta, 22 de novembro de 2019

Saúde

Serviço de Atendimento Móvel de Urgência recebe cerca de 3 mil chamados, por mês, em Feira

Lana Mattos - 22 de outubro de 2019 | 16h 13
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência recebe cerca de 3 mil chamados, por mês, em Feira
Foto: Secom (PMFS)

É de conhecimento geral da população de Feira de Santana e região circunvizinha que, em caso de emergência médica, deve-se, imediatamente, discar 192, telefone do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Gratuito, o programa é um componente fundamental da Política Nacional de Atenção à Urgência e Emergência (PNAU), do Ministério da Saúde (MS), que fortalece os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Em nível local, o Samu é desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em parceria com o Governo do Estado e com o MS. Nessa reportagem, o jornal Tribuna Feirense traz um balanço do serviço, no município.

Há 15 anos, em setembro de 2004, era inaugurado o Samu, na Avenida João Durval Carneiro, bairro Estação Nova, para atender a população feirense. Em julho de 2016, sua abrangência passa a ser regional e seu alcance se estende às cidades de Conceição do Jacuípe, Irará e Santo Estevão. Em setembro do ano passado, o programa ganhou sua primeira base de operações descentralizada, instalada no estacionamento do Paço Municipal Maria Quitéria, no Centro de Feira de Santana.

Recentemente, no dia 27 de setembro, o Samu também contou com a inauguração da Base Norte, instalada no Complexo Poliesportivo Oyama Pinto, no bairro Campo Limpo. Essas novas unidades reduziram o tempo de resposta às chamadas, possibilitando maior rapidez e eficiência nos atendimentos das imediações e, portanto, salvando mais vidas.

Desde que seja uma situação de urgência ou emergência, o Samu atende, no menor tempo possível, ocorrências de qualquer natureza: clínica, traumática, obstétrica, psiquiátrica, pediátrica, neonatal e geriátrica. Uma equipe de saúde remove o paciente, com segurança e da maneira correta, até a unidade de saúde mais próxima. A ambulância vai ao cidadão “onde ele estiver: em casa, no trabalho, na escola, no comércio, no trânsito, em rodovias federal e estadual, na zona urbana ou rural”, de acordo com Maiza Ribeiro Macedo, coordenadora geral do Samu, em Feira de Santana.

A maior parte das ocorrências, segundo a gestora, são as urgências clínicas, como desmaio, infarto agudo do miocárdio, hipoglicemia, insuficiência respiratória, edema agudo de pulmão, emergência hipertensiva, crise convulsiva, dentre outras. Em seguida, vêm as urgências traumáticas, a exemplo de ferimento por arma de fogo, ferimento por arma branca, atropelamento, colisão entre veículos e acidentes de moto. “As urgências traumáticas causam maior impacto à família, à sociedade e à rede de serviços de saúde”, observa, salientando que, dentre elas, “a maior incidência refere-se aos acidentes envolvendo motos”.

O serviço acessado pelo número 192 funciona 24 horas, todos os dias da semana. A ligação é gratuita e pode ser feita a partir de qualquer aparelho telefônico, fixo ou móvel. Conforme Maiza Macedo, é importante enfatizar que “a pessoa que liga para esse número de emergência deve estar ao lado da vítima que carece de socorro, no momento do contato com o Samu”.

Do outro lado da linha, o técnico auxiliar da regulação solicita as seguintes informações: nome do interlocutor (não é necessário falar o nome da vítima), motivo da ligação, endereço (com ponto de referência) e número de vítimas (em caso de acidentes envolvendo mais de uma pessoa).

A ligação é remetida ao médico regulador, que avalia a queixa e decide o melhor a ser feito, de acordo com a gravidade da situação: ele pode apenas orientar o interlocutor a dar o socorro necessário ou pode, além de orientá-lo, disponibilizar recurso para esse atendimento. A equipe destinada à prestação de socorro pode ser uma Unidade de Suporte Básico (USB) ou uma Unidade de Suporte Avançado (USA), esta última uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel, que, a depender do caso, pode ir ao local com ou sem apoio da “motolância” (motocicleta usada como suporte); com ou sem apoio de serviços complementares, como a Superintendência Municipal de Trânsito (SMT), a Polícia Militar (PM), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Defesa Civil e a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba).

As equipes de profissionais do órgão são formadas, de modo geral, por médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e condutores socorristas. O maior problema enfrentado pelas equipes de suporte básico e avançado, conforme Maiza Macedo, diz respeito à rede de atenção às urgências. Geralmente, as equipes do Samu permanecem muito tempo nessas unidades de saúde, aguardando o acolhimento do paciente. Além disso, há a retenção de equipamentos do Serviço Móvel, principalmente de macas, o que inviabiliza a utilização das ambulâncias. Em consequência, a coordenadora diz que “outras pessoas ficam sem o atendimento dessas equipes”.

Como integrante da rede de urgência do Município, o Samu também intermedeia, “através da central de regulação médica das urgências, a remoção dos pacientes do pré-hospitalar fixo para o hospital, como transferências inter-hospitalares de pacientes graves”, segundo consta no site da Prefeitura Municipal (feiradesantana.ba.gov.br/samu192).

NÚMEROS - A verba de custeio do Samu é prevista na PNAU de maneira tripartite: com as esferas federal (50%), estadual (25%) e municipal (25%), conforme explica a coordenadora. “O parâmetro previsto, nas portarias do Ministério da Saúde, não é compatível com o custo real do serviço. O repasse, muitas vezes, atrasa, sobrecarregando ainda mais o Município”, esclarece.

A Central de Regulação de Urgência (CRU) do Samu, ainda conforme Maiza Macedo, recebe em torno de 3 mil chamados por mês. Desse total, cerca de 20% é trote. Uma média de 55% dos chamados é resolvida com orientação médica via telefone. Os demais casos demandam equipes de intervenção, para atendimento no local da ocorrência.

Atualmente, o Samu, em Feira de Santana, conta com 197 funcionários, incluindo 44 médicos. Eles dispõem de oito ambulâncias, das quais sete são USB e uma é USA, além de uma “motolância”. Esses números, no entanto, não são suficientes para atender à demanda do município, conforme a coordenadora do órgão. Ela explica que, embora o número de profissionais seja “compatível com a estrutura atual”, em caso de aumento do número de ambulâncias – o que considera necessário –, será “preciso ampliar o número de pessoal”.



Saúde LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

CHARGE DO BOREGA

As mais lidas hoje