Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • 55 75 99801 5659
  • Feira de Santana, sexta, 22 de novembro de 2019

Saúde

Saúde Suplementar: Brasil registra queda na quantidade de usuários de convênios médicos

Karoliny Dias - 22 de outubro de 2019 | 16h 21
Saúde Suplementar: Brasil registra queda na quantidade de usuários de convênios médicos
Foto: Reprodução

A Saúde Suplementar é considerada um importante setor da economia brasileira. Vinculada ao Ministério da Saúde (MS), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) regula o mercado de planos privados de saúde, por determinação da Lei n° 9.656, de 3 de junho de 1998. A autarquia é responsável pela promoção da defesa do interesse público na assistência suplementar à saúde, além de regular as operadoras setoriais, a relação entre prestadoras e consumidores e contribuir para o desenvolvimento das ações de saúde, no país.

Dados atualizados da ANS dão conta de que, no mês de setembro de 2019, o setor contabilizou, em todo o país, 47.112.323 beneficiários em planos de assistência médica e 25.139.419 em planos, exclusivamente, odontológicos. Ainda segundo a agência reguladora, houve um leve aumento na segmentação médica, em comparação ao ano anterior, o que mantém a tendência de estabilidade.

Entre agosto de 2018 e agosto de 2019, a ANS registrou um crescimento de beneficiários, em planos de assistência médica, em 15 estados. Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo são os líderes em números absolutos. No entanto, esses números podem sofrer modificações retroativas, em função das revisões efetuadas, mensalmente, pelas operadoras.

Em setembro desse ano, a Saúde Suplementar foi alvo de debate, em Brasília. Chefe de Gabinete da ANS, Lenise Secchin falou sobre o contexto histórico da Saúde Suplementar e sobre os principais avanços da regulamentação do setor. Ela explicou que, há 20 anos, havia limite de dias de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). “Avançamos, em termos de garantias e direitos do consumidor, mas ainda temos muito a avançar, como a mudança de cultura de assistência e gestão da saúde, com a ampliação dos programas de promoção e prevenção, a integração entre os setores público e privado e o foco no valor em saúde, nos resultados importantes para o paciente”, considerou.

MÉDICOS EM ATIVIDADE – Segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), os registros indicam que há 347 mil médicos em atividade. Desse total, 160 mil médicos atuam na Saúde Suplementar, atendendo usuários de planos e de seguros de saúde. Por ano, os médicos realizam, por meio dos planos de saúde, em torno de 223 milhões de consultas e acompanham 4,8 milhões de internações. Ainda de acordo com o CFM, os médicos atendem, em média, em seus consultórios, oito planos ou seguros saúde. Cada usuário de plano de saúde vai ao médico, com o objetivo de se consultar, pelo menos, cinco vezes por ano.

O Brasil tem uma população em franco processo de envelhecimento. Mas, apesar disso, conforme o diretor executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) e ex-superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), José Cechin, o país não está investindo em saúde como deveria e na mesma proporção que outros. “No Brasil, nós envelhecemos, mas não fazemos isso bem. Mas há como melhorar”, salientou.

O mesmo pensa o diretor-adjunto da ANS, Mauricio Nunes. Ele destacou a mudança do perfil no Brasil, com queda de fecundidade e o crescimento da expectativa de vida. “O aumento dos custos em saúde e o envelhecimento da população exigem mudanças urgentes. Temos conhecido importantes iniciativas de operadoras na coordenação de cuidado, com melhoria de qualidade de vida e custos mais baixos. Esses casos precisam ser multiplicados”, observou.

BAHIA – O órgão realizou ainda, aqui, na Bahia, em agosto desse ano, a 3ª edição do Diálogo de Saúde Suplementar: o Desafio da Coordenação do Cuidado nos Planos Coletivos Empresariais. O evento foi realizado em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi) e reuniu 86 participantes, entre representantes de operadoras e de empresas contratantes de planos de saúde, prestadores e corretores. 

De acordo com Lívia Aragão, do Centro de Inovação Sesi, área de Prevenção da Incapacidade, 30% dos vínculos de planos coletivos empresariais estão na indústria. Segundo ela, a Saúde Suplementar já representa o segundo elemento de custo para os contratantes, abaixo apenas da folha de pagamento.

O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) afirmou que os planos de saúde registraram um aumento de 0,4% de beneficiários, em agosto de 2019. Esse foi o melhor saldo mensal desde outubro de 2017. Os dados estão registrados na Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB).

Com esse avanço de 0,4%, o saldo, para o mês, contabiliza mais de 190 mil novos vínculos. José Cechin explica que o resultado está relacionado com o desempenho do mercado de trabalho nacional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontaram que, em agosto, a produção da indústria brasileira encerrou três meses de perdas e registrou o melhor resultado em cinco anos, com alta de 0,8%, em relação a julho.

Ainda assim, mais de 133 mil vínculos a planos de saúde médico-hospitalares foram rompidos, entre julho de 2018 e julho de 2019. Com essa queda de 0,3%, o setor passou a atender 46,99 milhões de beneficiários. “Esta é a primeira vez, desde março de 2012, que as carteiras das Operadoras de Planos de Saúde contam com menos de 47 milhões de vínculos”, afirmou Cechin.

Na Bahia, em 2018, conforme a Agência Nacional de Saúde Suplementar, houve uma redução do número de beneficiados em planos de saúde. No ano passado, ao todo, 1.584.262 pessoas tinham convênios médicos privados. Já em 2019, esse número caiu para 1.576.746 usuários.

O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que há 24,3 mil médicos ativos atuando, no estado. Questionada sobre a quantidade de profissionais que trabalha no interior, a entidade explicou que não tem como afirmar quantos médicos exercem a medicina fora da capital, uma vez que os profissionais não estão obrigados a informar seus postos de trabalho ao Cremeb. “Entretanto há, aproximadamente, 11 mil médicos ativos, registrados no Conselho, que possuem endereço residencial no interior do estado”, explica.

Sobre quantos são sediados em Feira de Santana, o Cremeb salientou que 1.232 médicos ativos registrados possuem endereço residencial no município. “Ainda assim, o Conselho não tem como assegurar que estes profissionais estejam atuando na referida cidade”, observa a entidade.

Segundo o Cremeb, também não é possível saber quantos planos de saúde atuam aqui. O Conselho informou apenas que, ao todo, Feira de Santana conta com nove hospitais particulares ativos, que oferecem atendimento privado e por plano de saúde.



Saúde LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

CHARGE DO BOREGA

As mais lidas hoje