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Saúde

Ambulatório da Uefs está pronto e tem tudo para funcionar plenamente, mas segue fechado

Vanessa Testa - 23 de Outubro de 2019 | 12h 44
Ambulatório da Uefs está pronto e tem tudo para funcionar plenamente, mas segue fechado
Foto: Vanessa Testa

O Ambulatório de Saúde da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) é uma estrutura pouco conhecida, pela população feirense, porque, até o momento, ainda não foi totalmente viabilizado. Está pronto e já poderia estar funcionando plenamente, mas continua sem ser inaugurado.

Com prazo de seis meses de conclusão, a construção da unidade foi iniciada em 2014, no Centro Social Urbano (CSU), localizado na Rua Tostão, bairro Cidade Nova. A obra extrapolou o prazo estipulado e só ficou pronta em 2016. Porém os problemas não pararam por aí. O Ambulatório, que deveria – e poderia – funcionar todos os dias, mantém uma rotina ínfima de serviços, que não atendem o principal objetivo da estrutura.

A abertura do Ambulatório beneficiaria, principalmente, o curso de Medicina da Uefs, mas também seria utilizado por estudantes de Enfermagem, Psicologia, Farmácia e Educação Física. A principal função do Ambulatório é servir como campo de prática, como espaço para os discentes aplicarem a teoria que aprendem em sala de aula.

Supervisionados pelos professores, os estudantes de Medicina, por exemplo, poderiam atender a população, realizar pequenos procedimentos, disponibilizar consultas, além de desenvolver diversas habilidades, através do contato direto com os pacientes. Em contrapartida, a comunidade também seria beneficiada, visto que teria o Ambulatório como mais um espaço de promoção da saúde e qualidade de vida.

De extrema necessidade para Feira de Santana, o Ambulatório, além de oferecer um serviço de ponta, já que os médicos responsáveis pela supervisão dos alunos são todos professores do curso de Medicina da Uefs, ampliaria também a Pesquisa Científica, por permitir melhorar o ensino médico e suas práticas.

Outro ponto que torna a unidade essencial é a prestação de um serviço médico especializado, uma vez que o Ambulatório se enquadra no chamado Nível Secundário de Atenção à Saúde. Sendo assim, ofereceria atendimento de média complexidade, garantindo o acesso a clínicas de pediatria, cardiologia, ortopedia, neurologia, psiquiatria, ginecologia, nefrologia e de outras especialidades que, em Feira de Santana e região circunvizinha, ou inexistem ou são extremamente limitadas, no serviço público.

Pronto desde 2016, a estrutura não corresponde às expectativas dos estudantes de Medicina da Uefs, que, há pelo menos dois anos, cobram o funcionamento do Ambulatório. Ao longo do tempo, diversos grupos de discentes promoveram manifestações, tanto na Universidade, para chamar a atenção da reitoria e de toda a comunidade acadêmica, quanto nas redes sociais, para tentar sensibilizar o Governo do Estado frente aos problemas enfrentados durante a Graduação.

CSU – Para José Rocha, diretor do Centro Social Urbano (CSU), onde o Ambulatório está situado, o local tem uma estrutura mais que adequada para o atendimento à população. “O meu sonho é que funcione. A população dessa região é carente de atendimento. Os postos de saúde daqui não suprem, não têm uma estrutura tão boa quanto essa do Ambulatório. Na hora que o povo souber que tem gente atendendo aqui, não vai parar de vir. O Ambulatório era pra funcionar 24 horas, mas nunca aconteceu isso. O que existe, aqui, é uma atividade dos estudantes de Psicologia da Uefs, que atendem pessoas três vezes por semana, mas apenas isso”, lamenta.

Rocha salienta que a Uefs tem uma concessão de uso do prédio e que, até então, o único funcionamento do local é, realmente, do curso de Psicologia, que realiza atividades desde o ano passado.

MUNICÍPIO – No site da Uefs, há a notícia, datada de 2 de maio de 2017, de que a Universidade e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Feira de Santana buscavam soluções para viabilizar o funcionamento do Ambulatório. O texto diz que, no local, poderiam ser realizados mais de 2 mil atendimentos mensais.

Por telefone, a secretária Municipal de Saúde, Denise Mascarenhas, afirmou que a Prefeitura está aberta ao diálogo, mas que não tem informações sobre o funcionamento do local. “Não fechamos nada com o Ambulatório, mas a Prefeitura sempre estará por perto”, enfatiza.

UEFS – As instalações do Ambulatório da Uefs compreendem sete consultórios, sala de esterilização, de utilidades, de lavagem/ desinfecção, de curativo, farmácia, sala de coleta, de ultrassom, copa, almoxarifado, sala de utilidades, de reuniões, recepção, além de sanitários e espaços para arquivos e materiais gráficos. Além disso, o espaço já está equipado com macas e cadeiras, ou seja, o necessário para o atendimento está pronto.

Por telefone, a professora Silvia da Silva Santos Passos, diretora do Departamento de Saúde da Uefs, disse que a Universidade já possui quase todos os equipamentos necessários à abertura da unidade. Ela explicou que faltam, apenas, os aparelhos de ar condicionado. A climatização do Ambulatório é, então, o grande X da questão. Segundo a professora Silvia, a licitação para a instalação dos equipamentos está prevista para ser lançada no próximo dia 22 de outubro, informação que foi confirmada pela reitoria da Uefs, através da Assessoria de Comunicação (Ascom).

Questionada sobre o motivo de tanta demora na conclusão do Ambulatório e início de suas atividades, a gestora disse que o entrave se deu por causa de trâmites burocráticos e mudanças nas políticas públicas.

Com burocracia ou não, a real situação é que o Ambulatório de Saúde da Uefs está pronto para funcionamento, mas não funciona. Aguardemos, então, a abertura da licitação e a instalação dos equipamentos para a climatização do espaço. O que não faltam são estudantes prontos para atuar em seus campos de estágio e, principalmente, pacientes a serem atendidos.



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