Convidado, pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ),
para proferir uma palestra virtual, nesta terça-feira (13), o diretor-presidente
da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres,
disse acreditar que algumas das vacinas contra a Covid-19 demandarão uma
terceira dose. "No dia de hoje, ainda é difícil dizer qual", observou.
De acordo com a Agência Brasil, destacando se tratar de uma
avaliação pessoal, o gestor do órgão regulador enfatizou, no entanto, que o
tema vem sendo estudado mundialmente. "O mundo inteiro está debruçado nisso. E
o objetivo é obter a imunização segura e mais duradoura", acrescentou.
A Anvisa é responsável pela autorização do uso e aprovação
das bulas de vacinas no Brasil. Cada medicamento possui seu próprio documento
farmacêutico, com informações sobre sua ação, reações adversas e indicações
sobre o regime das doses. Até o momento, nenhum imunizante contra o novo
coronavírus possui esquema com três aplicações.
Apesar de aventar a possibilidade de uma nova dose de
reforço, Barra Torres ressaltou que todas as vacinas aprovadas pela Anvisa são
eficazes e que a população pode confiar em qualquer uma que estiver disponível
no posto de saúde. "A melhor é aquela que está no seu braço", lembrou.
Até o momento, receberam aval definitivo ou emergencial
as vacinas desenvolvidas pela farmacêutica britânica AstraZeneca em parceria
com a Universidade de Oxford; pelo laboratório norte-americano Pfizer em
parceria com a holding alemã BioNTech; pela empresa biofarmacêutica chinesa Sinovac
Biotech; e pela companhia belga Janssen-Cilag, braço farmacêutico da
Johnson & Johnson.
Com exceção do imunizante da Janssen, que indica o uso de
apenas uma dose, todas as outras recomendam a administração de duas aplicações,
mesmo caso da vacina russa Sputnik
e do antígeno indiano Covaxin.
Estas últimas receberam o aval de importação da Anvisa, mas com limitações.
Segundo a Agência Brasil, na semana passada, a Pfizer
anunciou que está desenvolvendo uma terceira dose do seu imunizante. No dia 22 de junho, o
governo do Chile também anunciou que estuda a possibilidade de
distribuir uma dose de reforço. O país registrava, na ocasião, uma alta
de casos mesmo tendo vacinado 78% do público-alvo com duas doses. O prefeito do
Rio de Janeiro, Eduardo Paes, também levantou a hipótese de uma terceira aplicação.
Combinação
- Antônio Barra
Torres analisou, ainda, a possibilidade de combinar vacinas de laboratórios
diferentes, para combater a Covid-19. "A atividade reguladora não é a
locomotiva desse processo. Ela é vagão. Vamos a reboque do desenvolvedor ou do
pesquisador que nos apresentar suas conclusões, para que possamos avaliar e
referendar. Estamos falando de uma interação de imunobiológicos de origens e
plataformas diferentes. Vem muito da comunidade científica. No momento, estamos
acompanhando algumas situações que podem, no futuro, ter um
posicionamento nosso", disse.
O diretor-presidente da Anvisa lembrou que decisões desse tipo
têm sido tomadas por determinados países, mas, apenas, em alguns casos. No
Brasil, a administração de vacinas diferentes chegou a ser posta em prática com
o grupo de gestantes e puérperas, após a vacina da AstraZeneca ter sido
suspensa, por suspeita de reação adversa grave. Uma paciente grávida foi a
óbito, depois de ser imunizada com o fármaco britânico. O caso está sendo
investigado.
Por precaução, após o ocorrido, o Ministério da Saúde
recomendou que as mulheres pertencentes ao grupo, inicialmente, vacinadas com o
antígeno da AstraZeneca recebessem a segunda dose
da Pfizer.
A
decisão, no entanto, foi revogada no dia 8 de julho, quando o órgão passou a não
recomendar a combinação de vacinas contra a Covid-19. Na ocasião, o
ministro Marcelo Queiroga ressaltou que a mescla de fármacos de laboratórios
distintos não é considerada segura e que estudos de intercambialidade estavam
sendo realizados, não sendo, ainda, suficientes para respaldar a liberação da
coadministração como estratégia de saúde pública.
Por fim, Torres ressaltou a importância do uso de máscaras,
da higienização constante das mãos, da adoção do distanciamento social para
evitar o contágio. Também reforçou que é salutar se vacinar contra o vírus, mas
advertiu que, ainda assim, é preciso cautela. "Não é pelo fato de tomar as duas
doses de vacina que vai poder deixar de usar máscara imediatamente", advertiu.