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Saúde

Algumas vacinas contra Covid-19 demandarão 3ª dose, diz presidente da Anvisa

14 de Julho de 2021 | 14h 10
Algumas vacinas contra Covid-19 demandarão 3ª dose, diz presidente da Anvisa
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Convidado, pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), para proferir uma palestra virtual, nesta terça-feira (13), o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, disse acreditar que algumas das vacinas contra a Covid-19 demandarão uma terceira dose. "No dia de hoje, ainda é difícil dizer qual", observou.

De acordo com a Agência Brasil, destacando se tratar de uma avaliação pessoal, o gestor do órgão regulador enfatizou, no entanto, que o tema vem sendo estudado mundialmente. "O mundo inteiro está debruçado nisso. E o objetivo é obter a imunização segura e mais duradoura", acrescentou.

A Anvisa é responsável pela autorização do uso e aprovação das bulas de vacinas no Brasil. Cada medicamento possui seu próprio documento farmacêutico, com informações sobre sua ação, reações adversas e indicações sobre o regime das doses. Até o momento, nenhum imunizante contra o novo coronavírus possui esquema com três aplicações.

Apesar de aventar a possibilidade de uma nova dose de reforço, Barra Torres ressaltou que todas as vacinas aprovadas pela Anvisa são eficazes e que a população pode confiar em qualquer uma que estiver disponível no posto de saúde. "A melhor é aquela que está no seu braço", lembrou.

Até o momento, receberam aval definitivo ou emergencial as vacinas desenvolvidas pela farmacêutica britânica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford; pelo laboratório norte-americano Pfizer em parceria com a holding alemã BioNTech; pela empresa biofarmacêutica chinesa Sinovac Biotech; e pela companhia belga Janssen-Cilag, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.

Com exceção do imunizante da Janssen, que indica o uso de apenas uma dose, todas as outras recomendam a administração de duas aplicações, mesmo caso da vacina russa Sputnik e do antígeno indiano Covaxin. Estas últimas receberam o aval de importação da Anvisa, mas com limitações.

Segundo a Agência Brasil, na semana passada, a Pfizer anunciou que está desenvolvendo uma terceira dose do seu imunizante. No dia 22 de junho, o governo do Chile também anunciou que estuda a possibilidade de distribuir uma dose de reforço. O país registrava, na ocasião, uma alta de casos mesmo tendo vacinado 78% do público-alvo com duas doses. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, também levantou a hipótese de uma terceira aplicação.

Combinação - Antônio Barra Torres analisou, ainda, a possibilidade de combinar vacinas de laboratórios diferentes, para combater a Covid-19. "A atividade reguladora não é a locomotiva desse processo. Ela é vagão. Vamos a reboque do desenvolvedor ou do pesquisador que nos apresentar suas conclusões, para que possamos avaliar e referendar. Estamos falando de uma interação de imunobiológicos de origens e plataformas diferentes. Vem muito da comunidade científica. No momento, estamos acompanhando algumas situações que podem, no futuro, ter um posicionamento nosso", disse.

O diretor-presidente da Anvisa lembrou que decisões desse tipo têm sido tomadas por determinados países, mas, apenas, em alguns casos. No Brasil, a administração de vacinas diferentes chegou a ser posta em prática com o grupo de gestantes e puérperas, após a vacina da AstraZeneca ter sido suspensa, por suspeita de reação adversa grave. Uma paciente grávida foi a óbito, depois de ser imunizada com o fármaco britânico. O caso está sendo investigado.

Por precaução, após o ocorrido, o Ministério da Saúde recomendou que as mulheres pertencentes ao grupo, inicialmente, vacinadas com o antígeno da AstraZeneca recebessem a segunda dose da Pfizer.

A decisão, no entanto, foi revogada no dia 8 de julho, quando o órgão passou a não recomendar a combinação de vacinas contra a Covid-19. Na ocasião, o ministro Marcelo Queiroga ressaltou que a mescla de fármacos de laboratórios distintos não é considerada segura e que estudos de intercambialidade estavam sendo realizados, não sendo, ainda, suficientes para respaldar a liberação da coadministração como estratégia de saúde pública.

Por fim, Torres ressaltou a importância do uso de máscaras, da higienização constante das mãos, da adoção do distanciamento social para evitar o contágio. Também reforçou que é salutar se vacinar contra o vírus, mas advertiu que, ainda assim, é preciso cautela. "Não é pelo fato de tomar as duas doses de vacina que vai poder deixar de usar máscara imediatamente", advertiu.



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