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  • Feira de Santana, quinta, 22 de janeiro de 2026

César Oliveira

O insustentável peso moral de Dias Toffoli no STF

21 de Janeiro de 2026 | 12h 49
O insustentável peso moral de Dias Toffoli no STF

A cúpula do Judiciário brasileiro enfrenta um teste ético e moral que vai além dos autos processuais. No centro do furacão está o ministro Dias Toffoli, relator do inquérito que apura fraudes bilionárias e manipulações no mercado de capitais envolvendo o Banco Master. O que deveria ser uma investigação técnica sobre crimes financeiros transformou-se em um debate sobre a própria imparcialidade da Corte, à medida que laços familiares e decisões heterodoxas do ministro vêm à tona.

Reportagens recentes revelaram uma conexão incômoda: empresas ligadas a irmãos e a um primo do ministro teriam mantido relações comerciais com um fundo (Fundo Arleen) conectado à estrutura financeira investigada pelo Banco Central. Embora Toffoli sustente que não há impedimento legal, a estética da justiça — o princípio de que um juiz não deve apenas ser honesto, mas parecer honesto — foi severamente abalada. Há em Brasília fortes especulações que um resort envolvido nos negócios pertenceriam ao próprio ministro.

A crítica à manutenção de Toffoli no caso não é meramente política; ela se baseia em uma sequência de atos que peritos e delegados da Polícia Federal classificam como "atípicos":

Centralização das Provas: além do sigilo absoluto, a decisão inicial de exigir que todos os itens apreendidos (celulares e computadores) fossem enviados lacrados diretamente ao STF, em vez de processados pela perícia da PF, gerou um atraso crítico e o risco de contaminação das provas.

Crises Institucional: Toffoli abriu uma crise com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao acusar a corporação de "falta de empenho". Para investigadores, a postura do ministro pareceu uma tentativa de intimidar quem detém o braço operacional da apuração.

Acareação no Recesso: A realização de uma acareação entre o dono do banco, Daniel Vorcaro, e um ex-diretor do BRB além do BC, durante o recesso judiciário foi vista como uma pressa seletiva, contrastando com o sigilo rigoroso imposto a outros trechos do processo, em especial porque sequer havia depoimentos tomados. O ministro também determinou quais os peritos que poderiam vistoriar as provas colhidas.

A insistência do ministro em não se declarar suspeito ignora um princípio básico da prudência republicana. Quando a família de um magistrado orbita o ecossistema financeiro de um investigado, a suspeição deixa de ser uma tese jurídica para se tornar um imperativo ético.

Ao manter-se como "dono" do processo, Toffoli não apenas atrai ataques para si, mas fragiliza o próprio Supremo Tribunal Federal, desmoraliza  a instituição . A percepção pública de que o relator atua como um "escudo" ou um "gerente" da investigação, em vez de um juiz imparcial, é o combustível que faltava para a oposição parlamentar inflamar pedidos de impeachment e CPIs.

 A justiça que se pretende cega não pode ignorar os próprios laços. A permanência de Toffoli no Caso Master não protege a jurisdição; pelo contrário, expõe a Corte a uma vulnerabilidade desnecessária em um momento em que as instituições brasileiras precisam, mais do que nunca, de credibilidade inatacável. O peso moral de Toffoli, já acusado de anular monocraticamente multas de réus confessos da Lava-jato, é insustentável.

 

 

 

 



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