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  • Feira de Santana, sexta, 17 de abril de 2026

André Pomponet

FGTS pode cobrir dívidas com Bets

André Pomponet - 17 de Abril de 2026 | 08h 56
FGTS pode cobrir dívidas com Bets
Foto: Divulgação

A liberação de saques de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS, começou no governo de Jair Bolsonaro, o “mito”. Na pandemia, foi liberado um saque no valor de até R$ 1 mil por trabalhador. Mais à frente, institui-se o saque aniversário, permitindo nova retirada de valores. No ano da eleição, nova liberação, um saque extraordinário no valor de R$ 1 mil. Esta última veio no bojo de medidas populistas voltadas para ajudar a reeleger o “mito”.

Na ocasião, críticos advertiram para o desvirtuamento do uso do fundo. Ao invés de se utilizá-lo como poupança para auxiliar o trabalhador em momentos de necessidade, como em situação de desemprego, o FGTS começou a ser sacado para financiar gastos correntes, sem critério.

Os recursos do FGTS costumam ser utilizados para financiar a construção civil, impulsionando os programas habitacionais. A contínua liberação de recursos reduz o volume disponível. Qual o efeito óbvio? O aumento dos custos de financiamento, o que torna a sonhada casa própria mais cara.

Muitos defendiam a utilização do recurso porque a remuneração do FGTS é baixa, o que é verdade. Mas a solução não passa por dilapidar o fundo e, sim, por discutir melhores índices de remuneração. Argumentos toscos a favor do “libera geral” eram comuns naqueles tormentosos anos.

O surpreendente é que, agora, o governo Lula pretende liberar parte do FGTS para trabalhadores quitarem dívidas. Ou seja: vai recorrer ao mesmo expediente do “mito”, exatamente em ano eleitoral. Acossado pelo cenário desfavorável no momento, vai recorrer à medida popularesca para tentar recuperar a simpatia do eleitor. Não há certeza de que vai dar certo, assim como não deu para o “mito”.

A poupança gerada pelo FGTS costumava ser destinada a fins nobres, estruturantes: a políticas habitacionais que resgatavam milhões de brasileiros dos custos do aluguel. Agora vai para quitar dívidas contraídas no curto prazo, inclusive geradas pelas apostas nas afamadas bets. Mais à frente, nas próximas eleições, imagino que a ideia será mais uma vez resgatada, numa espiral viciosa sem fim.

Por mais espetaculosos que sejam, os malabarismos retóricos não vão encobrir a péssima opção que se faz à cata de votos. O problema é que os impactos não virão no curto prazo. Ocorrerão mais à frente, com os brasileiros penando nos financiamentos imobiliários mais salgados para conseguir escapar do aluguel...





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