Ao que parece e de acordo com os números, a pandemia já passou sua fase pior , em Feira, e segue decrescente. Os leitos de UTI mantém uma ocupação bem mais baixa que no pico, não havendo falta de vagas. Nas unidades privadas leitos já foram fechados.
Com 7783 casos confirmados e 155 óbitos a cidade teve uma taxa de letalidade abaixo de 2%, e o colapso do sistema de saúde durou apenas um fim de semana. Houve restrições de testes, sempre em dimensão menor do que o necessário, certa irregularidade no abre e fecha do comércio, mas que reflete as necessidades diante das médias móveis oscilantes, e o Hospital de Campanha deveria ter sido finalizado antes, mas cumpriu seu papel.
Evidente que o prefeito contou com a essencial intervenção do Estado, abrindo a primeira UTI no antigo HGCA, e na hora do maior aperto inaugurando o belo HGCA 2. O deputado Zé Neto alocou emendas, corretamente, para o combate a pandemia na cidade.
De modo geral, no entanto, o prefeito Colbert- a Secretaria de Saúde não foi vista-, que assumiu a responsabilidade pelo enfrentamento a Covid-19, sai com saldo positivo por ter conseguido dar suporte ao atendimento, obter uma baixa letalidade, e manter um conograma de obras em andamento.
100.000 mortos é um número chocante e significativo de qualquer modo que se analise essa pandemia. Não é detalhe de pouca importância e do qual esqueceremos para seguirmos adiante, como disse o Presidente Bolsonaro, ao demonstrar pela enésima vez sua incapacidade de ser solidário com as famílias, mostrar empatia, ou colocar minimamente sobre os ombros a responsabilidade de enfrentar a crise. Uma pandemia se enfrenta com comunicação que inspire e ciência que conduza. O governo, falhou nos dois.
Ao avançarmos na crise compreendemos que a ausência de uma coordenação central, um Ministério da Saúde acéfalo, e a falta de uma política de testagem e isolamento dos casos, cobrou seu preço no latifúndio de mortes que vivemos. Evidente que sai com mérito o SUS- Sistema Único de Saúde, cuja capilaridade foi fundamental para oferecer assistência em todo país, embora tenha ficado claro que alguns estados e prefeituras- que optaram pelo desvios dos recursos como Manaus, Pará, Rio, ou a escandalosa compra de respiradores que nunca chegaram, na Bahia- devem ter apontados no compartilhamento das culpas. Em Manaus, que não fez o dever de casa, tivemos o mais dramático momento da pandemia, com colapso da saúde e do sistema funerário. De tudo,fica o alerta sobre a importância de repensarmos nossa política de saúde pública, investimento no SUS, e fechamento de leitos.
Fica claro, também, que a falta de testes que permitisse conhecer os caminhos do vírus, e proteger a população mais exposta, especialmente funcionários da saúde- uma promessa nunca cumprida pelo MS- foi uma falha terrível, cobrada em vidas, medos e sequelas.
A população cumpriu, em sua maioria, com as recomendações, mas é difícil cumprir as recomendações em um país com 50 milhões sem esgotamento sanitário. A parcela, inclusive da elite, que deu péssimos exemplos sociais, são merecedoras de um desprezo que não pode ser universalizado.
Por outro lado, o governo teve uma ótima ação no enfrentamento econômico ao problema. Não tivemos saques, a cadeia de produção e abastecimento manteve-se funcionando e setores como agronegócio cresceram. A relativa estabilidade deveu-se em parte a um gigantesco movimento de solidariedade empresarial e pessoal, mas sobretudo a ação do Ministério da Economia com a distribuição em tempo recorde do coronavoucher que injetou muito dinheiro na economia, amparando mais de 50 milhões de pessoas. Além disso, outras medidas produziram algum alívio as empresas, ainda que o impacto geral seja significativo. Ao fracasso no enfrentamento a pandemia na saúde, corresponde o sucesso na economia.
Nesse momento, em que estudos com 65 mil pessoas, na Itália, mostram contágio de apenas 2,5% dos italianos, fica claro que esperar a imunidade de rebanho recomendando que não haja nenhum isolamento é uma estupidez, um ato genocida, pois, acarretará uma multidão de mortos, insuportáveis. A utilização de dados imprecisos para defender teses insustentáveis, foi uma maldição desse surto de insanidades.
O distanciamento achatou sim, a curva, permitiu organizar o serviço de saúde, dar expertise às equipes, aprender as fases de evolução da doença, afastar o uso da entubação precoce, descobrir a importância da pronação, o uso de anticoagulantes e dexametasona, afastar uso da cloroquina nos pacientes moderados e graves, criar alternativas de ventilação e nos aproximarmos da vacina. Ninguém fez tanto pela sobrevida das pessoas quanto o distanciamento social.
Enfim, ao chegamos a essa perda trágica, a essas mortes sem luto, a tantas histórias interrompidas, temos de olhar para nossos erros e acertos, que estão aí, sem deixar de responsabilizar autoridades, formadores de opinião, mas também sem deixar de reconhecer o extraordinário feito de recuperar tantas vidas realizado por aqueles que arriscando a vida, lutaram para salvar outras. .
Sabendo que não adianta mais fugir para as montanhas, os bilionários do Vale do Silício, estão comprando bunkers onde pretendem sobreviver ao que acreditam ser o iminente fim do mundo, diante das ameaças de uma guerra, seja nuclear, ou quântica, ou ainda, por uma pandemia, descontrole da produção de sertanejo universitário, meteoro, desabastecimento de farinha de copioba, ou escassez de florestas diante da selvageria que tomou conta da Amazônia, o que já levou uma artista brasileira a conjecturar como ficaríamos sem oxigênio, apesar dos oceanos.
Seja como for- que cada um tem medo no buraco de ozônio que escolhe-, eles estão comprando bunkers em antigas bases militares americanas e na Nova Zelândia, país que acreditam ser o de maior chance de escapar de uma hecatombe planetária. Têm tamanhos variados, portas de aço de 15 toneladas, sistema de filtragem e purificação nuclear, do ar, telas que projetam imagens falsas do exterior, estoque de alimentos- inclusive papel higiênico, disputado a tapa, na pandemia do coronavirus e nos mercados Venezuelanos com o sucesso do bolivarismo-, e abastecimento de energia que permitiria ficarem cinco anos sem sair do subterrâneo, embora eu não saiba como seria isso em um povo que não tá agüentando um fim de semana de distanciamento social e máscara. Ainda não há uma legislação especifica sobre o divórcio, o ronco, e a ressaca, mas já estudam na Igreja o casamento com separação de bunkers. A febre, ou o medo- afinal, a espécie humana não é mesmo confiável, vejam o politicamente correto e o fechamento da Playboy-, já tem até nome: survivalismo.
Eu que não sou besta nem nada e quero ir ao infinito e além, sem abrir mão de ser contemporâneo da Viúva Negra, já andei matutando, diante da escassez de recursos, onde poderia erguer meu bunker, meu kitnet de resistência. Após longos debates com meu colega urologista, imaginalista, e cientista, doutor Paulo Oliveira, sujeito muito sabido nas sabedorias das coisas, concordei que o melhor seria na cidade dele, no pediplano sertanejo, no principado de Coité, território assentado sobre neossolos regalíticos eutróficos. Pedi a ele que se encarregasse da empreitada, colocando uma torre de chocalho no Morro do Mocambo para nos alertar de qualquer mudança nos ventos ou invasores, escolhesse a melhor área entre o Tocó e o Jacuípe para cavar nosso iglu, deixando na parte superior uma cacimba e um umbuzeiro medidas ótimas para o resfriamento. Até porque se o fim vier por um invasor intergaláctico, por mais ignorante que seja- que acho essas civilizações extraterrestres muito das ignorantes, pois, a gente tendo o meninico de carneiro, e o forró, eles nunca vieram ver-, saberá que quem descansa debaixo de um umbuzeiro sortido não quer guerra com ninguém.
Determinei, também, que levasse Edgar, meu mestre de obras, há 30 anos, sujeito cismado e careiro, mas perfeccionista, para botar os puxador de rede na medida, erguer uma adega de cachaça, das mais puras e preparadas para o envelhecimento, uma dispensa com aipim, cuscuz, e queijo coalho, e que botasse uns rolo de fumo de corda para depurar o ar em caso de ataque nuclear, uns exemplar do suplemento cultural da Tribuna Feirense para a leitura, uns quadros de Juracy Dorea para imaginarmos o lado de fora, na mais pura realeza, e uns filtros de barro para manter água limpa, embora energia solar nunca vá nos faltar.
Pedi, também, que deixasse, na porta, três pontos, que pudesse amarrar com uma corda de sisal, que não confio na resistência do aço se tentarem arrombar. O colapso da civilização não me pegará desprevenido: vou embora pro meu bunker em Coité,lá sou amigo do Rei.
É assustador que o Ministério da Justiça-por ordem, ou afinidade- tenha utilizado sua força para investigar servidores antibolsonaristas. Até o momento, o submisso ministro André Mendonça tem evitado assumir que seu ministério fez os dossiês, mas a verdade está cada vez mais evidente e mostrando que muita gente foi investigada, sem crime, apenas, por suas afinidades ideológicas.
Espero que os habitantes desse pantano não continuem sobrevivendo com apoio do governo, e que isso não seja o ovo da serpente que estamos tentando impedir de crescer.
A concentração dos recursos da saúde para atendimento aos pacientes da Covid- 19 aconteceu em todo mundo, visto que não havia possibilidade de ampliar a rede na dimensão necessária. Isso, no entanto, levou ao negligenciamento do atendimento aos portadores de outras doenças e aumento da mortalidade, como alguns estudos científicos tem mostrado.
A longevidade da pandemia, no entanto, traz uma imperiosa necessidade de revermos o funcionamento dos ambulatórios e hospitais da rede pública para que esses pacientes possam voltar a receber assistência médica visto que nenhum doente tem mais direitos do que qualquer outro.
Aqui em Feira, no momento em o número de casos regride, o comércio reabre, as escolas começam a retornar, e o HGCA tem uma UTI exclusiva para COVID-19, é necessário analisar o retorno progressivo do hospital e ambulatórios às suas atividades sob as mesmas condições de funcionamento e regras que regem a reabertura do comércio.