Elite da política brasileira, supostamente intocáveis, os pessedebistas, ex-governadores, ex-candidatos a Presidente, José Serra e Alckmin, estão vendo a PF e o MP em seus calcanhares exibindo sérias acusações de corrupção e desvio de dinheiro. Serra foi acusado de ter dinheiro no exterior e acabou sendo protegido por Toffoli que impediu buscas em seu gabinete no Senado.
O avanço sobre os dois líderes do PSDB, depois de terem acossado Aécio, mostra que a Operação Lava-Jato não tinha apenas um partido como alvo como era acusada.
As investigações sobre caciques do PSDB esfacelam o partido, e derrubam o último reduto de uma geração de políticos que dominou o Brasil e os cofres públicos, quase ilesos.
Que sejam punidos, se tiverem culpa. Seria mais um exemplo salutar para a política nacional.
24/06 - 30/06 = Total: 1061/7 = média de 151,5
01/07 - 07/07 = Total 949 /7 = média de 135,5
08/07 - 14/07 = Total 757/7 = média de 108,1
15/07 - 21/07 = Total 897/7 = média de 128,1
A média móvel deve ser comparada com os números de 14 dias atrás e mostra que houve queda no aparecimento de casos. Evidente que redução do número de testes pode influenciar os resultados..
Umas das coisas mais impressionantes que já vi foi o antigo Maracanã lotado. Foi na primeira vez que fui ao templo durante um ECEM- Encontro Científico dos Estudantes de Medicina-, em 1983, para ver um Fla x FLu. Pouco antes, o estádio – que foi reformado para a Copa- tinha registrado a proeza de receber 150 mil torcedores na final do Brasileiro, com o Santos. Naquele jogo o Flamengo foi campeão com três gols, sendo um de Zico, marcando sua despedida daquele glorioso e inesquecível time. Na minha estréia, 75 mil torcedores estiveram em campo e vimos um empate. Era incrível a multidão, da geral (que ainda existia) à Tribuna de Honra.
Depois veio outro Fla x Flu, com inacreditáveis 110 mil torcedores e vitória do Flamengo, e mais um no triangular final, com 85 mil torcedores, em que o Fluminense venceu com um gol no minuto final. E os Flamenguistas se arrastaram do estádio com a sensação que só os que perdem sabem carregar. Nenhum estádio do mundo moderno cabe mais tanta gente reunida. Nos tempos atuais, não veremos tanta gente aglomerada em lugar nenhum.
A pandemia da Covid-19, pelo vírus Chinês, é uma longa agonia de números. Implacavelmente, dia após dia, de forma exasperante, os números de perdas vão se somando, as dores anônimas vão sendo instaladas nas almas das famílias, em separações sem luto, e caminhos sem volta. São afetos irreparáveis, histórias que não terminaram de ser vividas, mas que já estão por cair em uma rotina de normalização e aceitação que parecem não retratar a grandeza da tragédia. A partir de certo ponto a universalização do sofrimento e a longa convivência com a pandemia vão retirando de nós, o espanto, e transformando em aceitação o que era assombro.
O risco, com isso, é perdermos a indignação com as ações insuficientes do poder público, e a adesão às medidas de proteção, porque esse enfrentamento tem cobrado um preço excessivamente alto, em vidas, medo, e tensão, às famílias e a todos que estão na linha de frente. Em especial, porque em muitos casos os profissionais da saúde estão atuando em condições muito desfavoráveis, expostos, por agirem motivados pelo chamado da solidariedade e o compromisso de salvar vidas. Humano, cuida de humano.
O Brasil chegou a 80 mil vítimas do Coronavírus e caminhamos, inexoravelmente e as escuras, para 100 mil. Para termos uma dimensão, dos 5570 municípios, do Brasil, apenas 400 tem população maior. Ou, de outra forma, as vítimas ocupariam um estádio. Na última vez que vi tanta gente reunida, por lá, muitos saíram com a sensação de derrotados. Agora, que o estádio é usado apenas como abrigo de hospital de campanha, os vejo de novo.
Caso você não tenha percebido o tamanho das perdas, há um Maracanã lotado.
A pandemia lançou luz sobre os médicos e sua formação. Não se pode ser médico tendo apenas as mãos habilitadas, e manter a alma sem compaixão. Claro que ser médico é ter o dever de exercer a técnica com maestria, e para isso há cursos, reciclagens, treinamentos, artigos, e muitas opções de atualização. Verdade que, com o ritmo que as pesquisas estão ganhando, estamos sempre aquém da informação mais atual, mas podemos combater diariamente o fato que 50% do conhecimento médico é ultrapassado a cada 10-20 anos.
Essa prática está mudando de forma radical com a tecnologia, os algoritmos, a Inteligência Artificial, que tenderão a fazer de forma mais precisa- sem cansaço, sem vieses, e mais barato-, o que fazemos. Há, no entanto, algo mais vasto e poderoso que a técnica, e pelos quais os pacientes se guiam: a confiança, a segurança, que só o médico é capaz de oferecer, pois, o doente é sempre alguém frágil, despido de suas certezas e discursos, de sua infalibilidade.
O doente é, essencialmente, uma lágrima, e tanto maior ela será quanto mais grave for sua doença. É dessa habilidade em lidar com a lágrima do outro que fazemos a separação entre os normais- importantes-, e os gigantes - essenciais. Certo que podemos fazer cursos de psicologia, de relação interpessoal, mas diria que há algo inato, algo de pequeno milagre, na capacidade que cada um tem de acolher um doente em seus medos, seus segredos, e lhe oferecer uma saída, seja ela a cura, o alívio, ou a mais confortável convivência com o tempo que resta. Na Medicina, não há cais em remansos, e sim, em tempestades.
Quando somos ensinados, ou ensinamos, temos por foco tornar o médico “maximamente eficiente e minimamente invasivo à integridade física, econômica e afetiva do paciente”como digo aos alunos. Cumpro o ofício que me é dado como professor, mas confesso que gostaria muito mais de saber habilitar almas que cérebros, porque domar a técnica, é um dever, uma obrigação, com tempo finito; ensinar uma alma a lidar com o limite, ou escolhas, da vida, é imenso, e, por vezes, tarefa de uma existência inteira.
Exige ler muito para desvendar o humano, ter domínio absoluto das palavras, do tom, da mensagem a ser entregue, pois, ela precisa ser otimista, sem ser falsa; realista, sem ser desesperançosa, esse, talvez, o mais importante item terapêutico. Nós médicos, precisamos ser vendedores de esperança. Em medidas precisas, adequadas a cada momento, pois, sabemos que o que separa o remédio do veneno é mesmo, a dose.
O humano é uma vastidão, e, por vezes, para encontrar sua sensação real diante da doença, da culpa, da aceitação, ou do arrependimento, é preciso debulhar a casca de suas falas- por vezes agressiva,por vezes medrosa, indiferente, arrogante -, limpar esses grãos, e encontrar lá no centro um lugar digno, acolhedor, para esse enfrentamento.
Às vezes, um médico só está completo quando vivenciou suas próprias perdas e aprende a contar de saudade e falta; às vezes, nunca, ficará.
Precisamos falar muito mais sobre isso com nossos alunos. É o que forma gigantes.
Chegamos aos 75 mil mortos e marchamos para os 100.000, com a interiorização da pandemia e muitas cidades a serem percorridas. Grande parcela das mortes são uma fatalidade biológica inevitável, mas a explosão dos números, aqui e no mundo, refletem muito as ações de enfrentamento, suas falhas, que criam um consórcio de culpados.
No Brasil, temos uma infinitude de governadores e prefeitos ladrões que ao invés de prepararem o sistema de saúde se escoraram apenas no lockdown, enquanto seus agentes desviavam os recursos em compras fraudulentas, como tem sido demonstrado pela PF; o presidente Bolsonaro, por todas as mensagens de desprezo às vítimas, às medidas de proteção, e por manter acéfalo e militarizado o Ministério da Saúde, seu imperdoável erro; os irresponsáveis, que sem a menor empatia pelo outro agem como se nada houvesse, fazem festas, se recusam a usar máscaras, e empanturram o sistema de saúde de vítimas; a OMS, por retardar o reconhecimento da pandemia e emitir declarações confusas e contraditórias; a China, por esconder o surto, destruir as amostras iniciais do vírus e calar, à força, cientistas e jornalistas que tentaram a divulgação.
É um latifúndio de vítimas e um consórcio de múltiplas culpas