Quando um paciente está com dificuldades de oxigenar o sangue ele precisa ser entubado e colocado em um respirador artificial. Para entubação- colocacão de um tubo, similar a um canudo, através da garganta- é preciso que o paciente seja sedado para que ele adormeça e a via respiratória seja acessada. Há um medicamento- a fentanila- que é o mais usado nesse processo. Com o aumento de casos, abertura de leitos de UTI, o medicamento desapareceu do mercado. Não há, disponível para comprar. Em muitos hospitais da Bahia- e do Brasil todo- outros medicamentos foram e estão sendo usados, embora não seja o ideal para o procedimento. É um drama.
Essa é uma emergência nacional e o Ministério da Saúde precisa buscar facilitar essa importação de países onde a pandemia já passou, para garantir nosso mercado.
O evidente - e alertado- crescimento dos casos de Covid-19 está a beira de ser transformado em um drama para a cidade de Feira de Santana e região. Não há, neste momento, vagas em UTI públicas e privadas para pacientes com a doença. A taxa de ocupação dos leitos da cidade é de mais de 95%( coloco 5% de vagas porque sempre surge uma ou outra vaga por alta ou óbito), o que implicaria em fechamento da cidade, como estratégia. A verdade, no entanto, é que essa condição dificilmente será aceita novamente diante do vai e vem, do cansaço da população com o distanciamento, e a indiferença de muitos com a situação.
Convém alertar que mesmos para os que possuem plano de saúde a situação é limítrofe e que nada está garantido, até porque a tendência de Julho é aumento de casos, que chegaram a 3500 em Junho. O colapso do sistema é uma realidade.
No momento, a esperança é a inauguração dos 40 leitos ( menos 10 que já existem que irão se tornar enfermaria), ou seja, 30 novos leitos no HGCA.
Quanto a consciência, educação, é melhor não contar com isso.
O enfrentamento a pandemia, em Feira, vive seu momento mais dramático, desde março, quando foi detectada. Os 445 casos de maio sequer fazem sombra aos 3500 de junho ( mais de 80% dos casos totais) e que deve ser mantido em julho, com a flexibilização da abertura do comércio.
Evidente que parte desse aumento se deve a testagem, especialmente da rede privada, que mantém até fila em drive-thru, mas as UTIs privadas lotadas, assim como as públicas- inclusive o HGCA- trazem a nítida percepção de aumento real do contágio. As UPAS e Policlínicas estão em situação de quase colapso, mostrando que a rede pública opera no limite do atendimento. Não é a toa que Bahia e Minas Gerais, tem, hoje, a maior taxa de contágio.
Não é esse, no entanto, nosso único problema: a disputa entre o governo estadual e prefeitura, sobre o atendimento, com acusações de parte a parte e uma politização que desmerece a cidade e desprotege seus cidadãos. A verdade é que o isolamento- apesar dos arautos do liberou geral que não pensam em mortes- achatou a curva de incidência da doença. É só olhar o número de casos por mês. Isso permitiu a ambos os entes federativos tempo para prepararem a cidade, para o atendimento. A previsão, no entanto, de ambos, foi modesta e aquém do impacto da doença. Não custa lembrar que não é só ter o leito, mas capacitar, qualificar, o uso do leito. Estar em uma Policlínica ou UPA, sobrecarregada, não é a mesma coisa que estar em uma unidade específica.
O Estado, no limiar do tolerável, está entregando o novo e ótimo HGCA- que ficará lotado de Covid-19 , e dificilmente conseguirá se manter sem manter o atendimento da parte mais antiga, direcionado ao mesmo tipo de doença. A Prefeitura, por sua vez, tem uma Unidade de Campanha, atuando, mas que parece subestimada. Caso consiga manter o isolamento – que sempre foi meio ficção nessa inculta, fervilhante, e indomada Feira- talvez consigamos nos adaptar. Caso seja mantido o ritmo de crescimento dos últimos dias, viveremos tempos difíceis, até porque a ocupação da rede pública sem novos leitos, está levando a mortes por outras doenças, inclusive Dengue, como já acompanhei.
Algo, do qual, ambos não podem se vangloriar, são os testes. O Brasil, a Bahia, Feira, como temos repetido exaustivas vezes, optou por uma política de poucos testes. Aliás, estamos entre os países que menos testam no mundo, e navegamos no escuro, como disse o ex-ministro da Saúde, Teich. Artigo publicado essa semana na conceituada revista médica, Nature, mostra que a frequência dos testes é fundamental no controle dos surtos e na flexibilização correta do comércio.
É preciso, e a população exige, que as divergências entre o Estado e a Prefeitura sejam superadas, que seus líderes sejam responsáveis e unam forças para perdermos o menor número de vidas possíveis e que haja o menor grau de desespero por atendimento na população.
Uma campanha eleitoral, não precisa de mortos.
Os bolsonaristas podem não gostar, mas a verdade é que a prisão de Queiroz- o gestor das rachadinhas de Flávio Bolsonaro- e a ação do STF contra os extremistas da direita que ameaçavam ministros, fizeram bem ao governo Bolsonaro, que baixou a bola, abandonou as provocações que fazia no cercadinho existente na saída do Palácio do Planalto, e recolheu o apoio que dava aos que pediam intervenção militar e fechamento do STF, do Congresso, permitindo que se concentrasse no que o governo faz melhor.
E o que o governo faz melhor? Os antibolsonaristas podem não gostar, mas a verdade é que o governo inaugurou a transposição do São Francisco, emplacou o marco legal do saneamento, e segue inaugurando as obras comandadas pelo ministro Tarcisio Freitas, colhendo os bons resultados do agronegócio, e fazendo intervenções corretas na economia.
Como diz o ditado popular: há males que vem para o bem.
O quase ministro da Educação, Decotelli, foi esfarelado em quatro dias, embora resista com a falta de senso que só tem os ambiciosos do poder que tentam construir uma biografia falsa. Foi desmentido em seu doutorado, em Rosario, na Argentina; no pós doc, na Alemanha; e sua tese está sendo acusada de plágio. Não restou, da sua biografia academica, nada mais que cinzas, embora ele seja capaz de vir a público com uma falta de pudor ético- fingindo que nada houve- assombrosa, e digna de um pós graduado em fingimento.
Já não tem mais credibilidade para propor nada ao sistema educacional do Brasil. Um educador é, antes de tudo, um exemplo. Nesses tempos de combate as fake-news o ministro deveria ter nos poupado de tanta coisa falsa.
Será, apenas, o que quase foi sem nunca ter sido.