-Planeje sua vida e da família para três meses( Abril, Maio, Junho)
-converse com sua família. Explique que a pandemia será longa .
- organize saídas e compras, se for possível, para o menor número de vezes
- planeje modo e frequência de contato com outros familiares. Não deixe ninguém
ficar em solidão. Uma voz, por vezes, é um bálsamo.
- faça exercícios dentro de casa.
- crie atividades dentro de seu ambiente. Não fique parado.
- faça cursos on-line ( se você tiver como). Existem muitos cursos gratuitos.
- use máscara caseira de forma permanente, ao sair, ou se tem muito fluxo de gente onde você está
- use os telefones e grupos on-line de apoio psicológico, se estiver ansioso
- troque de roupa e sapatos ao entrar em casa.
- lave as mãos com água e sabão, o máximo que puder, ou use alcool- gel
- não é tempo de festinhas e baladas
- não abrace os idosos. Amor também se declara sem abraço.
- a família é o maior valor e bem de todos. Na crise, sua importância cresce. Cuide dos seus.
- Fácil é ficar doente. Todo restante exige trabalho, esforço e cuidado!
Somos pais, somos filhos, somos irmãos, somos família. Somos humanos como todos os outros. E temos receios e encargos, mas escolhemos por conta própria o nosso ofício e arcaremos com seu peso. Tememos voltar para casa e levar a doença aos que amamos- esse fio que nos faz lutar sem desabar-, e muitos de nós isolaram os seus de si próprio, pois, vivem o dilema de serem uma ameaça e optaram por tomar distância como se fosse a bênção e proteção.
Vivemos dias de extrema tensão em cada espera, atendimento, ou intervenção, na eterna angústia de uma falha na barreira que nos contamine e nos tire do cenário de luta, desfalcando o que já está em falta. Ou que coloque nossa própria vida em risco, pois, também somos frágeis, temos doenças crônicas, e nem sempre somos jovens.
Talvez, talvez, nada é certeza, nossa carga viral recebida seja maior. O que é certo é que 10 a 20% dos infectados nos diversos países são médicos, de modo geral trabalhando em situação precária, sem o material de proteção necessária, sem testes, em uma exposição violenta, irresponsável e letal por parte dos governos.
Na falta, os médicos improvisarão- aqui no Brasil, sempre vivemos essa dolorosa realidade-, em um programa de saúde pública sem financiamento adequado, tentando ser o oxigênio do sistema, mesmo que isso seja um risco, e seja seus pulmões que se recusem a respirar.
Caso isso aconteça teremos medo do isolamento e da solidão final que essa doença nos traz, da interrupção dos sonhos, do dilaceramento familiar. Afinal, somos humanos, somos família, somos pais, somos filhos, e temos um inventário de afetos a serem vividos, mas confiaremos no cuidado do outro, porque é estreita a margem que nos separa.
Já aconteceu, e talvez até alguns de nós não veja o fim da pandemia, mas temos a certeza que cada um está cumprido seu dever, sem recusas, como Quixotes sem armas lutando com o moinho de vento invisível desse vírus. Por isso, reverencio, agradeço, e homenageio, a cada um dos colegas e das equipes multidisciplinares porque estão sendo o que só eles podem ser: esperança.
Depois de criticar publicamente o Ministro da Saúde e dizer que lhe falta " humildade". e no dia seguinte dizer que ia usar a caneta contra Ministros que se tornaram estrelas, fica evidente que a demissão de Mandetta é inevitável.
Ao que parece o mais cotado é o ex-Ministro da Cidadania, Osmar Terra, que foi chamado, recentemente, de "Osmar Trevas" pelo Ministro da Saúde em um grupo de zap, do Dem.
A troca significará um cavalo de pau na forma de combater a pandemia.
A tentativa de justificar narrativas, contra ou favor, do isolamento social ou da liberação geral tem feito alguns tentarem dizer que existe morte "por"coranavírus e morte "com " coronavírus , que afetaria aquelas pessoas com doenças crônicas e que no dizer que alguns colunistas famosos estariam com o "pé na cova". Além do desprezo ao idoso dos que assim se manifestam a teoria é um sofisma, pois, não contempla uma verdade.
Caso alguém seja portador de uma doença crônica ela seguirá seu ritmo de vida e cumprirá a expectativa de vida determinada para ela. No entanto, se ela contrair o vírus terá uma elevada chance de morte ( 20%), portanto, o vírus foi o fator desencadeador, determinante da morte. Se essa mesma pessoa for vítima de uma bala perdida ela terá morrido por conta da violência e não das doenças que possuia.
Assim, fica claro que essa divisão é só uma tentativa de manipulação. Todas as mortes em que o paciente teve manifestação clínica do vírus, ele será a causa básica etiológica.
Impressiona como somos impostos a pensar de forma dicotômica. Ou sé bolsominion ou petralha, economia ou isolamento, como se em eventos dinâmicos as coisas não tivessem que ser pensadas em conjunto. Testagem massiva, isolamento social, quarentena, e até bloqueio total, são instrumentos diversos a serem usados de acordo com o momento, perfil de evolução, disseminação da infecção, dimensão do sistema de saúde. É assim que deve ser.
Muitos que defendem a economia alegando pensar nos pobres frequentemente- embora não todos-, estão defendendo sua renda, sua gordura, mais do que os pobres, que dependerão do sistema SUS onde a relação de leitos na UTI é 1:1 e não do sistema privado onde é 3,5:1. Também o fazem sem sequer citar as medidas do governo ( até porque exige um conhecimento de economia que o empirismo com que opinam não inclui). E dizem que os grupos de risco devem ser isolados, sabe-se lá como, porque quanto mais gente nas ruas, portanto, mais cidadãos contaminados de vez, mais pessoas do grupo de risco serão contaminadas, a não ser que mostrem esse isolamento Suíço milagroso, como ocorre.
Por outro lado, os defensores do isolamento total, esquecem a infraestrutura a ser mantida, a necessidade de exigir velocidade no amparo aos necessitados, a possibilidade de liberar os já curados, a chance de fazer bloqueios limitados a regiões específicas, a importância de manter o máximo possível da economia funcionando.
A outra coisa esquecida pelos dois é que ambos acham que o "bloqueio total", ou "imunização coletiva", são os remédios únicos. Um cura, o outro, mata. E vice-versa. Uns preferem reduzir as mortes presentes, o outro alega reduzir as mortes futuras. Um critica o caos viral, mas argumenta contra usando o caos econômico, com o mesmo terror, mostrando que são apenas faces diferentes da mesma moeda.
Outro equívoco é achar que ambos são cura da doença. Não há essa pretensão. O isolamento é apenas um modo de ganhar tempo, reduzir probabilidades, buscar um remédio, alongar o tempo para que o sistema de saúde se prepare para o atendimento, com garantia de vagas o suficiente para que não haja mortes que seriam evitáveis, mas sabendo que que não pode ser eterno.
Já a " imunização coletiva" pela doença aposta que assim a pandemia acaba mais rápido ( é verdade), mas esquece que por ser mais rápido será mais colapsante e letal e matará quem escaparia, por falta de assistência.
Enquanto os grandes estudiosos debatem o imenso universo de incertezas que rondam a pandemia impressiona a arrogância dos que sabem as soluções, como se o tempo todo não tivéssemos que tentar buscar o equilíbrio e aplicação de todos esses componentes citados.
Já os que emergem do pântano para dizer que um número x ou y de mortos não é nada, apenas, desejo que voltem ao seu lugar de origem.
E vamos tentar usar o conhecimento e os dados que temos para agirmos nos momentos diversos com sabedoria.