Há duas formas de enfrentar essa pandemia. Uma delas é lutar com testes , isolamento, achatamento da curva, preparo do sistema de saúde para o atendimento. A outra, é a chamada "imunização do rebanho" que é atingida quando 60-70% da população fica imunizada por contato com o vírus.
Os defensores da primeira lutam por cada vida, os defensores da segunda, por nenhuma.Eles optam por uma espécie de "eugenia viral". Todos ficam doentes, pouco importa quantos morrem, e sobrevivem os aptos. Para amenizar, dizem que os pacientes de risco devem ser isolados, embora não expliquem como, com todo mundo nas ruas. Essa escolha é mais rápida, embora mais letal.
O problema, é que se o sistema de saúde já está em colapso com a curva achatada, imaginem com a curva sem achatamento. Inevitavelmente isso levaria a morte de pessoas que não morreriam, por falta de assistência a saúde. Imaginem que 60% de 210 milhões corresponde a 126 milhões de contagiados, e 15% deles são sintomáticos. A falta de suporte elevaria a letalidade da doença. Eles acreditam que isso pode salvar a economia, mas essa conduta não foi adotada por nenhum país do mundo.
Desde o início dessa pandemia o governo federal, liderado por seu presidente tem, claramente, optado pela tese da "imunização do rebanho". Em reiteradas vezes o presidente abordou esse percentual de contágio e tratou os mortos sem a menor empatia, às vezes com desprezo, como se fosse apenas uma fatalidade numérica aceitável. Em nenhum momento fez qualquer referência a medidas de defesa, apoio, liderança, ao enfrentamento. Ao contrário, é seu mais ferrenho opositor. A indiferença presidencial chega a ser ofensiva; a oposição, chega a ser criminosa. Ele devia saber que a economia não existe independente da saúde.
O parcial sucesso que estamos tendo deve-se a ação dos governadores, ao isolamento, ainda que falho, as máscaras, e ao esforço do cidadão. Vários Estados, no entanto, caminham para o auge do contágio, com sistemas colapsados e barbáries inimagináveis, além de uma pressão absurda sobre os profissionais de saúde, que representam 9% dos casos, e já contam com 65 médicos e 88 enfermeiros, mortos.
Apesar de 2 meses de evolução, continuamos como o país que MENOS testa no mundo, entre os principais. Isso mostra de forma objetiva que o planejamento do governo federal para enfrentar a pandemia foi um fracasso, desconectado, sem direcionamento, ao contrário da economia, em que apresentou corretas medidas de apoio.
Estamos navegando no escuro, como disse o novo ministro, a tendência é de crescimento e piora do colapso, o governo federal não se importa com os que vão morrer, e cabe a cada um de nós lutar pela sobrevivência.
Nenhuma vida é descartavel, nenhuma vida a ser perdida, sem luta.
Récem inaugurada a Unidade Covid-19, do HGCA, recebeu ontem seu primeiro
paciente positivo.
Ele esteve internado na Unidade Cirúrgica e positivou durante a evolução.
O enfrentamento a pandemia do Chinavírus é a crônica de uma tragédia marcada para acontecer. Transformada em um reality show político pelo ex-ministro Mandetta, que fazia longas entrevistas e pouca ação, ela sofreu sempre de improvisação, descaso, e diretrizes confusas e divergentes entre a equipe e presidente que insiste em não usar máscaras, abraçar eleitores, e desde o começo chamou a pandemia de “gripezinha”.
Em outras vezes tentou reduzir sua importância, banalizar suas mortes, e chegou a dizer que não queria saber quantos iam morrer porque não era coveiro. No penúltimo episódio, já celebre, mandou um E dai? para as vítimas. Fica claro, evidente, que Bolsonaro não tem nenhuma empatia pelas vítimas da doença, nem com quanto elas serão, ou como estão sendo assistidas. Ele acredita ser presidente da parte que cuida, apenas, da economia.
Por último, no mesmo dia em que o Brasil bateu o recorde de mortes em um dia com 751 mortos, os casos chegaram a 10.222 por dia, e atingimos a marca de 10 mil mortes, o presidente anunciou que vai fazer um churrasco em casa, tripudiando com os milhões de pessoas que vivem a dificuldade de enfrentar a crise, os profissionais que estão expondo a vida para combater a doença, as famílias e aqueles que estão enfrentando a traiçoeira luta de depender de um sistema de saúde que está em colapso em vários Estados, produzindo cenas dantescas.
É indigno, absolutamente indigno que Bolsonaro esteja tratando a pandemia e o povo brasileiro como ele está fazendo.
Os mortos estarão sim, em sua conta.
O prefeito de Nova Iorque disse que 66% dos contaminados estavam em casa, e isso se tornou um argumento sofista contra o isolamento. Porque sofista? Vamos lá:
1- A maioria das pessoas está em casa, logo, se a maior parte de um todo está em casa é claro que será daí que sairão mais casos, mesmo que seu percentual de contaminação seja menor do que daqueles que estarão nas ruas, porque menos de uma grande maioria é, em números absolutos, muito maior do que até percentuais grandes de uma minoria. É uma questão de amostra populacional. Ou, de outra forma: ser dono de 100% de um posto de gasolina é muito menor do que ser dono de 5% da Schell.
2- ocorre muita contaminação em domicílio porque a significativa parcela da população que ainda está nas ruas, leva o vírus para casa. Não é pelas pessoas que estão em casa, é sim pelas que estão nas ruas, e indo das ruas interagir com os idosos. Não é pelo excesso de quarentena, é pela brandura, que permite, inclusive, aos que estão em casa saírem. Para reduzir esse R0 do vírus, ou taxa de contágio ( atual é 2,8, a mais alta do mundo), é que vários países fizeram o bloqueio total.
3- trabalhadores essenciais- por um mínimo de respeito e agradecimento a eles pelo sacrifício- deveriam estar sendo testados de forma preferencial. Assim, reduziria seu potencial contaminante, assintomático.
4- então, já que nossa taxa de isolamento está sempre abaixo do necessário, temos 13 milhões de moradores em favelas, 20 milhões sem água encanada, e grande parte contamina em casa, não seria melhor liberar geral? Caímos no mesmo ponto: com nosso isolamento atual, que já foi mais intenso no começo, estamos tendo colapso do sistema de saúde em vários Estados e estamos assistindo cenas de bárbarie, imagine com uma contaminação sem controle?
5- nenhuma vida descartável, nenhuma vida perdida sem luta, deve ser nosso lema
A maior parte da Europa, Nova Iorque, China, Singapura, estão saindo do descontrole da pandemia e começando a retomar a economia. Em todos os países, todos, o isolamento, quarentena, ou bloqueio total, foram peças essenciais no controle da pandemia, redução das mortes ou adequação do atendimento.
Quando mais ágil ele foi ( Portugal, Alemanha, Singapura), menos impacto e vidas perdidas; quanto mais tardio, mais irresponsável, maior a tragédia( Itália, Espanha, NY, Equador, etc).
O outro fator fundamental foi a capacidade de fazer testes nos indivíduos e conhecer a doença, permitindo determinar seu R, ou taxa de contágio ( idealmente deve estar abaixo de 1)
As medidas de contenção reduzem a velocidade de expansão da doença. A barbárie de dizer que não existe achatamento da curva só cabe em argumentos aloprados.Os estudos e dados estão aí mostrando os fatos.
Quanto mais bem feito, mais precoce, mais aderente, foram essas medidas - isolamento e testes-, mais vidas salvas, mais retomada precoce da economia, menos impacto.
A combinação de testes e distanciamento social são efetivos em controlar a pandemia. O resto é ciência de facebook!