A decisão do presidente da Câmara, Marcos Lima, de
encaminhar ao MP e TCM a Sindicância sobre o dano de R$1,5 milhões na obra de reforma do
anexo da Câmara.
A inauguração pelo governador Jerônimo da nova e sensacional
Rodoviária de Salvador
O convênio assinado pela Funtitec para implantação da
Biblioteca Digital na Arnold Silva
Programa de cirurgia de mama gigante do Hospital da Mulher
Burger King que contratou Roberto, abandonado no Pico Paraná, para
campanha sobre amizade
Assinatura do acordo do Mercosul
A importância da beleza sempre foi um tema da filosofia.
Aristóteles afirmava que a beleza reside nas próprias coisas, caracterizando-se
por harmonia, proporção e ordem, fundamentando-a na simetria e grandeza.
Na contemporaneidade, o mito da beleza perfeita alcançou
dimensão quase sobre-humana. O humano começou a buscar, nos consultórios
médicos – além das academias, centros de estética e similares –, a perfeição do
corpo, o retardamento do envelhecimento e do ocaso sexual.
Como procura e demanda caminham em simbiose, surgiram
procedimentos invasivos e aplicações medicamentosas que visam corrigir o que
cada um considera imperfeito em seu mundo narcísico.
Muitos desses procedimentos são realizados por médicos
habilitados, mas surgiram oportunistas, que vendem condutas milagrosas e,
muitas vezes, com risco à vida. Exemplos incluem terapia de vitamina D em doses
excessivas; soroterapia inútil; "chip da beleza"; suplementação de polivitamínicos
sem deficiência; implantes sem autorização da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) e reposição indiscriminada de testosterona em mulheres
(indicada apenas em situações muito específicas). Vale lembrar que o aumento do
clitóris e a mudança na voz, efeitos da testosterona, são irreversíveis.
Já atendi pacientes que pagaram R$ 5 mil para retirar chumbo –
inexistente – do organismo. Outra apresentou nível de vitamina D no sangue de
5000 unidades – o maior já registrado na literatura médica –, após reposição
inadequada, indicada por ortomolecular.
Estou publicando esse caso em uma revista, pois a paciente sofreu
injúria renal e derrame no pericárdio. Tenho pacientes com lúpus que agravaram
a doença, porque interromperam a imunossupressão para controlar imunidade por vitaminas
em doses altas.
Há profissionais, de prática médica duvidosa, que indicam
injeção muscular do próprio sangue (auto-hemoterapia). Uma paciente perdeu a
visão de um olho, após procedimento na pálpebra, onde o médico injetou um
produto na artéria oftálmica.
Além desses, muitos outros casos resultaram em morte, como
vemos nos noticiários. Por vezes, a tentativa de vencer Cronos, o tempo, sai
caro demais. Há médicos que solicitam mais de 100 exames como
"pacote", antes mesmo de atender o paciente, e recomendam a
formulação de produtos no próprio consultório.
Não há critérios que justifiquem esse tipo de coisa, sendo
apenas mercantilismo. Essas violações se estendem a outras áreas da saúde, como
enfermagem, nutrição, odontologia e biomedicina. Entre as práticas mais
exploradas, destaca-se o surgimento das "canetas emagrecedoras", um
medicamento revolucionário no combate à obesidade, mas que ainda tem custo
elevado.
O médico Gabriel Almeida foi, recentemente, alvo de uma ação
da Polícia Federal (PF), amplamente divulgada na mídia, por manipular o
medicamento sem o insumo original fornecido pelo detentor da patente.
O insumo precisa ser rastreável e idôneo (conforme a Lei
6.360/1976 e RDC 62/2007); ter garantia da qualidade do produto, da cadeia de
custódia, da segurança do tratamento. No entanto, muitos profissionais estavam
vendendo e aplicando o produto em seus consultórios. Recentemente, uma paciente
desenvolveu insuficiência respiratória e renal, precisando ser entubada, após
uma dessas aplicações.
A medicina é uma arte ética baseada em rigorosa evidência
científica, exigindo caráter e honestidade em sua prática. Esta se estende a
outras áreas da saúde, como enfermagem, nutrição, odontologia e biomedicina.
A exploração do cliente apenas por motivos financeiros é uma
miséria moral de nossos tempos e deve ser enfrentada pela sociedade. A beleza
pode ser ajustada, mas a servidão a um padrão torna-se um meio de exploração
para aproveitadores de todas as áreas.
O refinado articulista André
Pomponet, em artigo publicado, nesta quarta-feira (14), na Tribuna Feirense,
sugeriu que seja distribuída água no centro de Feira, como forma de combater o
calor. Além disso, é preciso plantar árvores em nossas áreas urbanas, a fim de
promover um ambiente mais saudável e sustentável.
As árvores desempenham um papel crucial na melhoria da
qualidade do ar, pois absorvem dióxido de carbono e liberam oxigênio,
contribuindo para a purificação do ar. Elas também ajudam a reduzir a
temperatura nas cidades, oferecendo sombra, resfriando o asfalto, combatendo o
efeito "ilha de calor".
Outro benefício importante é o aumento da biodiversidade, já que as árvores proporcionam habitat para diversas espécies da fauna e da flora, enriquecendo a biodiversidade urbana. As árvores também embelezam as cidades, tornando-as mais agradáveis e convidativas. E não podemos esquecer os benefícios psicológicos, pois áreas verdes estão associadas à redução do estresse e à melhoria do bem-estar mental.
A densidade ideal de árvores varia de acordo com as
características de cada cidade, mas uma diretriz comum é ter entre 10 a 30
árvores por hectare, com uma recomendação de, aproximadamente, uma árvore para
cada dois habitantes.
Curitiba, modelo no assunto, tem 60 metros quadrados de área
verde por habitante, cinco vezes mais do que o recomendado pela Organização
Mundial da Saúde (OMS). Em Feira de Santana, que possui uma população estimada
de 620 mil habitantes e uma área de mais de 1,1 mil quilômetros quadrados, o
número ideal de árvores seria em torno de 310 mil, considerando a densidade
recomendada.
Em 2018, havia 60 mil árvores na cidade, mas esses dados são
imprecisos. Campina Grande, com 400 mil habitantes, em 2016, já tinha 100 mil
árvores. Portanto, plantar árvores em Feira de Santana contribuirá
para um ambiente urbano mais sustentável e equilibrado.
A meta de alcançar cerca de 310 mil árvores, como recomendando, é um passo importante para transformar a cidade em um lugar mais verde e saudável. É essencial que o poder público compreenda a importância dessa intervenção e Feira recupere seu inaceitável atraso nesse assunto.
A mobilidade pública é um tema crucial para o
desenvolvimento urbano e a qualidade de vida dos cidadãos. Valdomiro Silva e
André Pamponet destacam, em sensatos artigos nessa Tribuna- e com mais
habilidade do que sou capaz de comentar- a disparidade entre os investimentos e
a organização da mobilidade em Feira de Santana e Salvador.
Nas últimas décadas, Salvador passou por transformações
importantes na mobilidade urbana. O estado investiu em infraestrutura,
incluindo metrô, viadutos, avenidas de interligação, VLT (Veículo Leve sobre
Trilhos) e BRT (Bus Rapid Transit) com algumas intervenções da Prefeitura. Agora,
o governador Jerônimo, está entregando uma sensacional e moderna Rodoviária,
deslocando o acesso para a entrada da cidade e substituindo uma unidade que já
estava obsoleta. Todos nós que dirigimos por Salvador reconhecemos essa
ampliação e o impacto que essas medidas tiveram para evitar o caos no deslocamento dos
soteropolitanos.
Em contrapartida, Feira de Santana enfrenta desafios significativos sem o mesmo aporte de soluções. Apesar de algumas intervenções feitas pelo estado e, em especial, pela Prefeitura Municipal, através de viadutos, a mobilidade na cidade ainda é difícil. O projeto do BRT, por exemplo, rendeu
mais mídia que resultados e algumas estações seguem como fantasmas assombrando
até importantes avenidas. A proliferação
de transporte clandestino e alternativo é um atestado de nossas dificuldades.
É essencial que as intervenções em Feira considerem o futuro
da cidade e integrem diferentes modais de transporte- do mais simples ao aéreo.
Atualmente, a cidade possui mais de
380.000 veículos registrados e uma frota de motocicletas estimada em 100.000
unidades, além de uma grande população flutuante que circula continuamente por
aqui. As condições do transporte público, por sua vez, são preocupantes, com vários pontos de ônibus inadequados, improvisados, sem
iluminação e informações.
Para resolver esses problemas, é necessário implementar um
sistema de transporte moderno e integrado, que conecte diversos tipos de
transporte. A melhoria da sinalização e a criação de canais de tráfego são
fundamentais, assim como a adequação das vias para motocicletas – uma tragédia
de saúde pública- entre muitas outras. Aliás, há décadas luta-se
para implantar uma Zona Azul, no Centro, sem que consiga ser- estranhamente-
viabilizada.
Em suma, a mobilidade pública em Feira de Santana requer uma
intervenção significativa, seguindo o exemplo de Salvador. A integração de
modais e a melhoria das condições do transporte público são fundamentais para melhorar
a qualidade de vida da população, em sua imensa maioria usuária do sistema
público de transporte.
O Brasil possui um Judiciário extenso, com cerca de 18.000
juízes e 300.000 servidores, consumindo 1,2% do PIB e 2,3% dos gastos totais da
União. Esse imenso contingente é responsável por lidar com aproximadamente 80 a
100 milhões de processos, evidenciando que o Brasil é um país que abre
processos como se não houvesse amanhã, sugerindo, também distorções nesse
modelo funcional. O Ministério Público, por sua vez, conta com cerca de 13.000
procuradores e promotores, além de 38.000 servidores, consumindo cerca de 0,3%
do PIB.
Como se pode notar o Judiciário lida com um volume imenso de
trabalho, mas não se pode negar, também, que temos um dos mais caros sistemas
judiciais do mundo.
A situação torna-se mais grave porque uma parte significativa desse Judiciário
enfrenta uma série de situações e denúncias que corroem a confiança da
população na Justiça. As notícias sobre contracheques exorbitantes, sustentados
por "penduricalhos", acumulações
salariais inaceitáveis, soam como um tapa na cara do cidadão. As férias de 60
dias, em contraste com os demais trabalhadores, e aposentadorias compulsórias
em caso de condenação por crime, revelam uma série de privilégios que alimentam
a insatisfação popular em relação ao Judiciário.
Além disso, diversas denúncias de venda de sentenças indicam
que os limites éticos dessa elite do funcionalismo público foram ultrapassados.
A Operação Faroeste devastou a Justiça na Bahia e outras situações similares
têm sido reportadas em diferentes estados.
Nos tribunais superiores, a situação é ainda mais alarmante,
grave e destruidora. Uma investigação da Polícia Federal revelou a ligação de
um advogado, que foi assassinado, com a venda de sentenças no Superior Tribunal
de Justiça (STJ). No Supremo Tribunal Federal (STF), contratos milionários
envolvendo familiares de ministros com empresas, viagens financiadas por réus
com causas pendentes no STF, patrocínios em eventos e parcerias com
instituições de educação ligadas a familiares de ministros ilustram a total
perda de limites morais, da liturgia do cargo. A "advocacia de parentes" é um cupim que corrói a
seriedade do Judiciário e exige algum tipo de intervenção e contenção.
O ativismo judicial, o desrespeito total e absoluto ao
devido processo legal pelo STF, incluindo a prática de censura e perseguições,
ajudam a minar a credibilidade do Supremo.
Esse conjunto de situações acabam por penalizar a imensa
maioria de profissionais que trabalha com seriedade, compromisso e honestidade. A situação é
intolerável e exige que respostas sejam dadas.