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César Oliveira - 21 de Junho de 2017 | 09h 02
As lagoas de Feira mereceram, ao menos, dez capas de nossa edição impressa. A recuperação da Lagoa Grande é uma obra majestosa. Traz impacto visual, muda circulação do ar, reduz gasto de energia ao redor, cria uma área de lazer no centro e embeleza o cenário árido e imerecido de Feira, uma cidade nascida entre lagoas e que as massacra com a insensibilidade natural de seus mandatários desde sua fundação.
Grandes lagoas urbanas já foram aterradas. Avenida José Falcão cortou uma ao meio; a BR324, seccionou trágicamente a Lagoa do Suabé e outros empreendimentos aterraram as demais. A luta ambiental estimulou o Prefeito Ronaldo a preservar o Lago do Geladinho, mas a nascente do outro lado da rua, capenga, sem solução, vivendo de promessas de ser incorporado ao lago. A Prefeitura, sem pudor, aceita laudos feitos pelas empresas interessadas para afirmar que áreas de lagoas não são lagoas, pois, a Prefeitura- pasmem- não tem dinheiro para contratar ela própria um parecer. Foi assim na José Falcão e no terreno onde foi construído o imperial Atacadão.
Na gestão passada, na Secretária do Meio Ambiente, do atual vereador Tourinho, saiu, a golpes de faca, uma verba para fazer um cadastro aéreo das lagoas -algo, que deveria ter sido uma prioridade desde o início do longevo governo-, e que, aliás, deve ser disponibilizado publicamente, para entidades e UEFS, que estudam o tema, ou estudava, no tempo em que respirava sem aparelhos. Na Lagoa do Subaé, o bem intencionado secretário, atual, Sérgio Carneiro, autorizou um empresário particular executar um projeto de preservação. Imagino que deve ter um parecer e licença das entidades reguladoras favoráveis a intervenção e pode ser uma boa ação.
Sérgio, um cidadão pró-ativo, reconheço, tem intenção de preservar o outro lado da Lagoa do Subaé, como anunciou a Prefeitura, com um projeto, mas ainda não aconteceu nada. Participei, também, de uma visita a área com o deputado Zé Neto, mas não houve intervenção concreta. O que se busca, ali, é uma intervenção ao redor da Lagoa- árvore, ciclovia, calçada, ou seja lá o que for- que delimite sua extensão, pois, os especuladores imobiliários locais são implacáveis e contam, sempre, com íncriveis habite-se, ou silêncio, para construções.
Água é, cada vez mais, produto vital, preciosidade para o futuro. Não é possível que desprezemos- a Santana dos Olhos D'Água- a raridade que nos foi concedida. Precisamos de uma luta permanente e consciente por nossas nascentes. A impermeabilização urbana do solo traz consequências funestas e isto não é apenas um discurso natureba. Basta vermos as experiências de tantas outras cidades, por isso, as intervenções se tornam imprescindíveis.
A Lagoa Grande diante da qual cruzou-se os braços com discuso fatalista é prova que é possível a recuperação. A retirada das 600 famíias, realocação em um conjunto e a intervenção que a salvou é uma obra majestosa. As licitações anunciadas pelo deputado Zé Neto- que faz um gigante esforço pela obra, reconheço- para conclusão de parte do esgotamento e drenagem, urbanização, manutenção e paisagismo, são fundamentais.
Em algum momento será preciso que Estado e Prefeitura afinem seus discursos, tratem da regulação da ocupação ao redor ( afinal, é uma APA), perfil de construção, intervenção de circulação e aspectos arquitetônicos, em um projeto que torne seu entorno uma área de negócios e lazer.
E nós, cidadãos, precisamos continuar lutando pelas demais. Somos peixes fora d'água.
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César Oliveira - 20 de Junho de 2017 | 18h 06
Após Temer ter derrubado Dilma, por suas pedaladas e "contabilidade criativa" que arrebentaram o país, Joesley -"o notório bandido"- ficou sem a boca ilimitada e barata do BNDES, que o salvou da quebradeira e o fez bilionário. Juntando o dinheiro, a vaidade jurídica, a afinidade ideológica que sempre perpassou a alma esquerdista de Janot-Fachin, eis que estava desenhado o cenário perfeito para acontecer a maior operação desmonte já vista por estas bandas, que permitisse, ao mesmo tempo, liquidar o presidente da " pinguela", imobilizar o principal líder da oposição e salvar o alvo oculto da operação: Lula.
A urgência se dava porque Janot já sabia que não teria seu cobiçado terceiro mandato e havia o risco de Joesley cair na mão de Moro, onde delações tem um preço muito mais caro, revelações mais profundas e sem seletividade de denunciados. Para isto um procurador da Lava-Jato mudou de lado e foi orientar a delação de encomenda mais premiada do mundo. Criado o fato, Janot, com a alma solidária de Fachin, liberou gravação sem perícia, vazou na medida do interesse para a Rede Globo-convencida, sabe-se lá como, a se jogar de corpo e alma na aventura-, tentando forçar a renúncia de Temer. No meio, inocentes, a dupla da lei, deixou vazar o aúdio de um jornalista opositor com sua fonte.
A operação quase deu certo e já se sabe que Temer chegou a preparar o discurso de partida. Como resistiu, o mafioso voltou ao Brasil para fazer um recall, um pós-venda de sua carissíma delação, com sua parceira Época, e, com aquele ar de bom moço interiorano, com apenas 245 crimes na biografia, bem intencionado, relatou que gravou o número 1 ( Temer), e o número 2 ( Aécio), porque queria mostrar ao Brasil que este era "tão corrupto quanto aquele" e que não bastava tirar um e colocar o outro.
Apesar de ter sido parido por Lula, amamentado por Dilma, nas tetas estatais, ter crescido seu faturamento de R$4 bilhões em 2005 para R$168 bilhões em 2016, ele disse que só tratou de corrupção com o sacrificado Ministro Mantega, que mal conhecia o ex-presidente, e que teve apenas conversas republicanas com Lula. Aliás, na sua delação ele diz que emprestou uma conta para Mantega ocultar U$150 milhões de dólares da dupla de ex-presidentes petistas, mas apesar disto nunca quis mostrar ao Brasil que eles eram corruptos como os outros e nunca os gravou. As suas denúncias contra o PT nunca são diretas. Sua alma de justiçeiro apareceu só com Temer no poder, afinal, agora sim, ele estava diante do " líder da mais perigosa quadrilha nacional". Ou, talvez, tenha sido o rigor de Maria Silvia, no BNDES, o estimulante.
Joesley, o criador de lendas, só comparável ao grande escritor La Fontaine, foi imediatamente desmentido por Eduardo Cunha que relatou uma reunião entre ele, Lula e Joesley, para negociar o impeachment de Dilma. Acredito que seja possível a todos imaginar o nível de negociação romântica e ética desta reunião entre quadrilheiros. Diz a regra que mentir na delação invalida o benefício, mas parece que a regra não é clara, para todos. Certo Arnaldo?
E o Janot, hein? E o Janot? O Janot ficou com o perdão criminal ao La Fontaine da Friboi...
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César Oliveira - 19 de Junho de 2017 | 17h 23
Mestre na arte de vender e comprar, comerciante de berço, homem de negócios, balconista efciente, o " notório bandido", Joesley, vendeu uma delação de derrubar presidente cobrando os olhos da cara, do Brasil, pagos por Janot, com o dinheiro nosso e direito a escárnio, iate, jatinho e perdão criminal. Nunca antes neste país.
Como o presidente não caiu o mafioso foi chamado para fazer um recall, um pós-venda, através de sua cliente e parceira, revista Época/Rede Globo, definindo com sua expertise em assalto aos cofres públicos quem era o mais perigoso líder de quadrilha nacional e quem devia ser protegido e rebaixado de posto, afinal, foi quem o fez enriquecer.
Tudo bem ensaiado. Só faltou combinar com os brasileiros
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César Oliveira - 18 de Junho de 2017 | 23h 14
Mais do que um processo de corrupção endêmica, avassaladora, que serve de sustentáculo a projetos de poder baseados na fraude e no dinheiro ilegal, de forma pluripartidária, embora “institucionalizada pelo PT”, temos um processo de mistificação e manipulações como nunca vi, desde a redemocratização.
Entre as tantas variáveis destaca-se , indiscutivelmente, uma agilidade inédita, em relação ao resto de seu mandato, do Procurador Geral, Janot, em viabilizar as denúncias contra Aécio e Temer, e promover as prisões com urgência, mesmo que a base de acordos de delação altamente questionáveis e que inclui até perdão criminal, utilização de fita sem perícia, e membro da sua equipe na Lava-Jato orientando delação do mafioso Joesley; o inusitado empenho da Rede Globo fazendo ordem unida em todas as suas unidades de jornalismo, por ter decidido –sabe-se lá por qual razões, afinal, não é seu padrão- derrubar Temer; e Temer, cercado de delatados da Lava-Jato, como seus principais amigos, e, ele próprio, gravado em conversas indecentes com um mafioso que confessou mais de 245 crimes, delatado por empreiteiras, fingindo que comanda o país como um vestal da moralidade.
Enquanto isto se esfacela em condutas esquisitas e opções jurídicas estranhas, nossos Tribunais de Justiça superiores, estranhamente, ou convenientemente, poupados das delações da Lava-Jato, afinal, até mesmo Joesley, não entregou ninguém do Judiciário. Aliás, na “delação de encomenda”, Joesley, dedica-se com afinco a pegar Temer- certamente foi seu preço-, e poupa Lula, dizendo que suas conversas” não republicanas” era apenas com o ex-ministro da Fazenda, Mantega, propineiro e sonegador de impostos.
Quer dizer, o maior golpe no BNDES, do maior corrupto nacional, iniciado e realizado no governo Lula, foi criado e tratado apenas com um Ministro, sem aval presidencial. Joesley quis conversar com Temer, mas nunca fez questão de conversar com Lula, contentando-se com o segundo escalão? Ah, me bata um abacate! Aliás, Mantega- que ainda está solto-, ao que parece, terá sua cabeça servida na bandeja, como São João, para poupar o chefe. Parece que Palloci- o habilidoso-, seguirá o mesmo caminho e discurso.
O governo Temer, que acerta na economia, apesar de todas as avarias, terá de partir para a barganha, buscando a sustentação e a aprovação das reformas, que, se vierem, custarão mais caras, com certeza. A manutenção do seu mandato, não será feita pelos deputados apenas por pensarem no futuro do Brasil. Argumentos mais convincentes já começam ser liberados e teremos, com certeza, um novo capítulo de horror, visto que, na bandidagem atual, até os que permanecem calados, na cadeia, estão recebendo dinheiro pelo silêncio.
Verdade que, se de um lado, a dupla Fachin-Janot, age sob questionamentos, do outro, Temer, é acusado de mandar espionar Ministro do STF e de usar o Estado para perseguir os opositores. O que estamos assistindo, não nos enganemos, não é só uma busca por Justiça, mas uma luta intestinal, violenta e sem escrúpulos, pelo poder, envolvendo os mais diversos interessados: mídia, Judiciário, políticos, grupos empresariais, mas cada um com sua conveniência. O povo, serve apenas para pagar o pato.
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César Oliveira - 16 de Junho de 2017 | 16h 51
O PSDB vive seu dilema crônico de incapacidade de tomar decisões. Seu líder maior, FHC, está com Temer - a pinguela- como ele disse, pela manhã, e a tarde, está pedindo sua renúncia e eleição direta. O ex-presidente, fazendo o que faz melhor, que é atirar para todos os lados, já disse que quer todo mundo junto, ou seja, Rede de Marina, PT, PSOL, e, se possível o guarda da esquina.
Dizem que a ala jovem quer romper; a ala mais antiga que permanecer. Com 4 Ministérios e esperando contar com o apoio do PMDB no futuro, tem vontade de ficar, mas ao primeiro sinal de trovoada pro lado de Temer, já não garante as calças e que partir. É como a biruta de um aeroporto: segue o rumo do vento.
Com seus principais canditados a presidência alvejados- Aécio, Serra, e mesmo Alckmin- o partido exerce com maestria a arte da indecisão e se torna um invertebrado incapaz de obter a confiança do cidadão para conduzir nosso futuro.
No momento em que mais precisamos de decisão e firmeza o PSDB oferece elasticidade ética e incapacidade de liderança.