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César Oliveira - 30 de Novembro de 2016 | 07h 06
O Ministro da Cultura, Calero, após denunciar, corretamente, Geddel, demitiu-se, e disse que tinha gravado Ministros e o Presidente. Durante dias a bola rolou criando-se uma expectativa que Temer teria sido pego com a faca no pescoço do Ministro. Com mais um tempo Calero passou a dizer que as conversas de Temer tinham sido só protocolares. O desgaste foi longo demaias, mas agora os áudios saíram: a montanha pariu um rato.
As conversas dele com o Presidente nada tem de especial, ao contrário, Temer diz que foi inconveniente por ter insistido para que ele ficasse no cargo. Temer está errado por tentar fazer um governo com amigos, todos denunciados na Lava-Jato, mostrando que seu limite ético tem tolerância excessiva, por demorar em demitir Geddel, por renomear o demitido Jucá como líder do governo, mas as gravações mostram apenas que Calero foi metade concreto, metade show.
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César Oliveira - 30 de Novembro de 2016 | 07h 05
Quanto mais vejo o caso Calero, menos acredito que o que parece, é. Algumas questões:
1- Ao assumir o MinC, Calero, fez vários esforços para barrar a CPI da Lei Rouanet ( tem muitos amigos entre os artistas, após ter sido Secretário de Cultura, no Rio ) tendo sido questionado na imprensa por esta atitude, agora, mudou de conduta e tom em relação ao bem público.
2-O mais grave, no entanto, como escrevi no mesmo dia da demissão, foi que, Calero, disse que " uns amigos na PF" o aconselharam a gravar as conversas. Há algo de muito errado quando um servidor da PF, um orgão da estrutura do Estado, estimula um Ministro a gravar o Presidente da República clandestinamente. Ou Calero desmente que foi a PF, ou coloca a PF em maus lençóis e precisamos saber quem foi.
3- Calero diz que as gravações de Temer, são protocolares. Ora, se são protocolares porque gravar o Presidente?
Cada vez mais tenho a impressão que Calero sentiu o potencial lesivo do material que tinha em mãos, sabia que derrubaria Geddel e abalaria o governo. Com este material pensou que poderia incluir Temer no bolo e resolveu gravar o Presidente. Calero prestou um serviço inesmitável e merecedor de aplausos ao denunciar Geddel, mas foi muito além dos seus sapatos ao GRAMPEAR A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Não é uma decisão qualquer. É uma aposta muito alta.
Quando o juiz Sérgio Moro, investigando um crime, gravou indiretamente a Dilma, o mundo veio abaixo e Moro foi acusado de todas as formas. Agora, quando um Ministro grava o Presidente clandestinamente, não posso crer que isso seja normal.
Ás vezes, faz-se o certo por motivos errados e vice-versa. Calero tem um certo ar vaidoso, fez o certo, mas acho que apostou ser apenas o mocinho no filme do herói, embora também não deixe de ser um Calero de Tróia.
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César Oliveira - 29 de Novembro de 2016 | 18h 22
As grandes tragédias sempre trazem uma pergunta inexplicável. Porquê? E justo com um time de futebol
que vinha fazendo uma trajetória bonita e ia disputar sua primeira final continental. Acontece que a vida não tem justificativas, nem merecimentos, nem razões. A vida tem acasos. A explicação técnica virá da caixa preta; a explicação da escolha, nunca chegará.
Muitas vezes os fatos acontecem como uma combinação de pequenos detalhes que somados causam os acontecimentos: alguém que sai para pescar mesmo em dia de chuva, sozinho, tento esquecido o rádio e a bússola. Outras, são apenas efeitos de fatores imprevisíveis ou ainda não detectados, como o congelamento dos pilot no avião da Air France, o que aconteceu pela primeira vez.
As tragédias coletivas nos chocam porque nos tiram do imobilismo e resgatam em nós uma sensação de
solidariedade que temos perdido nos eventos individuais, e, por outro lado, porque nos sinalizam que
a fragilidade é universal e o acaso pode chegar para nós em qualquer momento. A tragédia
nos humaniza, relembra nossa mortalidade, amofina nossa onipotência, e pontua que estamos em um voo sem nenhum controle sobre ele.
Todo dia é um drible; a vida, um jogo. Celebremos todos os dias, a imperceptível vitória. E choremos, pelos que perdemos, pois somos nós mesmos.
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César Oliveira - 26 de Novembro de 2016 | 17h 46
Morre, aos 90 anos, Fidel, líder revolucionário que se converteu em ditador cubano, ao escravizar e encarcerar a ilha para servir aos seus desígnios. Escapou de mais de 600 atentados -dizem- , quase colocou o mundo diante da hecatombe nuclear, na crise dos mísseis; usou o dinheiro do povo e a vida de cubanos para tentar impor sua revolução socialista em muitos países, ceifando milhares de vida. Para sobreviver, pois não se auto sustentava, parasitou a URSS, Venezuela, e, por fim, o Brasil.
Não se pode negar-lhe o imenso carisma, a capacidade de compor um imaginário revolucionário, e o fato que colocou uma ilha sem maiores poderes na história mundial, dando-lhe uma dimensão que jamais teria. De certo modo, venceu os EUA ao não ser derrotado e sobreviver .
Enfermo de poder, fuzilou milhares de dissidentes, perseguiu violentamente homossexuais, treinou terroristas, manteve centenas de presos políticos e submeteu o povo a humilhações de obediência inimagináveis, desde não poder entrar em um hotel, a circular livremente. Muitos lançaram-se de balsa ao mar, após sonhar com Miami, no Malecon, e, ao fim, a escassez, a fome, tornou a corrupção da sobrevivência e a prostituição de nível superior, um processo endêmico .
Como todo ditador, anulou a Justica, suprimiu a imprensa e a liberdade de opinião , marcos fundamentais da democracia. Controlou a vida de cada cidadão de forma esmagadora , estimulou que cada um fosse um "chivato" (delator do outro), e viveu com as vantagens e benesses dos senhores absolutos. Ficou no poder por 47 anos, e, após adoecer, colocou seu irmão na liderança, já fazem dez anos.
A ditadura que o antecedeu e a máfia americana exploraram e prostituíram Cuba de forma avassaladora, o que fez de sua vitória algo a ser celebrado, mas o ideal revolucionário que contaminou a tantos, não resistiu e cobrou um preço alto demais .
Com um salário de 25 dólares, a economia paralela ficou maior que a oficial, e a escassez a marca bruta da falência do regime . A sua grande celebração é ter educado o povo- o que é verdade-, mas ela não passa de um instrumento de controle e doutrinação; de oferecer saúde com índices excelentes, em doenças básicas - outra verdade-, embora não se tenha como checar as informações, ela seja arcaica e o sistema esteja limitado e corroído pelo " agrado por fora" para o atendimento .
É voz corrente entre os cubanos que ele foi eliminando um a um os líderes que desceram com ele de Sierra Mestra : Che, enviado à Bolívia, ficou esperando um apoio que nunca chegou; Cienfuegos, líder muito popular e combatente, morreu em um misterioso acidente aéreo e nunca foi encontrado; Huber Matos,forte líder militar, após dez meses, foi preso por 20 anos e depois deportado, tendo escrito o interessante livro: Cómo llegó la Noche.
A falta de liberdade, palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda, como diz Cecília Meirelles, é a marca de Cuba, ao lado do medo. Por isso paguei a passagem que trouxe a blogueira Yoani Sanchez, ao Brasil, e a Feira de Santana, na sua primeira autorização para sair de Havana- condenação de todos os habitantes, impedidos de viajar por mais de 50 anos-, e senti de perto como agem para combater os dissidentes, quando fomos impedidos de exibir de um documentário sobre ela, em Feira.
Certamente, após a libertação de Cuba da ditadura castrista, muitas verdades sobre a apaixonante ilha ainda virão à tona.
Depois de 5 viagens a Cuba , vendo o que vi, posso dizer que a história não o absolverá Fidel.
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César Oliveira - 25 de Novembro de 2016 | 12h 40
Temer chegou ao poder cavalgando o impeachment legal de Dilma e, com a tolerância da Sociedade, vitimada pela crise e cansada do projeto de poder baseado na corrupção instalado pelo PT. Temer recebeu de graça a chance de fazer a história. Conhecedor da bandidagem parlamentar e da necessidade de uma base para aprovar suas medidas Temer apoiou-se na Turma do Pudim, um grupo de velhos companheiros que, se dominam como ninguém o Parlamento, são velho fregueses das páginas policiais da politica.
Os quatro cavaleiros de seu apocalipse ( Geddel, Moreira, Padilha e Jucá) já haviam sido citados na lava-Jato, mas Temer resolveu apostar em seus nomes. Primeiro caiu Jucá, mas que Temer, sem reconhecer as mudanças em curso resolveu reconduzir ao cargo de líder no governo, no mesmo momento em que estourava o Geddelgate. A demora em cuidar do caso lhe foi fatal. Não deve mesmo ser fácil convencer Geddel a demitir-se, ainda mais o Presidente, que é tipicamente daqueles que quer agradar a todos. A crise avançou , engoliu Geddel, que agora renuncia, e colocou o governo nas cordas, enfraquecido.
As gravações feitas pelo ex-Ministro da Cultura que fez a denúncia das pressões de Geddel, envelheceram o governo Temer, antes dele chegar ao alvo. A economia vai sofrer e Temer vai se tornar um " pato manco" e toda culpa do caos que pode acontecer terá exclusivamente sua assinatura.
Os políticos precisam entender a força das redes sociais e que estamos vivendo novos tempos. A população, sofriada, expoliada, cansada, não está suportando estes abusos: seja no Brasil, na Bahia, ou em Feira.
É bom botarem as barbas de molho...