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24 de Julho de 2022 | 13h 52
Os números das pesquisas eleitorais apresentam uma relação
inversa do Brasil com a Bahia, em relação ao PT. Enquanto no cenário nacional
todas as pesquisas mostram a liderança de Lula, na Bahia, mostram a liderança
de ACM Neto. Não é possível ao PT apostar nas pesquisas na candidatura presidencial
e negar as pesquisas na disputa estadual.
Evidente que pesquisas são retratos
pontuais, mas sua repetição sugere alguma perspectiva de realidade. Até aqui,
ACM Neto, tem mostrado fôlego e dianteira. O PT perdeu o vice João Leão que
mudou de lado como que muda de camisa-literalmente-, vários prefeitos tem
aderido a ACM Neto, e mesmo outros contumazes parceiros do grupo- até Senador-
tem feito críticas à inexperiência de Jeronimo, candidato do partido.
Existe
uma evidente fadiga de material pelo longevo tempo de ocupação do poder pelo PT
com trágicos resultados na Educação ( justamente área de origem do candidato), Segurança
Pública ( estado mais violento do país), o caso do desvio de verbas na compra dos respiradores
e do afastamento do Secretário de Segurança na Operação Faroeste, elevada taxa de desemprego, alta dependência de Bolsa-Família o que denota
falta de avanços sociais, e isso deve pesar na campanha local, muito dependente do desempenho da campanha presidencial.
Enfim, sempre é possível haver o imprevisto em campanhas
eleitorais, mas a Bahia é um dos estados em que o PT está tendo muita dificuldade
em viabilizar seu candidato. O perigo de não crescer é o efeito de adesão em
manada que pode contaminar as lideranças na Bahia!
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22 de Julho de 2022 | 16h 19
Ficou antológico um discurso da bizarra ex-presidente do Brasil, Dilma Roussef, em que dizia: nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição. Ao que parece, mudaram os candidatos ao cargo, mas o diabo não se aposenta, afinal, se Alckmin é capaz de rastezar e lamber no prato em que tanto cuspiu por um lugar de vice-presidente de Lula, todos podem manter sua parceria com o capiroto.
Agora mesmo, o presidente Bolsonaro, articulou uma desastrosa reunião com Embaixadores dos países estrangeiros para atacar o sistema eleitoral do país que ele preside e pelo qual tanto ele, quanto seu principal adversário, já foram eleitos. E fez isso sem apresentar nenhuma prova concreta, nenhuma apuração objetiva, nenhum fato documentado ao longo dos anos em que o sistema eletrônico de votação funcionou.
Exigir mais transparência do TSE, mais observadores eleitorais, é saudável e necessário, mas ultrapassar esse limite utilizando o Ministro da Defesa, ou Embaixadores estrangeiros, é inaceitável e desmoralizante para o país. Não bastasse isso ainda produz um descrédito que só causa malefícios à nossa democracia. A famigerada reunião não gerou impacto positivo no exterior e nos deixou com ar de chanchada e de ação cujo objetivo final nem é a reunião em si, mas o jogo de cena que ela encobre se for necessário.
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22 de Julho de 2022 | 16h 16
O humano possui uma solidão intransponível, afinal, não existe outro igual. Cada um é um exemplar que começa e acaba em si e mesmo o que lega a um filho não é todo ele. Gênese e extinção são nossa dança biológica.
Em temporada de seca o risco, na roça, não é a escassez no pasto, a terra ressentida do cio da chuva, mas o fogo acidental que instala incêndios. Para evitar a tragédia os donos fazem aceiros temporários nas margens das propriedades, criando a fronteira de um chão com o outro, para proteger o que quase não resta.
Agimos igual diante do dessemelhante, pois a sobrevivência nos impôs estratégias. Uma, do confronto; outra, da coabitação. Dessa escolha deriva o tamanho do aceiro que cavamos, o ressentimento, ações, contra o diferente-todos os outros. Somos trincheiras incomunicáveis, vazadas por grandes incursões do amor, ativismo emocional, esses cavalos de Troia da natureza para vencer nossa beligerância e garantir a continuidade. Ou, pelo menos, a Rita Hayworth e o doce de tomate de minha mãe.
Todo amor é uma falha na guerra de aniquilamento. O baile dos lábios, um no outro, é o berçário cósmico que nos faz estrela. Assim, o amor poreja como quem rega uma veia já seca, mas a sobrevivência é uma feira livre, afinal, saímos de 3 bilhões em 1960, para 8 bilhões de pessoas, em 2024. Essa explosão gera conflito e descartabilidade. É a lei da oferta e procura.
Por outro lado, toda coabitação é uma trapaça hormonal, ou contenção da lei, fé, cultura. A falta de tréguas e o desnudamento virtual do indivíduo com suas mazelas imperdoáveis estão produzindo um progressivo crescimento da estratégia do confronto em detrimento da convivência.
O ódio tem engordado suas fileiras de seguidores visíveis-e, sobretudo, anônimos- que empunham suas redes sociais como lanças ancestrais- primitivas, mas mortíferas. Cada vez mais o outro é uma ameaça de incêndio a ser cancelado. A nossa incomunicabilidade, seja a mínima- do bom dia na padaria-, ou a máxima- da agressão ou morte por motivo fútil- está erguendo fronteiras até entre os próximos.
Vivemos o que chamo de era do outrofobia. A supremacia do indivíduo. Nela, o bestial consome em seu forno crematório as relações, valores, tolerância ao diverso. Essa reação é aniquiladora- traz sofrimento emocional, ocupa divãs, tarjas-pretas, suicídios- pois nada mais somos que um atávico bando ancestral.
Ao dilapidarmos o tête-a-tête estabelecemos um inventário de solidão que causa desagregação sistemática. Somos o que escolhemos, mas escolhemos cada vez menos o que somos.
Sabemos que o isolamento deforma; a desconfiança entorpece; a incerteza castiga. A outrofobia é o aceiro permanente que estamos edificando como um exílio da intimidade, fatal para o que quase não resta. E que apaga o cio da vida, o milagre que só o outro gera em nós.
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20 de Junho de 2022 | 23h 07
A morte do indigenista Bruno e do
jornalista Dom, na Amazônia, está cobrando um preço caro para o presidente
Bolsonaro e para a imagem do Brasil no exterior. As mortes de agora não diferem
das mortes de outros ambientalistas como Chico Mendes, em 1988, ou a freira
Dorothy Stang, em 2005, durante o governo Lula, em uma selvagem rotina de
impunidade e medo. É claro que Bruno sabia dos riscos e tinha dispensado a
escolta nessa viagem, mas é evidente, também, que os governos vêm tolerando a
ocupação da Amazônia por garimpeiros ilegais, traficantes, grileiros, pescadores,
e outros aventureiros, sem resposta à altura.
Durante o governo Bolsonaro a
situação tornou-se pior porque há um discurso presidencial de tolerância, de
cumplicidade, com a ocupação desordenada, o que incentiva os predadores a invadirem aquelas terras, e eliminarem os que tentam preservar a floresta. Além disso,
temos a rasura cognitiva de Bolsonaro que o impede de ter empatia com as
vítimas que não lhe interessa- e pouco importa não haver liturgia do cargo que
ocupa- o que ampliou de forma exacerbada a rejeição internacional. O que fica
claro, muito claro, é que as ações dos governos estão sempre aquém das necessidades
da região, do ponto de vista de infraestrutura, segurança e preservação. Enquanto
isso, famílias enlutadas continuarão a chorar suas perdas!
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20 de Junho de 2022 | 22h 41
Em discurso essa semana o
ex-condenado Lula relatou que intercedeu junto ao presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) e ao Ministro
da Justiça Renan Calheiros- sim, Renan, já foi ministro da Justiça nesse país-
para libertar os sequestradores do empresário Abílio Diniz, da rede de supermercados
Pão de Açúcar. Chega a ser inacreditável que o presidente FHC tenha aceitado a
permuta de libertar os criminosos em troca do fim da greve de fome que os
presos estavam fazendo.
Segundo Lula, “os meninos” apenas tinham cometido um
erro – não um crime- embora não custe lembrar que um dos sequestradores, o
chileno Sergio Urtubias, foi preso em 2020 acusado de matar o vigia do Banco Estado
com um tiro. Os bandidos pediram US$ 30 milhões de resgate à família e o empresário
contou em entrevista que ficou no cativeiro em um caixote onde não conseguia
ficar em pé e precisava encostar o nariz em um cano para puxar o ar. Quando a
polícia descobriu o cativeiro encontrou farto material do PT, mas todo
envolvimento com o partido foi negado.
Agora, Lula, afirma sem o menor pudor
que interviu diretamente para libertar o bando que cometeu o sequestro, dando
pouca importância à vítima, à Justiça brasileira que condenou o grupo, e ao
cidadão que não compactua com impunidade para um crime tão grave. É
estarrecedor que ele revele publicamente um ato tão abjeto cometido em parceria
com FHC e Renan Calheiros.