Acomodado em berço esplêndido, o governador do Estado esqueceu-se
de preparar seu sucessor. Na undécima hora, no apagar das luzes, botou na mesa
o desejo de ser candidato a Senador, deslocando Otto para a candidatura ao
governo. Só faltou combinar com os Russos, como diria Garrincha.
Dizem que a falta de dinheiro – o que é estranho – teria influenciado a
desistência dos apontados
para a disputa. Wagner preferiu ficar na maciota que já está e Otto voltou a
ser candidato ao Senado, disputa para a qual se sente mais estruturado. Com
esse triplo carpado de última hora, o vice, João Leão, ficou de fora e rasgou
as paredes a unha, porque não vai mais botar as garras na estrutura do governo.
Rui vai ter de segurar o pepino até o final – certamente, de
mau humor e pouca vontade –, providenciar dinheiro para pagar os prestadores da
Saúde que estão sem receber e engrossar o couro para as pancadas que irá
receber durante a campanha. Não bastasse isso, Rui ficará sem mandato e
político sem mandato bebe café frio. Além de ficar exposto e sem foro privilegiado,
por via das dúvidas.
Com a desistência do time A, especula-se a escalação de
alguém do time B, com o PT mantendo a cabeça de chapa. Os apontados até aqui
não têm projeção, capilaridade, pela Bahia, o que desenha um desastre para o
partido. A esperança é que Lula – caso a maré do ex-condenado esteja boa –
carregue o candidato que pegar o bastão depois de todos terem recusado.
Nem sempre é possível operar milagres. O problema de ter um
candidato fraco é que isso alimenta uma incontrolável vontade de trair, ainda
mais nessa Bahia em que todos vieram do mesmo berço.
O comediante que se tornou Presidente da Ucrânia é o líder
que mais inspira o mundo, nesse momento. Com um celular e uma extrema
habilidade de comunicar-se com seu povo, buscando, insistentemente, a conversa
com líderes das outras nações, mas, sobretudo, com coragem, ele surpreendeu o
mundo.
Ao recusar-se a fugir (“preciso de armas, não de carona”,
como disse ao anedótico Biden), mesmo sabendo que seria o alvo de Putin, e ao
defender seu país com paixão e integridade, ele foi conquistando corações e
mentes ao redor do mundo, causando manifestações que obrigam o Ocidente a tomar
medidas mais duras contra a Rússia do carniceiro Putin.
Com uma grandiosidade que falta à maioria e a compreensão
exata da liturgia de seu cargo, ele elevou-se, no enfrentamento e no risco.
Caso Putin venha a matá-lo, terá criado um mártir que irá inspirar a
resistência em seu povo. Se prendê-lo, ele será uma voz ativa permanente contra
a ocupação de sua pátria.
Putin deverá ter a vitória da força bruta, mas terá a derrota
do inimigo rejeitado e desprezado. Todos saberão que ele não é mais confiável,
que a paz não poderá mais ser a mesma com ele. Putin será cada vez menor, aos
olhos do mundo e até de seu povo, enquanto o comediante terá cada vez mais
aplausos.
Os que atacam o Presidente da Ucrânia são os medíocres, que,
por serem ínfimos e incapazes, não conseguem entender como alguém se torna um
líder verdadeiro.
A Câmara de Vereadores de Feira e
a Prefeitura Municipal estão submetidas a um vexame público significativo, nos
últimos meses, com a deterioração da relação institucional entre elas pela não
votação do Orçamento. A situação é lamentável porque a cidade e o eleitor
merecem mais respeito e qualificação da ação pública que exercem, afinal, é o
caro suor do trabalho dos cidadãos que gera as verbas que sustentam seu funcionamento. A crítica não se faz por partidarismo ou
antagonismo gratuito, mas pela defesa da normalidade administrativa e pelo
relevante papel que Câmara e Governo tem na interação com as necessidades do povo.
É inegável, e não deixa de ser
interessante, que a Câmara tenha adotado uma nova postura na apreciação de
matérias de grande relevância para a sociedade, a exemplo das Leis de Diretrizes
Orçamentárias. Em passado recente, os textos encaminhados pelo prefeito de
plantão eram aprovados sem a menor discussão ou emendas – era mais fácil ganhar
na Mega Sena acumulada do que aprovar uma alteração que fosse, se não atendesse
ao anseio do Executivo. Ainda que por vias tortas chegamos ao que deveria ser a
relação correta entre esses entes.
As batalhas na disputa atual
parecem, por enquanto, dar razão às alterações propostas e aprovadas em plenário,
ao contrário do que deseja a PMFS, apesar das alegações regimentais do processo
que motivou liminares na Justiça.
Isto posto, devo dizer que o que
vem acontecendo, lado a lado, ultrapassa todos os limites do aceitável. Manter
o Orçamento Municipal encarcerado tem sido uma atitude negativa e que causa
estupefação aos cidadãos. É preciso haver um limite nesta luta, ou que as
autoridades que representam o Ministério Público intervenham de maneira efetiva
(apenas assistem de longe ao drama da sociedade) para recuperarmos um mínimo de
funcionalidade nessa teratológica situação.
Capítulo à parte, o presidente da
Câmara, Fernando Torres, está exagerando em seu conceito de independência do
Legislativo. Extrapola tanto que a sensação dos que assistem aos seus discursos
é, nitidamente, de que ele deseja mesmo é travar o Governo, sabe-se lá por
quais razões. A acrescentar, a forma como Fernando vem conduzindo a
Presidência, com ameaças de estapear colegas, xingamentos, ofensas e acusações
sem comprovação. Apesar da positiva medida de devolução de recursos da Câmara,
não se pode deixar de lembrar, que sob seu comando aconteceu a absurda rejeição
do projeto da atualização do Conselho do Fundeb. Os vídeos dos discursos que
circulam nas redes acabam por envergonhar todos os cidadãos já que o Presidente,
tem emendando um atrito em outro sempre alegando estar apoiado pelo “grupo dos dez”, que estaria avalizando estas ações,
esquecendo que a eleição dependo do voto do eleitor.
O Prefeito Colbert Filho, por sua
vez, precisa encontrar uma interface que permita sua relação com a vereança sob
o risco do engessamento administrativo. É sua responsabilidade. Corre a boca
pequena- e já houve até lágrimas no púlpito- que o prefeito estaria se
recusando a dar a quantidade de cargos reivindicados pelos vereadores – e
fala-se em 200, 300. Como esta crise não ocorria no passado abre-se as
especulações sobre a mudança de comportamento. A prática, se confirmada, seria um
desmando, afinal, vereadores são eleitos para defender o povo, cuidar da
cidade, e não para abusar dos cofres públicos. Por outro lado, indicações de
vereadores devem ser consideradas, afinal, são solicitações reais da população,
mas há uma distância monumental entre obras e transformar a máquina pública em
cabide eleitoral.
Acima de tudo e de todos deve
estar Feira de Santana.
O martelo já está batido, restando, à base, o choro
regulamentar, já que a decisão teve o aval de Lula, caudliho do PT, que
concordou com a mudança na chapa do partido para concorrer ao governo: Wagner
vai continuar na "entrada do céu", o Senado, enquanto Otto Alencar
irá encarar a disputa do Executivo contra ACM Neto.
Rui Costa começou o "furdunço", ao meter o pé na
porta, por não querer ficar contando caroço de areia na praia, depois de
comandar o estado por oito anos. Assim, o resto teve de ser acomodado.
Com isso, a Bahia ficará entregue a João Leão, a partir de
Abril, com a renúncia de Rui. O choro dos demais partidos e atores – inclusive
de Lídice da Mata, sempre preterida – causará algum rebuliço, mas nada que mude
a obediência ao que já foi decidido.
Sem dúvida que é uma chapa com nomes consistentes, fortes,
com capilaridade, mas que terá de enfrentar o desgaste do longo tempo do PT na
Bahia; os resultados precários, em algum setores, como Segurança e Educação; e
o afastamento de Secretários envolvidos em denúncias e investigações policiais.
O PT abre mão da cabeça de chapa em nome da candidatura de
Lula, mas, certamente, será estranho ver o partido fazendo esforços por Otto,
quando, no passado, o ameaçava com a CPI da EBAL, antes de sua adesão.
Outro aspecto interessante será a volta do carlismo na
disputa pelo cargo de governador, afinal, Otto foi criado e formado por ACM avô
e fez carreira sob sua bênção.
Ao mudar para o adversário, Otto mais levou o carlismo para o
PT do que incorporou o petismo. Ele irá enfrentar ACM Neto, que vem de uma boa
gestão na Prefeitura de Salvador, resgatando a cidade, que andava destruída por
seus trágicos antecessores. O velho e o novo carlismo irão às urnas em lados
diferentes do ringue, mas reunidos em um mesmo berço. A Bahia caminha em
círculos.
É cada vez maior a possibilidade de Wagner não ser candidato
ao governo, abrindo espaço para Otto Alencar. Ao que parece, as situações se
inverteram: Otto não queria, mas, agora, está disposto a aceitar. Dizem que
Wagner, no início, preferia manter a tranquilidade do Senado, mas, depois, foi
convencido a ir à luta.
No entanto, as questões nacionais e a pressão de Rui Costa
para estar na chapa, evitando ficar ao relento, acabaram interferindo na
composição. Ao que parece, no momento, a candidatura de Wagner subiu no
telhado.
Certamente, ACM Neto deve preferir Otto a Wagner. E a Bahia
que se vire, com Leão no poder.