Segundo Lula, “os meninos” apenas tinham cometido um erro – não um crime- embora não custe lembrar que um dos sequestradores, o chileno Sergio Urtubias, foi preso em 2020 acusado de matar o vigia do Banco Estado com um tiro. Os bandidos pediram US$ 30 milhões de resgate à família e o empresário contou em entrevista que ficou no cativeiro em um caixote onde não conseguia ficar em pé e precisava encostar o nariz em um cano para puxar o ar. Quando a polícia descobriu o cativeiro encontrou farto material do PT, mas todo envolvimento com o partido foi negado.
Agora, Lula, afirma sem o menor pudor
que interviu diretamente para libertar o bando que cometeu o sequestro, dando
pouca importância à vítima, à Justiça brasileira que condenou o grupo, e ao
cidadão que não compactua com impunidade para um crime tão grave. É
estarrecedor que ele revele publicamente um ato tão abjeto cometido em parceria
com FHC e Renan Calheiros.
Uma das peças de teatro mais conhecidas de Ibsen é Um
Inimigo do Povo - tive a oportunidade de ver em duas montagens diferentes- e
que já teve seu argumento central aproveitado em diversos textos adaptados. Um
Inimigo do Povo retrata o conflito existente entre o individual e o coletivo,
mostrando de que forma a população de uma pequena cidade-balneário da Noruega
transforma o médico local de cidadão honrado em um inimigo do povo porque ele
duvidava dos poderes e da qualidade das águas que serviam os banhos públicos,
fonte de riqueza para toda a cidade.
O dinheiro fácil-e o poder que ele gera- enraíza na Sociedade,
infiltra-se como erva daninha em suas instituições e vai corroendo, corrompendo
todo tecido social, através do ganho sem esforço. Ele vicia, rebaixa consciências,
gerando o apoio de todos aqueles que se beneficiam direta ou indiretamente-
legal ou ilegalmente- do processo de corrupção.
O exemplo mais direto disso é a reação de parte da banda
podre da Justiça, advogados, políticos, empresários corruptos, contra a
Lava-Jato e Moro. Digo sempre que apesar de grampeado nada surgiu nas conversas
de Moro que sugerisse corrupção. Não
conheço muitos outros nomes que seriam capazes de saírem ilesos após terem seus
telefones grampeados.
É possível discutir procedimentos da Operação Lava jato,
tentar aperfeiçoá-la, mas a destruição a que foi submetida – inclusive pelo PGR
Augusto Aras- é uma vergonha a todo pagador de impostos que deseja viver em um
país mais honesto. Moro mudou uma Justiça que durante 500 anos perseguiu
negros, pobres e putas, prendendo políticos, empresários devassos. Agora, ela
volta-se novamente para pretos, pobres e putas. E o brasileiro ainda acha que
ele é um inimigo do povo. Não chega a ser novidade, porque Ibsen já escreveu
sobre isso! Só os atores atuais é que são canastrões da pior qualidade!
Pesquisas apontam que até 22% do eleitorado não gostaria de votar no ex-condenado Lula ( do governo com propina na cada dos bilhões, como disse Obama), nem em Bolsonoro - aquele que não era coveiro na pandemia e abraçou o Centrão- o que é uma parcela significativa de eleitores. Ela começou a ser discutida para viabilizar Moro ( 8% das intenções de voto), mas ele foi rifado pela combinação de inexperiência e traições. No Podemos, porque nunca lhe deram as condições; na União Brasil, pela ação de ACM Neto e Ronaldo Caiado.
A inviabilidade contou com a perseguição esdrúxula movida pelo ministro Bruno Dantas do Tribunal de Contas ( que frequenta encontros com Lula) e o procurador Júlio Furtado, além da anulação das sentenças da lava-jato nos Tribunais ditos Superiores. O movimento ordenado e conjunto botaram Mora para escanteio, afinal, a pauta anti-corrupção não agrada a ninguém além dos brasileiros que tem seus impostos roubados diariamente. Agora resolveram indicar o nome de Simone Tebet e já se fala que Aécio Neves pode ser o vice, apesar de seus 8 processos no STF. Com essa âncora só lhe resta esperar a hora de afundar.
Melancólico país!