Assim como nossos heróis morreram de overdose, os sonhos coletivos estão morrendo também. Nossas melhores intenções- a liberdade, fraternidade, igualdade, o esforço como meio para o sucesso, o amor eterno e a barriga sem Chopp- encheram o inferno de fracassos.
A combinação de um protagonismo insustentável que torna o indivíduo um universo autocentrado, ávido de recompensas e retroalimentação, a consumir o pior de si em canibalismo autofágico, e a lenta, continua e irreversível perda do idealismo como um bem e motivação, foram luindo continuamente a sociedade e seus valores. Crescer tornou-se nada menos que despedir-se das ilusões, todas aquelas que um dia já preencheram nossas melhores ações e esperanças.
Os discursos civis foram traídos, a pátria foi apartada de nosso pertencimento, e a exposição nua e crua dos podres poderes retirou o glamour de muitos heróis revelando facetas nunca antes imaginadas. Privados dos mitos, sem fio de Ariadne, estamos adentrando o labirinto, sem guia de retorno.
Já não temos líderes, e a verdade é que está ficando cada vez mais impossível ser herói nestes tempos de escandalosa e incontrolável exposição. Não há mais segredos ocultos nas biografias e, também, já não lutamos pelos corações e mentes; no máximo, pelo fim de noite.
Não sonhamos mais juntos pelo temor que pareçamos tolos, que abusem de nós, e que o mais puro de nosso coração seja explorado pelos aventureiros e oportunistas. Compartilhamos apenas mobilizações momentâneas, refreados na nossa entrega plena pelas incertezas e medos. E o medo é uma ilha.
A modernidade líquida não é só desapego e volatilidade, mas uma individualidade bruta, arcaica, devastadora, que superficializa todo nosso legado de humanidade, dessacraliza nosso imaginário e nos tira a ambição da perenidade que sempre nos conduziu ao infinito e além. Já não erguemos altares, ou catedrais.
De algum modo, entre a cozinha gourmet e a falência das ideologias, fomos nos tornando o que nunca fomos: mortais.
Não sei o caminho, nem como se faz esta lavoura da salvação, mas sei que devemos voltar a cobiçar a eternidade, pois, os ventos do norte já não movem moinhos e nossos sonhos coletivos já morreram todos.
Entre as muitas aberrações
do nosso sistema judicial está a prescrição de crimes. A intenção seria
proteger o cidadão da inoperância do Estado que ao demorar para julgar o crime
prejudicaria o acusado. Só que isso é usado pelos advogados a favor dos réus
criando manobras em nosso cipoal judiciário para que ele demore e prescreva.
Além disso, a lei estabelece que o prazo para a prescrição de crimes de réus
com mais de 70 anos cai pela metade. É um sistema feito para proteger
criminosos. Agora mesmo, o processo contra Lula, no caso Tríplex, foi encerrado
porque Lula já tem 76 anos. Em verdade, ele nunca foi inocentado das acusações de
corrupção, pois o mérito não foi julgado, apenas, o procedimento.
Sobre isso, Sérgio Moro, o ex-juiz que o condenou,
disse: "Crimes de corrupção deveriam ser
imprescritíveis, pois o dano causado à sociedade, que morre por falta de saúde
adequada, que não avança na educação, jamais poderá ser reparado".
Crimes de corrupção não deveriam prescrever jamais!
Quando Moro saiu
do governo acusou Bolsonaro de tentar interferir nas investigações da Polícia Federal
e da Justiça. As falanges bolsonaristas se encarregaram de espalhar que o
ex-juiz era um traidor, embora as evidências fossem visíveis. Agora, com Moro candidato,
Bolsonaro confessou ao atentar atingi-lo: "Esse cara não fez absolutamente
nada para que Coaf, a Receita, não bisbilhotasse não só a minha vida como a de
milhares de brasileiros. Isso nos atrapalha. Você pode investigar o filho do
presidente? Pode. Você pode investigar a mulher do presidente? Pode. Mas
investiga legalmente, com uma alegação formal. Eu posso ser investigado, mas
não dessa forma como eles fazem."
E , mais ainda,
assume que sempre quis afastar Moro do
governo e não cumpriu a promessa de combate a corrupção que havia feito ao lhe
chamar para o governo: "Queria mandar embora lá atrás. Mas, como ele tinha
prestígio grande, ficava difícil justificar."...
Bolsonaro confirma que apenas se aproveitou do prestígio de Moro e depois o deixou de mãos abanando para salvar a família da rachadinha!
No auge do crescimento econômico e da expansão imobiliária Feira de Santana tornou-se centro de interesse de várias empresas da capital que abriram filiais em nossa cidade. Com a recessão no governo Dilma- a pior de nossa história- o fluxo reduziu e algumas delas foram obrigadas a fechar as unidades que foram abertas. Em 2021, apesar da crise causada pela pandemia, parece que o fluxo começa novamente a movimentar-se a favor do crescimento. Um exemplo é a Sorveteria da Ribeira- a mais tradicional e mais saborosa da capital- que está se instalando na Avenida Maria Quitéria, pronta para o verão. O grupo Assaí botou o pé na cidade e duas grandes redes nacionais da área de saúde fizeram aquisições- Rede D’Or e Matter Day- e estão se instalando por aqui. Aos poucos os anúncios imobiliários estão voltando. A cidade cresce apesar da falta de incentivo do governo do Estado que continua sonegando o Aeroporto e o Centro de Convenções - pendências seculares.
Agora é torcer pela retomada e tomar sorvete do bom e do melhor!