O ex-presidente Jair Bolsonaro, que já enfrenta problemas muito sérios com a Justiça, condenado e preso, por tentativa de golpe de Estado, arranjou mais uma encrenca recentemente. Ou melhor, arrumaram uma encrenca para ele, agora, de ordem familiar. A briga de sua mulher, Michele, com o filho dele, Flávio, o senador, que ele ungiu pré-candidato a presidente da República, é um problema e tanto, pra quem já está no fundo do poço.
Volto ao tema porque a imprensa divulga hoje um fato novo, dos bastidores: Bolsonaro não quis se meter na briga entre filho e esposa. Começo a análise dizendo que o ex-presidente está absolutamente correto. Não dá para se envolver em confusão pública de duas figuras tão próximas. Vai dizer o quê? Se defende Flávio, desagrada a mulher. E se faz algum pronunciamento em favor de Michele, vai ser mal visto pelo filho. Não é prudente ficar calado?
É roupa suja pra se lavar em casa, não dá pra levar a uma lavanderia. Bolsonaro, que normalmente vai muito mal na avaliação das coisas, com suas opiniões às vezes insensatas, às vezes toscas, tem uma postura razoável, nesse caso. O seu silêncio evita que o assunto tenha uma repercussão ainda pior.
Não posso deixar de acrescentar algo. Filho e esposa travam uma briga pelo poder e fazem a vida do ex-presidente de tornar um inferno ainda mais ardente - se é que isto seja possível, a alguém que já se encontra em uma situação tão delicada. Michele e Flávio deveriam respeitar o quadro caótico em que vive Jair Bolsonaro, cumprindo prisão domiciliar, doente e com perspectivas sombrias, evitando lhe trazer transtornos.
A liderança política na família não é, ou não deveria, ser exercida por Michele, nem por Flávio. Ambos são produtos da popularidade do ex-presidente. Portanto, se Jair optou pelo filho e não a esposa, para apresentar como seu candidato ao Palácio do Planalto, ela deveria, até pela natureza religiosa de sua personalidade, acompanhar o marido e ajudá-lo na empreitada. Bem, isto não significa que Michele deve curvar-se ao candidato. Mas será mesmo que ela se dispôs a colaborar?
Nestes cenários, o caminho a seguir é muito simples: se não quer ou não pode ajudar o esposo, no projeto de tentar eleger o filho, que ao menos não atrapalhe. Flávio, por sua vez, jamais deveria, diante de uma eventual falta deste apoio, maltratar a esposa do seu pai, como reclamou Michele e deve ter ocorrido, de fato. Na verdade, maltratar, não se deve, qualquer que seja a alegação, homem ou mulher. Bolsonaro e a mulher sempre elevaram o conceito de família, defendendo a sua unidade. Pelo visto, porém, eles não fizeram grandes esforços por isto.
A "humilhação" que teria sido cometida por Flávio, segundo a própria Michele: “Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”. Ao que tudo indica, Flávio e Michele travaram um embate de nível colegial, como se fossem estudantes do ginásio, em atrito por causa de algum trabalho escolar.
Ao expor publicamente a contenda, gravando vídeo muito bem articulado, a ex-primeira-dama conduziu Flavio - o senador já se encontrava abalroado pelo escândalo dos milhões recebidos do Daniel Vorcaro supostamente como patrocínio do filme biográfico de Bolsonaro - a uma situação ainda mais crítica nas pesquisas.
Antes de Flávio e de Michele tentarem arruinar seu projeto político, Bolsonaro já havia enfrentado problema com o outro filho, Eduardo, o "americano", que o xingou: "V.T.N.C. seu ingrato do caralho". Quem tem filhos e esposa que agem assim, não precisa de inimigos.
O descarte irregular de restos de material de construção,
lixo domiciliar ou empresarial e até de móveis e eletrodomésticos inservíveis,
é problema crônico em Feira de Santana. Em toda a cidade, até mesmo em bairros
na região do centro, as pessoas se deparam com resíduos e objetos amontoados em
terrenos baldios ou encostados nos muros de áreas não habitadas.
Não há, nem nunca houve, aqui, uma política severa de punição
para essa gente que, justamente por nada temer, insiste em sujar a cidade,
prejudicando a paisagem, provocando a proliferação de animais peçonhentos e
roedores. É um problema muito sério, caso de saúde pública, que precisa de uma
ação enérgica, determinada e organizada da gestão municipal.
Esta semana, a Câmara promulgou uma lei que dispõe sobre o tema.
O Legislativo está autorizando o uso do sistema de videomonitoramento urbano
como prova para identificação de infrações administrativas relacionadas ao
descarte irregular de resíduos sólidos, entulho e afins nas vias públicas,
logradouros, terrenos baldios e locais de uso comum.
A promulgação de uma lei acontece quando o Poder Executivo
não se manifesta sobre ela, deixando de sancionar ou vetar a medida. Então, a
presidência da Câmara, após cumprido prazo legal, tem o poder de colocar a lei
em vigor, não necessitando de votação pelos vereadores. Foi o que aconteceu no
caso desta, proposta de autoria do vereador Silvio Dias (PT).
De acordo com o dispositivo, as imagens utilizadas serão as
disponibilizadas pelo sistema de videomonitoramento conveniado com a Secretaria
de Segurança Pública do Estado, sendo permitidas também outras que venham a ser
implantadas. A identificação dos infratores acontecerá por meio de
"recursos idôneos" a exemplo de placas de veículos e outros dados
consistentes. A fiscalização e a autuação serão realizadas pela Secretaria
Municipal de Meio Ambiente e demais agentes de fiscalização da limpeza urbana.
Não parece gerar despesa para o Município. O Poder Executivo,
quando não sanciona, nem veta um projeto aprovado pelos vereadores, dá sinal de
que não é contra, nem a favor, e que prefere deixar a responsabilidade da
decisão com a Câmara. Não é um procedimento interessante, mas assim tem
funcionado ao longo do tempo, salvo em questões de grande repercussão
econômica.
O uso do videomonitoramento para flagrar a quem pratica o abominável ato de encher a cidade de lixo pode ser uma arma poderosa do poder público para identificar os infratores e adotar as medidas cabíveis, inclusive judiciais. Talvez, não necessitasse de lei para tal. A Prefeitura, através do órgão competente, a Secretaria de Serviços Públicos, já devia, se não o faz, explorar essa tecnologia. Apenas com punição exemplar, se poderá vencer esta guerra. Quando alguns indivíduos ou empresas receberem uma penalidade rigorosa, outros tantos se sentirão desestimulados a cometer o delito contra a cidadania. Aguardemos qual postura irá adorar a SESP, sobre o instrumento de fiscalização que lhe chega às mãos.
Embora o seu partido, o União Brasil, esteja inclinado a apoiar para presidente o seu ex-filiado Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, hoje no PSD, o prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo, vai apoiar outro candidato ao Palácio do Planalto, nas eleições deste. Ele anunciou nas últimas horas, segundo divulgado em diversos veículos de comunicação de todo o Estado, que votará em Flávio Bolsonaro, do PL. A declaração foi dada em entrevista que o prefeito de cinco mandatos deu à imprensa em evento do pré-candidato a governador pelo seu partido, ACM Neto, na quarta-feira.
O prefeito feirense comentou, inicialmente, sobre sua postura em relação a não votar em candidato do Partido dos Trabalhadores: "nunca deixei dúvida de que eu não voto no PT. Se eu não voto no PT, eu tenho três opções de candidatos a presidente da República, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Partido Novo), o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) e o senador Flávio Bolsonaro (PL)".
Ele disse que uma parte dos amigos vota com Zema, uma outra parte com Caiado e "a grande maioria" estaria marchando com Flávio. Ao projetar que a eleição "está caminhando para o segundo turno", recomendou a quem interessar possa que "o que nós precisamos é respeitar um ao outro, trabalhar cada um respeitando o seu candidato, e estarmos unidos no segundo turno". Declarou que vai "manter o voto" que deu no pleito de 2022 (naquela eleição, deixou de lado a senadora Soraya Thronicke, que representou o União Brasil na corrida pela Presidência): "Eu votei no (Jair) Bolsonaro. Eu (agora) vou votar no Flávio".
Na verdade, não foi apenas em 2022 que Ronaldo votou em Jair Bolsonaro, quando o então presidente fracassou em sua tentativa de reeleição. Também aconteceu em 2018. Ele apoiou o então deputado federal em sua primeira e vitoriosa disputa pelo Palácio do Planalto. Na ocasião, postulante ao cargo de governador, enfrentando o reeleito Rui Costa, Ronaldo surpreendeu ao então prefeito da capital e mentor de sua candidatura, ACM Neto, que seguia a orientação do Democratas (atualmente, União Brasil) e apoiava Geraldo Alckmin, do PSDB.
Portanto, em 2026, pela terceira vez, o prefeito não vai pedir o voto para o candidato indicado por seu partido - ou por ele apoiado - em eleição para presidente, em primeiro turno. Embora o nome de sua preferência seja de direita, não é algo comum na trajetória política do prefeito de Feira de Santana deixar de apoiar primeiro turno a um nome sugerido pelo partido que ele integra. No caso das eleições deste ano, chega a surpreender, a escolha por Flávio, tendo em vista que Caiado, seu amigo de longa data, esteve desde 1995 como seu companheiro de legenda desde quando o União era denominado Partido da Frente Liberal (PFL).
Quem imaginava uma possível reação negativa de ACM Neto, enganou-se. O vice-presidente nacional do União sinalizou hoje, em entrevista durante as comemorações pelo 2 de Julho, em Salvador, que seu grupo político está liberado para escolher entre os três nomes da direita, na luta para impedir a reeleição do presidente Lula: "Eu quero reafirmar que o nosso palanque aqui na Bahia reúne partidos com diferentes candidatos à Presidência da República". Ou seja, ele não defenderá que seu grupo político siga exclusivamente Caiado, na Bahia. O que representa, sem dúvida, uma baixa significativa na campanha do ex-governador goiano.
É agora, ou nunca mais. Na opinião do radialista Dilton Coutinho, um dos mais influentes comunicadores de Feira de Santana, a última chance de o Aeroporto João Durval Carneiro funcionar, de verdade, está nas mãos do governador Jerônimo Rodrigues. O apresentador do tradicional jornalístico matinal "Acorda Cidade", na Rádio Sociedade News, falou recentemente sobre este e outros vários temas em um podcast do portal soteropolitano "Bahia Notícias". O objetivo foi tratar de demandas do Governo do Estado neste município, em vista das eleições que se aproximam, tendo em disputa o Palácio de Ondina.
"Sou um otimista. Mas se Jerônimo não colocar o aeroporto pra funcionar... nunca mais!", disse ele, respondendo a questionamento sobre projetos que devem não ser mais concretizados, caso o governador encerre o atual mandato sem executá-los. O aeroporto feirense está passando por melhorias. A obra de ampliação da extensão da pista já foi concluída e uma outra, elevando o porte do pátio de aeronaves, encontra-se em processo de licitação.
O que Dilton Coutinho e todos os feirenses desejam é que o equipamento, finalmente, venha a atrair companhias aéreas a disponibilizar voos diários para São Paulo, Brasília e até mesmo Salvador, entre outros grandes centros - como acontece em aeroportos como os de Campina Grande, Caruaru, Petrolina, Vitória da Conquista e diversas outras cidades do interior nordestino. algumas delas, a exemplo de Feira de Santana, localizadas a pequena distância das capitais.
BR 324: FALTA PULSO DOS REPRESENTANTES POLÍTICOS
O comunicador também reclamou das condições da BR 324, rodovia que liga Feira de Santana a Salvador. "Está faltando pulso e representatividade. Temos o governador, os deputados federais e senadores baianos, mas não anda", afirmou, exigindo mais esforços da parte dessas autoridades.
ASSALTOS ASSUSTAM O FEIRENSE
A segurança pública foi mais um tema abordado no podcast e Coutinho mandou a "real". Ele entende que a redução dos homicídios (em 2025 foram 247, menor número em mais de década) não significa algo expressivo na contenção da violência: "Não temos em lugar nenhum a sensação de segurança. Não se pode sair com o celular, à noite. Os assaltos assustam a população".
MAIS UM HOSPITAL REGIONAL EM FEIRA
Coutinho cobrou do Governo do Estado mais um hospital regional em Feira de Santana. Reconheceu investimentos no Hospital Geral Clériston Andrade, mas insuficientes para atender à elevada demanda. Ele alerta que é preciso melhorar a regulação (transferência de pacientes que aguardam nas UPA's e policlínicas por atendimento em unidades de alta complexidade), "uma bandeira de Jerônimo em sua campanha".
ESTADO PRIORIZA CAMAÇARI
O respeitado âncora do principal programa jornalístico da região comentou ainda sobre a indústria feirense, fazendo eco à reclamação, muito ouvida na cidade, de que o Estado prioriza Camaçari, em detrimento da Princesa do Sertão, quando indica o destino de uma nova fábrica. "Feira não tem força política", ele diz, mais uma vez criticando o fato da cidade mais populosa do interior contar com somente um deputado federal (Zé Neto) e, atualmente, dois estaduais (Ângelo Almeida e José de Arimatéia). Lembrou que não evoluiu a proposta de um novo núcleo do CIS na BR 116 norte, trecho entre Feira e Serrinha.
PAVIMENTAÇÃO DE 30, 40 ANOS
O tema era o Governo do Estado, mas provocado pelo entrevistador, o apresentador também fez observações sobre a Prefeitura. Registrou as obras de macrodrenagem anunciadas pelo prefeito Zé Ronaldo para vários bairros, mas atacou o problema dos buracos, segundo ele, causados pelo tempo de uso da atual pavimentação: "O asfalto de algumas ruas e avenidas tem, 30, 40 anos. Faltou investimento".
BRT E SUAS ESTAÇÕES ABANDONADAS
Criticou o BRT "que não saiu do papel", com suas estações "abandonadas" e a circulação de "apenas alguns carros articulados". Mesmo com subsídio de "30 ou 40 milhões de reais (anualmente) ao sistema, nosso transporte público é precário", afirmou.
CARÊNCIAS DA ASSISTÊNCIA BÁSICA
A rede municipal de saúde vai receber um hospital para urgência e emergência, além de cirurgias, informou Coutinho, mas, analisa o radialista, a gestão municipal deve atentar-se para as carências da assistência básica, de sua responsabilidade. A comemorar, registrou, a ordem de serviço para construção de um hospital para tratamento de pacientes de câncer, obra da Santa Casa de Misericórdia em parceria com a União, Estado e Prefeitura.
DISTANCIAMENTO DE RONALDO E JERÔNIMO
Sobrou tempo para o radialista falar um pouco sobre a política. Ele aproveitou para sugerir ao prefeito Zé Ronaldo e ao governador Jerônimo que retomem a aproximação que ocorreu entre eles no ano passado. Após o gestor local confirmar apoio a ACM Neto, para governador, segundo Coutinho, ambos se afastaram, o que seria prejudicial para a cidade. Para o experiente ex-repórter da TV Subaé, Ronaldo, diferentemente do que se cogitou nos bastidores, não deverá "cruzar os braços" no pleito de outubro e vai atuar vigorosamente pela vitória do seu candidato.