Interessante debate está ocorrendo, por parte de duas lideranças políticas locais, sobre uma possivel implantação da tarifa zero, ou seja, gratuidade total, ampla e irrestrita, no transporte coletivo em Feira de Santana. Pré-candidato a deputado federal, o membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) e do Conselho de Participação Social (CPS) do governo Lula, Deyvid Bacelar, defendeu em suas redes sociais que seja instalada uma frota de ônibus elétricos nas cidades brasileiras com tarifa zero e este seria o desafio da Prefeitura de Feira.
Feirense, o líder sindical do segmento petroleiro acredita que este será um dos principais pontos de discussão no Congresso Nacional em 2026 e cobrou dos vereadores que levantem o assunto este ano. Sem apresentar dados ou proposta fundamentada de viabilidade econômica do benefício, no entanto, ele foi muito bem contestado pelo vereador Pedro Américo, que parece estar debruçado em estudos sobre o tema. O parlamentar disse reconhecer que discutir gratuidade é legítimo, já ocorre em diferentes cidades brasileiras e no Congresso Nacional, mas somente com análise de custos, desenho institucional e fontes permanentes de financiamento, para que a pauta, de relevância social, não se transforme em "promessa sem lastro".
Considera incorreto, "induzir a população", a concluir que a Prefeitura, de forma isolada, teria obrigação de bancar a tarifa zero. “O município não pode ser tratado como caixa único de um problema que é nacional. Quando a proposta não explica quanto custa, quem paga e como se sustenta, ela cria expectativa e frustração, em vez de solução”, declarou. Em mais um recado direto a Deyvid, disse o vereador, para construir "uma política pública séria", antes de "vender uma ideia" como simples, se deve apresentar custo anual estimado, impacto na frota e na oferta de linhas, fonte de receita dedicada e divisão clara de responsabilidades entre Município, Estado e União.
Para Pedro Américo, a tarifa zero só se torna viável em cidades de médio porte quando existe cofinanciamento estruturado, previsível e contínuo. Ele observa que, no Brasil, experiências consideradas bem-sucedidas dependem, em geral, de receitas específicas, como fundos locais, royalties ou modelos robustos de subsídio, e exigem atenção permanente aos riscos de precarização do serviço quando não há custeio estável.
No caso de Feira de Santana, acredita, é necessário buscar um pacto federativo para a mobilidade urbana, com participação direta do Governo do Estado e do Governo Federal. “Quando o Estado subsidia modais estruturantes na capital, fica claro que o subsídio é uma prática legítima de política pública. O debate correto é definir qual modelo de cofinanciamento é possível para Feira, com metas, contrapartidas, fiscalização e garantia de qualidade do serviço”, argumentou.
Um "roteiro técnico", em sua avaliação, passa por auditoria e publicação dos custos reais do sistema; simulações de cenários, tarifa zero total, parcial, por público específico ou por dias e horários; definição de fontes de financiamento, como fundo municipal de mobilidade, receitas acessórias do sistema e aportes estaduais e federais; contratos com metas de desempenho e mecanismos efetivos de controle; e implementação de projeto-piloto monitorado antes de qualquer ampliação.